Futebol Feminino do Cruzeiro completa sete anos com conquistas dentro e fora de campo

José Carlos de Oliveira
O Cruzeiro completou na última sexta-feira, 27, sete anos de existência da equipe de futebol feminino, tendo conseguido conquistas dentro e fora de campo. O clube celebrou a data, e algumas jogadoras definiram o momento em uma palavra. Como, por exemplo, Vanessinha, atleta com mais jogos na história, destacando o ‘orgulho’.
Além de Vanessinha, Pri Back, Gaby Soares, Paloma Maciel, Lorena Bedoya e Ketlin destacaram o ‘orgulho’. Enquanto Rafa Levis, Leilane, Capelinha e Tainara disseram ser uma ‘honra’, Letícia Ferreira, artilheira na temporada de 2025, destacou a palavra ‘identidade’. Ademais, outras jogadoras definiram com outras palavras:
Realização: Letícia Alves e Ravenna
Gratidão: Milena, Sandoval, Gisseli e Millene
Resiliência: Vitória Calhau
Inexplicável: Marília, Byanca Brasil
Sonho: Mari Andrade, Ana Flávia
Primeiros anos
Fundado em fevereiro de 2019, o projeto do futebol feminino surgiu devido a uma obrigatoriedade imposta pela Conmebol, na qual os times que disputassem competições continentais tinham que ter, obrigatoriamente, equipes femininas em condições de disputar competições da modalidade.
Assim, sob a presidência de Wagner Pires de Sá e capitaneado por Bárbara Fonseca, o departamento de futebol feminino foi criado no Cruzeiro. No time, tinham atletas que hoje estão no clube, como Vanessinha e Capelinha, e o local de treinamentos era na PUC Minas, no bairro Coração Eucarístico, em Belo Horizonte, enquanto os jogos eram mandados no estádio das Alterosas, no SESC Venda Nova, e seguiu por lá em outras temporadas.
Assim, logo no primeiro ano, o time feminino já teve sua primeira conquista, levantando o título do Campeonato Mineiro Feminino, após vencer o América na final. Além disso, o Cruzeiro fez grande campanha no Brasileirão Feminino A2, sendo vice-campeão, garantindo a vaga na Série A1, a elite do futebol feminino brasileiro. O técnico da equipe era Hoffman Túlio.
Anos difíceis
No entanto, as temporadas seguintes, de 2020 e 2021, foram difíceis, sobretudo devido ao impacto do rebaixamento do time masculino à Série B do Campeonato Brasileiro. Neste cenário, o Cruzeiro lutou contra o rebaixamento na Série A1 do Brasileirão Feminino e foi vice-campeão mineiro feminino, consecutivamente.
Ademais, vale destacar que os problemas financeiros atingiram o time feminino, com atraso de salários e distância da diretoria das atletas, o que gerou protestos das jogadoras. Mas, mesmo em um cenário de incertezas dentro e fora de campo, Bárbara Fonseca seguiu gerindo o projeto e fazendo todo o esforço possível para evitar o pior. Visto que, como o time masculino não disputou competições continentais, não existia também a obrigatoriedade de manter o feminino.
Em termos de posição, o Cruzeiro ficou em 10° lugar no Brasileirão Feminino A1 de 2020, e 11° em 2021. Os técnicos foram Jorge Victor (2020), Marcelo Frigério (2020 a 2021) e Rodrigo Campos (2021 a 2022).
2022: ano da SAF
O ano de 2022 foi quando o departamento de futebol, incluindo o time feminino e a categoria de base masculina, se transformou em SAF, gerida por Ronaldo. Dessa forma, aconteceram mudanças em ambos. Como, por exemplo, Kin Saito chegando para ser diretora, trabalhando em conjunto com Bárbara Fonseca. Além disso, as obrigações, como salários, foram colocadas em dia, e o time feminino passou a treinar na Toca da Raposa 2.
No entanto, dentro de campo, as coisas não aconteceram como esperado, com o clube novamente tendo dificuldades no Brasileirão Feminino, terminando no 12° lugar. Enquanto, no Campeonato Mineiro Feminino, novamente foi vice-campeão, perdendo a final para o Atlético. Por fim, na Supercopa, foi eliminado logo no primeiro jogo. Felipe Freitas foi o treinador.
Renascimento e conquistas
Mas, o investimento na estrutura deu certo nas temporadas seguintes, também devido ao aumento do valor investido na modalidade. Nas temporadas seguintes, o Cruzeiro conquistou três títulos mineiros de forma consecutiva, chegando a 4 troféus. Enquanto, no Brasileirão Feminino, terminou entre os 8 melhores, avançando ao mata-mata duas vezes (2023 e 2024).
Neste cenário, dentro de campo, a jogadora que simbolizou o renascimento foi Byanca Brasil, maior artilheira da história do Brasileirão Feminino. Por fim, o ano de 2025 foi especial, pois o Cruzeiro conseguiu, pela primeira vez na história, chegar à Copa Libertadores Feminina. Feito conseguido após liderar a primeira fase do Brasileirão Feminino e ser vice-campeão no mata-mata.
Vale destacar que, em 2024, Pedro Lourenço comprou a SAF do Cruzeiro, e nomes que faziam parte da gestão Ronaldo foram saindo progressivamente. Como o CEO Gabriel Lima e a diretora do futebol feminino, Kin Saito. Contudo, Bárbara Fonseca seguiu, mas também deixou o clube recentemente, ao fim da temporada 2025. Enquanto Jonas Urias, que havia treinado a Seleção Brasileira Feminina Sub-20, foi contratado e segue no clube.
Outro ponto a se destacar é que, mesmo voltando a treinar na Toca 1 em 2025, a grande marca que possibilitou as conquistas dentro de campo foi a montagem de elencos fortes e mais qualificados nas temporadas de 2023, 2024 e 2025. Assim, juntando investimento e estrutura, a torcida abraçou o projeto, indo ao estádio e estabelecendo recordes nos jogos da fase eliminatória do Brasileirão Feminino de 2025.
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