Greve de agentes compromete visita aos internos

Maria Tereza Oliveira
O Centro Socioeducativo de Divinópolis está trabalhando com apenas 30% de seu efetivo desde segunda-feira, 20. Isso porque cerca de 70% dos agentes socioeducativos divinopolitanos aderiram à greve estadual. A paralisação teve origem devido a insatisfações do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Socioeducativo do Estado de Minas Gerais (Sindsisemg) com supostos descumprimentos, por parte do Governo de Minas, de acordos. De acordo com o Sindicato, a greve irá durar por período indeterminado.
Divinópolis é uma das 13 unidades que aderiram à greve, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Além da Cidade do Divino, Santa Luzia, Uberlândia, São Jerônimo (Belo Horizonte), Horto (Belo Horizonte), Lindéia (Belo Horizonte), CIA-BH, Centro de Internação Provisória São Benedito (em Belo Horizonte) Montes Claros, Sete Lagoas, Teófilo Otoni, Juiz de Fora e Governador Valadares entraram em estado de greve. Dentre as principais reivindicações dos servidores, destaca-se o pedido para que seja realizado o concurso público, pagamento de salários já atrasados, carteira funcional e garantia de porte de armas fora do horário de trabalho para todos os agentes.
Durante o período de greve, os agentes estão trabalhando em esquema de revezamento para cumprir os 30% de efetivo determinado na legislação. Em todo o estado há 37 centros socioeducativos.
Visitas ameaçadas
Com o efetivo reduzido, algumas atividades do Centro foram comprometidas. As visitas, que normalmente acontecem aos fins de semana, ou seja, aos sábados e domingos, são um exemplo.
De acordo com o representante do Sindsisemg, Rogério Tadeu, as visitas que estavam previstas para este fim de semana, dependem de como estará a greve. Se o movimento continuar, as visitas não serão possíveis, pois não há como garantir a segurança, pela falta de efetivo.
Apenas escoltas em caráter de urgência e emergência, ou para o Fórum, estão sendo realizadas.
Os atendimentos judiciários, médicos e de alimentação dos internos não foram comprometidos pela paralisação.
Solicitações
Em sua página no Facebook, o Sindsisemg salientou as reivindicações dos servidores em relação ao Governo Zema (Novo).
A categoria pede reajustes salariais atrasados. Conforme a categoria relembra, estão em débito, há mais de três anos, pagamentos das progressões e promoções, que são reajustes garantidos por lei conforme o tempo de serviço.
Além disso, o sindicato ainda pede pela emissão da carteira funcional, pois, segundo a categoria, a maioria dos servidores não tem o documento. Por isso, ainda de acordo com os servidores, em casos que o agente tem de sair sem uniforme para conduzir o interno a algum atendimento, se for parado pela Polícia Militar (PM), os dois são levados para a delegacia para ter a identidade confirmada.
Outra reivindicação é em relação aos horários de trabalho. A categoria pede a mudança na escala de trabalho com o acréscimo da alternativa 24h por 72h. Atualmente, a jornada de trabalho dos funcionários é de 12h por 36h.
A categoria também solicita a realização de concursos públicos, pois, alega que há uma defasagem de funcionários desde que alguns contratados foram demitidos há dois anos.
Por fim, a mais polêmica das reivindicações: porte de arma fora do serviço. O sindicato pede para que o direito seja legalizado.
Pode ou não pode?
A questão do porte de armas dos servidores tem causado contradições, pois, ao mesmo tempo em que o sindicato alega a não permissão, embora o projeto de lei tenha sido aprovado em dezembro de 2017, a gestão anterior havia vetado.
Entretanto, foi publicada no Diário do Legislativo do dia 26 de julho do ano passado, a Lei 23.049, que dispõe sobre o porte de armas por agentes socioeducativos.
Conforme a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) informou na época, a proposta chegou a ser vetada pelo então governador Fernando Pimentel (PT), mas o veto foi derrubado no dia 17 de julho de 2018, pelo Plenário da ALMG.
Ainda de acordo com a explicação da ALMG, em casos como este, o governador tem um prazo para sancionar a norma e, se ele se omitir, o presidente da ALMG a promulga.
Ao Agora, a Sesp também falou sobre a questão e explicou que a norma “foi regulamentada na última semana, à luz da legislação em vigor, com a publicação da resolução 24/2019”.
O Sindsisemg chegou a soltar uma nota de repúdio em relação à resolução, publicada no Diário Oficial no último dia 17.
Para o sindicato, a resolução é omissa em relação à lei estadual 23.049/18, que trata sobre o porte de arma de fogo para os agentes de segurança socioeducativo.
— A normativa, ao invés de tratar sobre a regulamentação da lei estadual, cuidou, em seus dispositivos, exclusivamente sobre o decreto federal 9785/19, criando dificuldades dos servidores em obter a autorização do porte de arma de fogo junto à Polícia Federal (PF), ao passo que os procedimentos para aquisição do direito se remetem tão somente ao decreto federal — citou.
Outro lado
Além do porte de armas, a Sesp comentou outros pontos da paralisação através de uma nota. Conforme informou, a secretaria está acompanhando o movimento grevista dos agentes.
— Até o momento, há adesão significativa em apenas 13 das 37 unidades socioeducativas do Estado — revelou.
Sobre o pagamento do 13º salário e do auxílio fardamento, a secretaria ressaltou que o pagamento será conforme o calendário divulgado anteriormente pelo Governo do Estado. De acordo com o calendário, o 13º seria quitado ontem e, em junho, seria a vez do pagamento do auxílio fardamento.
Sobre a questão dos horários, a Sesp também se justificou e revelou que está trabalhando na Lei Orgânica da categoria e na avaliação da proposta de nova escala – por meio de um grupo de trabalho.
Já em relação aos concursos públicos e ampliação do quadro de efetivos, a secretaria salientou que as novas contratações dependem, neste momento, da melhora da situação fiscal do Estado.
Leia também
Avenida Paraná em Divinópolis recebe manutenção
Profissionais da saúde aprovados em concurso são efetivados em Divinópolis
Semana do MEI terá atividades e orientações gratuitas em Divinópolis
Microempreendedores individuais têm até o fim do mês para entregar Declaração de Faturamento anual à Receita
Fim de semana com baixas temperaturas em Divinópolis
Definidas alterações no trânsito para a Divinaexpo
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em maio de 2019
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…


