Fim de semana trágico no trânsito deixa sete mortos no Centro-Oeste

Elian Ozéias
Um grave acidente registrado na noite da última sexta-feira, 19, que resultou na morte de cinco pessoas da mesma família na rodovia MG-164, em Martinho Campos, mostrou o que estaria por vir nos dias seguintes do fim de semana. Uma tragédia que abalou toda a região e cidade para onde seguiam, na Bahia, onde passariam o fim do ano com parentes. Foi lá também, que os corpos foram velados e enterrados. O pai, a mãe, dois filhos e uma sobrinha saíram de Nova Serrana, onde residiam.
O acidente
Segundo informações da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), o veículo em que estavam, bateu em um barranco e caiu em um córrego às margens da pista. O carro seguia no sentido Martinho Campos–Pompéu quando, no quilômetro 79, o motorista perdeu o controle da direção. O veículo cruzou a pista, atingiu um barranco e, na sequência, despencou no córrego, ficando com as rodas para cima e parte da estrutura submersa.
Quem eram
As vítimas foram identificadas como Lucas Celestino Reis, de 35 anos, Jéssica Silva da Hora, 40, as filhas do casal, Ana Laura da Hora, 6 anos, e Ísis da Hora Reis, 3, além da sobrinha de Jéssica, Rayane Rebouças da Hora, de 19 anos.
A família era natural de Ibicuí, na Bahia. De acordo com a PMRv, eles viajavam para passar o Natal com parentes no interior baiano. A viagem era feita em dois veículos, mas apenas o carro conduzido por Lucas se envolveu no acidente. No outro automóvel estava o pai de Jéssica, que acionou a polícia, após perder contato com os familiares durante o trajeto.
A Perícia da Polícia Civil também esteve no local. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) e, após a liberação, seriam levados para sepultamento na Bahia, conforme informou a funerária responsável.
Em Divinópolis
O fim de semana trágico se estendeu a Divinópolis, onde dois motociclistas morreram em acidentes registrados na MG-050, uma das rodovias mais perigosas da região.
Na noite deste sábado, 20, um motociclista de 47 anos morreu após colidir contra uma placa de marcador de obstáculo no km 119, no sentido Divinópolis–Itaúna. Ele pilotava uma Yamaha XTZ 250 Lander quando perdeu o controle, bateu na estrutura e caiu sobre a pista. A morte foi constatada pela equipe do Samu ainda no local.
Já no fim da tarde de domingo, 21, outro motociclista, de 45 anos, morreu após colidir na traseira de uma carreta parada no km 114, no mesmo trecho, porém bem mais próximo de Divinópolis. A vítima pilotava uma Honda CG 150 Titan e não resistiu aos ferimentos.
Advogado entre as vítimas
O motociclista morto no acidente de domingo foi identificado como Fernando César Amaral, advogado em Divinópolis. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lamentou a morte em nota oficial, destacando a trajetória profissional do colega.
O velório foi realizado no Cemitério Parque da Serra, com sepultamento no Parque da Colina, no bairro Jusa Fonseca. Segundo a PMRv, Fernando perdeu o controle da motocicleta ao colidir com a traseira de uma carreta que trafegava no mesmo sentido. Nenhum ocupante do caminhão se feriu.
Números que acendem o alerta
Os acidentes do fim de semana reforçam um cenário preocupante. Levantamento aponta que as vias com maior número de ocorrências em Divinópolis são:
Rodovias
- MG-050 – 272 acidentes
Dentro da cidade
- Rua Goiás – 223 registros
- Avenida Paraná – 171 casos
As principais causas seguem relacionadas à falta de atenção, responsável por 2.030 acidentes. Também aparecem a má visibilidade (214), falta de distância segura (122), desobediência à ordem de parada (87) e embriaguez ao volante (72). Até outubro, 15 pessoas perderam a vida no trânsito da cidade.
Principais vítimas
Entre mais de 4 mil ocorrências registradas, 1.215 envolveram motociclistas, o que representa 28,3% do total. Apenas neste ano, 12 morreram em acidentes, muitos relacionados a velocidade excessiva, tráfego intenso, falhas de sinalização e colisões traseiras.
A rotina no trânsito
Os dados mostram que setembro foi o mês mais crítico, com 469 acidentes, seguido por maio (468) e junho (448). Nenhum mês ficou abaixo de 360 registros, evidenciando que a violência no trânsito se tornou parte da rotina urbana e rodoviária.
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