Gripe aviária reaparece no Brasil e acende preocupação na saúde pública

Lucas Maciel
Após o aumento nos casos de doenças respiratórias e gripe em todo o país — cenário que levou cidades como Divinópolis a decretarem estado de emergência em saúde pública, diante de hospitais lotados e falta de vagas — uma nova preocupação volta a acender o sinal de alerta das autoridades: a gripe aviária.
Um foco do vírus foi recentemente confirmado em uma granja comercial no Brasil, marcando a primeira ocorrência desse tipo em um sistema de avicultura de grande porte no país. A confirmação gerou impacto imediato no setor produtivo, com a suspensão de exportações e abertura de investigações em outras regiões. Além do caso já confirmado, outras suspeitas estão sendo apuradas em granjas e propriedades, o que pode ampliar o número de ocorrências da doença no território nacional.
Como medida preventiva, o Governo de Minas realizou uma reunião emergencial e determinou o descarte de mais de 400 toneladas de ovos férteis provenientes da granja onde o foco foi detectado. A ação, segundo o Estado, faz parte do plano de contingência para garantir o controle sanitário e proteger a cadeia produtiva avícola mineira — a segunda maior do país.
Entenda
A gripe aviária, também chamada de influenza aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves, especialmente as de criação. Os casos mais graves, como os de alta patogenicidade (IAAP), provocam alta mortalidade entre as aves e geram grandes prejuízos econômicos para o setor avícola.
Embora o vírus possa, em casos raros, infectar seres humanos por meio do contato direto com aves doentes, a transmissão não ocorre pelo consumo de carne ou ovos. Mesmo assim, surtos em granjas comerciais exigem resposta rápida das autoridades sanitárias para evitar a disseminação do vírus e garantir a segurança da produção e do comércio de produtos avícolas, tanto no mercado interno quanto nas exportações.
Primeiro caso
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, na última quinta-feira, 15, a detecção de um caso em uma granja de matrizes de aves comerciais no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Este é o primeiro foco registrado em um sistema de avicultura comercial no Brasil, o que representa um marco preocupante para o setor produtivo.
Por questões contratuais, a confirmação levou à suspensão temporária das exportações de aves para a China. Diante do caso, o Mapa adotou as medidas previstas no Plano Nacional de Contingência, com ações de contenção e erradicação do foco.
Minas Gerais
Diante do alerta gerado pela confirmação do caso, o Governo de Minas adotou medidas preventivas para evitar a propagação da doença no estado.
Com o objetivo de proteger a cadeia produtiva avícola mineira — a segunda maior do país — e garantir o controle sanitário, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), determinou, durante reunião emergencial realizada no último sábado, 17, o descarte de cerca de 450 toneladas de ovos férteis provenientes da granja onde o foco foi detectado.
O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) também intensificou as ações de rastreamento e vigilância em propriedades avícolas, além de manter uma comunicação constante com as autoridades sanitárias nacionais e internacionais para monitorar a evolução do caso e possíveis novos focos.
— Em 2024, mais de 8 mil ações de educação sanitária foram realizadas em estabelecimentos com aves em Minas Gerais — disse o Governo de Minas
Investigações
O governo brasileiro segue monitorando a situação da gripe aviária em diversas regiões do país. Até esta segunda-feira, 19, o Mapa investiga dois novos casos suspeitos em granjas comerciais, em Aguiarnópolis (TO) e Ipumirim (SC). Caso se confirmem, elevariam para três o total de focos em granjas comerciais no Brasil.
O Ministério de Agricultura e Pecuária também acompanha outras investigações em andamento em propriedades de subsistência, em locais como Triunfo (RS), Nova Brasilândia (MT), Gracho Cardoso (SE) e Salitre (CE). Embora esses casos não representem impacto comercial, eles reforçam a necessidade de vigilância contínua no país.
Desde o início do surto, o Brasil já registrou casos confirmados de IAAP em aves silvestres e granjas, além de focos em aves domésticas. A situação segue sendo monitorada de perto pelas autoridades, que buscam garantir a contenção do vírus e proteger a saúde pública e o setor produtivo.
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