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Minas Gerais confirma caso de gripe aviária e Estado decreta situação de emergência sanitária

Minas Gerais confirma caso de gripe aviária e Estado decreta situação de emergência sanitária

Lucas Maciel

Com o aumento recente dos casos de doenças respiratórias e a superlotação dos hospitais em várias cidades, como Divinópolis, Minas Gerais vive um momento delicado na área da saúde. Agora, no entanto, um novo alerta se soma ao cenário: a confirmação de um caso de gripe aviária.

O vírus foi identificado em um cisne negro que vivia em um sítio na cidade de Mateus Leme, na Grande BH. Segundo o governo estadual, o caso não afeta a produção comercial de aves e não representa risco para o consumo de carne ou ovos. Ainda assim, o Estado decretou situação de emergência sanitária para reforçar o controle e a prevenção da doença.

Com a medida, o governo pode agir com mais rapidez e mobilizar recursos humanos e financeiros para conter possíveis novos focos. A gripe aviária é uma doença que afeta principalmente as aves, mas pode trazer impactos econômicos e exige atenção redobrada em criatórios.

Desde que os primeiros casos surgiram no país, Minas já vinha realizando ações de prevenção. Mas, com a confirmação do caso em Mateus Leme, essas medidas estão sendo ampliadas, com mais fiscalização em propriedades, campanhas de orientação e parceria com o Ministério da Agricultura.

Caso confirmado 

O caso de gripe aviária foi confirmado nesta terça-feira, 27, em um sítio no município de Mateus Leme, a 65 quilômetros de Divinópolis. O vírus identificado é do tipo Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), considerado mais agressivo e com maior potencial de disseminação entre as aves.

Segundo o governo estadual, a ave contaminada é um cisne negro, mantido como animal ornamental, ou seja, fora do sistema de produção comercial. Por isso, não há impacto direto na cadeia produtiva e nem risco à saúde humana. O vírus não é transmitido por meio do consumo de carne de frango ou ovos.

O registro em Mateus Leme ocorre em um momento de alerta nacional, após o primeiro caso da doença em uma granja comercial ser identificado no início de maio,  em Montenegro, no Rio Grande do Sul. Desde então, autoridades sanitárias de diferentes estados intensificaram ações de controle e monitoramento.

— Este não é o primeiro caso registrado em Minas Gerais. Em 2023, um pato de vida livre da espécie Cairina moschata foi diagnosticado com Influenza Viária de Baixa Patogenicidade (H9N2), que costuma causar pouco ou nenhum sintoma clínico nas aves e não oferece qualquer risco para os seres humanos — informou o Estado, em nota. 

Estado de emergência

A estratégia imediata do governo de Minas para conter a disseminação da gripe aviária foi decretar, logo após a confirmação do caso no estado, o estado de emergência sanitária animal, válido por 90 dias.

A medida autoriza a mobilização de recursos humanos, financeiros e tecnológicos, além da adoção de ações imediatas de prevenção, monitoramento e controle da doença no estado.

Ações

Entre as ações previstas estão a intensificação da vigilância em propriedades avícolas, o rastreamento e o monitoramento de criatórios de aves ornamentais e comerciais, campanhas de orientação sobre biossegurança e a fiscalização rigorosa para evitar a circulação do vírus. O governo também mantém comunicação constante com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para alinhar as estratégias de combate à doença.

Como parte do plano de contingência, Minas já havia descartado cerca de 450 toneladas de ovos férteis enviados de uma granja da cidade de Montenegro. Esses ovos, destinados à produção de aves, foram inutilizados para evitar riscos de contaminação e disseminação do vírus no estado.

Números

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), até o fechamento desta matéria — por volta das 14h de ontem — já havia realizado mais de 4 mil investigações relacionadas à gripe aviária em todo o Brasil, com cerca de 11 casos ainda em análise. 

Desses, 169 testes deram positivo para o vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, que é o tipo mais preocupante para a saúde das aves. Além disso, foi identificado um caso positivo para a Doença de Newcastle, outra enfermidade que afeta aves.

Em Minas Gerais, que é o segundo maior produtor de ovos do país e ocupa a quinta posição na criação de galináceos, as ações de monitoramento também são intensas. Até o momento, foram feitas 852 investigações no estado, com 75 coletas de amostras e nenhum caso suspeito em andamento. 

O único resultado positivo registrado foi o caso confirmado em Mateus Leme. 

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