Faltômetro amplia controle sobre ausência em consultas no município
Projeto aprovado pela Câmara busca conscientizar pacientes sobre a importância de avisar quando não puderem comparecer

O “Faltômetro” agora é realidade. A Câmara de Divinópolis aprovou o projeto de lei que cria oficialmente a iniciativa na rede municipal de saúde. A proposta, de autoria do vereador Hilton de Aguiar (Agir), prevê o acompanhamento e a divulgação periódica do número de faltas em consultas e atendimentos previamente agendados nas unidades de saúde. O texto foi aprovado por 13 votos favoráveis e segue para análise do Executivo.
Implicações
A medida pretende dar maior visibilidade a um problema que interfere diretamente no funcionamento da rede pública: quando um paciente agenda uma consulta, mas não comparece e não comunica previamente a ausência, o horário reservado pode permanecer ocioso. Com isso, outro usuário que aguarda atendimento deixa de ter a oportunidade de ocupar aquela vaga.
Pelo projeto, as unidades deverão registrar as faltas e divulgar os números em locais visíveis, sem qualquer identificação dos pacientes. A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) também deverá elaborar relatórios periódicos com os dados consolidados das unidades.
O objetivo não é apenas contabilizar as ausências, mas utilizar os dados como instrumento de conscientização. A partir do acompanhamento dos números, a administração poderá identificar padrões de faltas e desenvolver ações educativas para estimular os usuários a comunicar previamente quando não puderem comparecer aos atendimentos.
Problema já é acompanhado
Apesar da aprovação do projeto pela Câmara, o acompanhamento do absenteísmo já é realizado pela Prefeitura de Divinópolis. A própria Prefeitura já havia implantado o Faltômetro nas unidades de saúde antes da aprovação da proposta legislativa.
Em junho, o município informou que mais de 11 mil consultas haviam deixado de ser realizadas nos quatro primeiros meses de 2026 devido à ausência dos pacientes. Na Atenção Primária, foram ofertadas mais de 106 mil consultas médicas no período, com 8.486 faltas registradas.
O Executivo também informou que a rede municipal apresentava, naquele período, uma média de aproximadamente 30% de absenteísmo nas consultas. O painel instalado nas unidades passou a apresentar os números das consultas que deixaram de ser realizadas, com a intenção de mostrar à população o impacto provocado pelas faltas.
Aviso prévio permite remarcação
A rede municipal já possui regras para os casos em que o paciente sabe que não poderá comparecer à consulta. Quando a impossibilidade é comunicada com antecedência mínima de um dia útil, independentemente do motivo, o atendimento pode ser remarcado, desde que haja disponibilidade na agenda do profissional.
A orientação busca evitar que o horário seja perdido. Ao avisar a unidade, o paciente permite que a equipe reorganize a agenda e, quando possível, disponibilize a vaga para outra pessoa.
A proposta aprovada pelos vereadores reforça justamente esse aspecto. Além da divulgação dos números, o texto prevê orientações sobre o procedimento para comunicar a ausência e remarcar o atendimento, além de esclarecimentos sobre tolerância para atrasos e a necessidade de comunicação prévia.
Na avaliação apresentada pela Secretaria Municipal de Saúde, a iniciativa do Legislativo soma-se ao trabalho que já vem sendo realizado pela administração. A intenção é ampliar a conscientização sobre a responsabilidade do usuário na utilização dos serviços públicos e melhorar o aproveitamento das vagas disponibilizadas pelo SUS no município.
Impacto na fila de espera
O principal efeito das faltas está relacionado à ocupação das agendas. Quando um paciente não comparece sem avisar, o profissional permanece com aquele horário reservado, enquanto outro usuário pode continuar aguardando por uma consulta.
A situação também interfere no planejamento das unidades. As equipes organizam suas agendas considerando a quantidade de profissionais disponíveis e a demanda de cada serviço. Uma ausência não comunicada dificulta o reaproveitamento daquele horário. O “Faltômetro”, nesse sentido, funciona como uma ferramenta de transparência e conscientização.
O projeto aprovado também determina que os dados consolidados sejam utilizados pela Semusa para acompanhar a frequência dos usuários, identificar os serviços com maior índice de faltas e orientar campanhas educativas. A intenção é transformar as informações registradas nas unidades em subsídios para ações destinadas a reduzir o absenteísmo.
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