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Futuro do Serviço de Referência em Saúde Mental de Divinópolis divide interpretações 

Futuro do Serviço de Referência em Saúde Mental de Divinópolis divide interpretações 

Lucas Maciel

Em um cenário nacional marcado pelo aumento dos casos de depressão, ansiedade e outras condições relacionadas à saúde mental, os serviços públicos voltados ao cuidado psicológico ganham ainda mais relevância. Em Divinópolis, o Serviço de Referência em Saúde Mental (Sersam) desempenha um papel essencial no atendimento gratuito e humanizado à população, sendo porta de entrada para centenas de pacientes em situação de vulnerabilidade.

No entanto, o futuro do Serviço passou a ser alvo de debate nos últimos dias. A vereadora Kell Silva (PV) se posicionou de forma veemente contra a possibilidade de privatização do serviço, apontando riscos à qualidade do atendimento e ao princípio da universalidade previsto no SUS. Para ela, transformar o cuidado em saúde mental em negócio representa um retrocesso e ameaça a dignidade dos pacientes.

A Prefeitura de Divinópolis, por sua vez, nega que haja qualquer definição sobre a terceirização do Sersam. Em nota enviada ao Agora, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que estão em andamento apenas estudos técnicos voltados à qualificação dos serviços, com foco na ampliação do acesso, melhoria da qualidade e otimização dos recursos disponíveis.

Privatização? 

A vereadora Kell Silva (PV) se manifestou na última terça-feira, 20, durante discurso na Tribuna da Câmara Municipal nesta semana, contra a privatização do Serviço. Para a parlamentar, transformar o cuidado em saúde mental em um negócio representa um retrocesso nas políticas públicas e uma ameaça direta à dignidade dos pacientes.

— Saúde, educação e segurança não são pra dar lucro. Pagamos impostos e isso precisa voltar pra gente. A lógica do cuidado não pode ser a mesma do mercado — afirmou a vereadora.

Kell destacou que o Sersam é essencial para atender pessoas em sofrimento psíquico e que uma privatização comprometeria aspectos como a transparência, a fiscalização e a eficácia dos serviços públicos.

Alerta

A parlamentar também fez um alerta histórico, relembrando os abusos cometidos no Hospital Colônia de Barbacena, conhecido como símbolo do abandono e da violência institucional contra pessoas com transtornos mentais e outros grupos marginalizados. 

— Privatizar o Sersam é repetir a lógica do abandono. Não podemos permitir que a saúde mental volte a ser tratada como um assunto superficial. Está na Constituição: temos direito à vida, ao cuidado, ao bem-estar — e isso inclui a saúde mental também — destacou. 

Por fim, a vereadora e convocou a sociedade civil, profissionais da saúde e usuários do serviço a se mobilizarem contra qualquer forma de terceirização. 

— Não há cuidado possível onde o que vale é o lucro. O que está em jogo é a vida das pessoas, e não uma planilha de gastos —  finalizou.

Executivo nega

A Prefeitura de Divinópolis, em resposta às preocupações levantadas sobre o futuro do Sersam, informou ao Agora que não há qualquer decisão tomada sobre a terceirização do serviço. 

— A Secretaria Municipal de Saúde informa que não há qualquer definição ou confirmação sobre a terceirização do Serviço de Saúde Mental do município — esclareceu, em nota. 

Segundo o Executivo, o que está em andamento são estudos técnicos com o objetivo de aprimorar o atendimento prestado à população.

— Estão sendo realizados estudos técnicos voltados à qualificação e ao aprimoramento dos serviços de saúde, com foco na ampliação do acesso, melhoria da qualidade do atendimento e otimização dos recursos disponíveis — completou. 

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