Homem que matou cadela em Divinópolis pode pegar mais de cinco anos de prisão

Lucas Maciel
A morte brutal da cadela Mel, que foi espancada e queimada viva em Divinópolis, gerou uma onda de revolta e comoção não apenas na cidade, mas em toda a região. O crime, registrado em vídeo por câmeras de segurança, chocou a população e gerou manifestações de repúdio nas redes sociais e nas ruas.
A cadela, conhecida por moradores do bairro Vila Romana, recebia carinho e alimentação dos vizinhos, tornando sua morte ainda mais angustiante para a comunidade. Em resposta ao ocorrido, centenas de pessoas se uniram em protestos pacíficos, exigindo justiça para o animal e mais rigor na aplicação das leis contra maus-tratos a animais.
O caso ganhou visibilidade, e, no final da tarde da última quarta-feira, 29, o acusado, Marcelo Pereira de Araújo, de 41 anos, se entregou à delegacia, acompanhado de seu advogado.
Prisão
O Agora informou, em primeira mão, a respeito deste fato. As oitivas de Marcelo e das testemunhas duraram cerca de três horas e, já no início da noite de quarta-feira, a Polícia Civil realizou a prisão preventiva.
— A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que prendeu preventivamente, nesta quarta-feira, um homem, de 41 anos, investigado por agredir até a morte e atear fogo em uma cadela no município de Divinópolis, Centro-Oeste do estado. A medida judicial foi cumprida na delegacia, onde o suspeito se apresentou acompanhado de advogado — informou, em nota.
Depois de cumprir os procedimentos legais, o suspeito foi levado para o presídio Floramar, em Divinópolis.
Sentença
As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do caso. No entanto, a Polícia Civil informou em quais crimes o acusado poderá responder.
— Ao término da apuração, o homem poderá ser indiciado por maus-tratos a animais, crime que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, com aumento de pena em razão da morte do animal — esclareceu.
O que diz a lei?
A Lei nº 14.064/2020, conhecida como "Lei Sansão", trouxe um importante avanço no combate aos maus-tratos a animais, especialmente no que diz respeito aos cães e gatos. A legislação alterou a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), aumentando significativamente a pena para quem maltratar esses animais.
Antes da mudança, a punição era de três meses a um ano de detenção, mas com a nova lei, a pena pode variar de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. Além disso, o juiz pode determinar a perda da guarda do animal, caso o agressor seja responsável pelo seu cuidado.
Essa mudança tem grande impacto em casos como o da cadela Mel. Com a morte do animal, a pena para o responsável pode ser ainda mais severa, já que a legislação prevê um aumento de punição em casos de morte do animal vítima de maus-tratos, conforme informou a Polícia Civil.
A "Lei Sansão" busca garantir que agressores de animais sejam punidos com mais rigor, refletindo a crescente conscientização sobre a proteção e o bem-estar dos animais no Brasil.
Ficha
O autor tem um longo histórico de crimes. Em 2003, foi condenado por furto e cumpriu 2 anos de pena, que foi extinta em 2008 devido à prescrição. Em 2005, foi condenado por lesão corporal, cumprindo 1 ano e 2 meses de pena até 2013. Além disso, ele enfrentou várias infrações de trânsito, como dirigir embriagado e desobediência, sendo multado em 2009.
Em 2023, Marcelo foi denunciado por ameaçar e causar danos a um empresário, além de destruir seu estabelecimento. Ele também esteve envolvido com tráfico de drogas, mas foi absolvido, e outros processos contra ele foram arquivados. No ano passado, ele foi preso em flagrante por dirigir embriagado novamente.
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