Fogos de artifício: festas de fim de ano podem garantir até 60% do faturamento
Santo Antônio do Monte concentra o maior polo da América Latina, que investe em tecnologia para ampliar a produtividade

A indústria pirotécnica de Santo Antônio do Monte se prepara para um dos períodos mais importantes do ano, marcado pelas festas de Natal e Ano-Novo. O município abriga o maior polo de fogos de artifício da América Latina e o segundo maior do mundo, atrás apenas da China.
Expectativa
Segundo o Sindicato das Indústrias de Explosivos no Estado de Minas Gerais (Sindiemg), as comemorações de fim de ano, especialmente o Natal e o Ano-Novo, respondem historicamente por cerca de 50% a 60% do faturamento anual das empresas do segmento. A expectativa para 2026 é manter o desempenho positivo observado em novembro e dezembro do ano passado, apesar das incertezas econômicas e políticas e dos desafios regulatórios enfrentados pelo setor.
O presidente do Sindiemg, Tiago Santos de Oliveira, avalia que a procura registrada no último período de festas permite projetar a manutenção desse patamar de vendas.
— Historicamente, as festas de fim de ano respondem por, em média, 50% a 60% do faturamento anual das empresas. Apesar de todos os desafios de natureza regulatória que o setor vem enfrentando, percebemos um aumento na procura no ano passado e esperamos a manutenção desse patamar agora em 2026, porque as pessoas não abrem mão dos fogos de artifício nas comemorações de fim de ano — afirma.
Mão de obra
Embora o aumento das vendas no fim do ano leve diferentes segmentos do comércio e da indústria a reforçar as equipes com contratações temporárias, a realidade é diferente na fabricação de fogos de artifício. O manuseio de produtos controlados exige conhecimento técnico, experiência e treinamento específico, o que limita a contratação de trabalhadores para períodos sazonais.
Diante dessa particularidade, as empresas recorrem principalmente à realização de horas extras e a investimentos em tecnologia e equipamentos para ampliar a capacidade produtiva e atender à demanda.
— Para o nosso segmento, não é tão fácil contratar para períodos sazonais, devido à necessidade de treinamento. Além disso, o parque fabril tem buscado investir em maquinário da China para aumentar a produtividade — explica Tiago.
Modernização
A modernização das fábricas surge, assim, como uma das alternativas para melhorar o desempenho industrial em períodos de maior movimento. Além de ampliar a produtividade, os investimentos em equipamentos buscam fortalecer a competitividade das empresas em um mercado que depende de planejamento e de capacidade para atender às encomendas concentradas no fim do ano.
Economia regional
A indústria pirotécnica tem papel relevante na economia de Santo Antônio do Monte e das demais cidades que integram o polo produtivo regional. A atividade movimenta empresas, fornecedores e canais de distribuição, com reflexos que ultrapassam os limites do município e alcançam os mercados mineiro e nacional.
Para o presidente do sindicato, a manutenção dos negócios depende da continuidade dos investimentos e da busca por soluções para os desafios enfrentados pelo segmento.
— A expectativa é de manutenção do mercado, com foco em trabalhar para melhorar. Temos um setor tradicional, que movimenta a economia de Santo Antônio do Monte e das demais cidades do polo produtivo, de Minas e do Brasil, e precisamos continuar investindo para superar os desafios — destaca.
Importância do setor
Com a aproximação das festas de fim de ano, a indústria pirotécnica se prepara para um dos períodos mais importantes de seu calendário comercial. A expectativa de manutenção das vendas reforça a importância do setor para a economia de Santo Antônio do Monte e de toda a região, com reflexos na geração de renda, nos negócios e na cadeia de produção e distribuição. Para o economista Leandro Maia, a sazonalidade demonstra como atividades tradicionais podem contribuir para o desenvolvimento regional.
— O aquecimento da demanda neste período movimenta diferentes elos da economia, fortalece as empresas e gera reflexos que vão além dos municípios produtores. É uma oportunidade para consolidar negócios, estimular investimentos e ampliar a circulação de renda na região — avalia.
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