Feiras se tornam Patrimônio Imaterial

Anna Flávia Alves
Começar o fim de semana ou terminar a noite anterior nas feiras do bairro Planalto, Porto Velho, Esplanada ou Niterói são rituais de parte dos divinopolitanos. Além de barracas de vendas, os espaços fazem parte do cotidiano da cidade, pontos de encontro entre amigos e uma boa opção de programa de lazer. Como uma homenagem à este marco conquistado pelas feiras, de Patrimônio Imaterial, o Jornal Agora conversou com diversos feirantes:
Para além das compras
Uma grande característica das feiras é a fidelidade. Os feirantes costumam montar as barracas nos mesmos lugares e os clientes que as frequentam costumam ser fiéis também. Este cenário contribui para o nascimento de vínculos estreitos para além das compras.
Feirante há quase 40 anos, Maria Antônia Oliveira destaca a relação com os moradores.
— Na feira livre, além de ser um ponto de encontro de entretenimento nos finais de semana, as pessoas criam laços de afetividade que superam a amizade entre a relação feirante-freguês — conta.
O relato dela também é compartilhado por muitos outros feirantes, que desenvolvem vínculos com fregueses de anos. Boa comida, amizades, cuidado que supera as vendas e que faz das feiras, uma boa opção de programa para o fim de semana.
— Como feirantes, temos esse carinho para com nossos clientes. Quando eles não vão, queremos saber o motivo, a gente procura contato para saber porque estão ausentes da feira. É comum, todos os sábados, a gente ver as mesmas pessoas — explica Lúcia Rodrigues, feirante há oito meses.
Economia
Um dos diferenciais das feiras, pontuado pelos profissionais, é a possibilidade de vender diretamente para o consumidor final a preços mais acessíveis, além de oferecer produtos diferenciados como orgânicos e frutos da agricultura familiar.
— É uma grande possibilidade dos feirantes, em especial os produtores rurais, de venderem seus produtos diretamente para os consumidores, que também tem o benefício de obter produtos orgânicos, frescos, diferenciados e com preço justo — explica Beto Gilber Martins da Silva, produtor rural.
Assim como os demais comércios, as feiras também sentiram o impacto da pandemia na economia e celebram a possibilidade de vender novamente.
— Ficamos dois anos sem poder comercializar, tivemos que diminuir as plantações. Agora com esse projeto, a feira fica sendo considerada essencial — contam Nerilaine de Paula Oliveira Souza e Edilson Carlos de Souza, casal de feirantes, que tira 80% da renda através da feira.
Patrimônio Imaterial
No fim do mês passado, a Prefeitura de Divinópolis publicou a lei que declara as feiras livres do município como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial. Além disso, foi instituída a Semana do Feirante.
— A questão da feira se tornar um patrimônio da cidade é uma forma de fazer com que as pessoas que trabalham nelas não se sintam menosprezadas pelos comércios grandes. Somos muito gratos a tudo que acontece nas feiras — ressalta a feirante Lúcia Rodrigues.
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