Homem que matou cadela em Divinópolis se entrega

Lucas Maciel
O caso da cadela brutalmente agredida e morta de forma cruel em Divinópolis segue gerando grande revolta e mobilização popular. A violência do crime, registrada em vídeo e amplamente compartilhada nas redes sociais, provocou indignação entre os moradores, que cobram punição exemplar para o responsável.
O sentimento de revolta tomou conta da cidade, especialmente entre aqueles que conheciam a cadela e a viam diariamente pelas ruas do bairro Vila Romana. Moradores relatam que o animal era dócil e frequentemente recebia alimento e carinho da comunidade.
A crueldade do caso gerou uma onda de protestos. Em sinal de luto e indignação, dezenas de pessoas se reuniram em uma manifestação pacífica, percorrendo as ruas, que terminou na praça, exigindo justiça. Com cartazes e palavras de ordem, o grupo pediu uma resposta rápida das autoridades e punição ao responsável pelo crime.
O Agora confirmou, em primeira mão, que o acusado se apresentou à polícia na tarde de ontem, 29, ao lado de seu advogado.
Relembre
A cadela Mel foi espancada e queimada viva por um homem no bairro Vila Romana, em Divinópolis, na noite do último sábado, 25. Imagens do ataque rapidamente se espalharam pelas redes sociais e o caso ganhou comoção em toda a cidade.
De acordo com a Polícia Militar (PM), a cachorra vivia nas ruas e era cuidada por moradores da região. Após as denúncias, os militares foram até a casa do agressor —ele foi identificado, mas não localizado — e conversaram com a esposa. Ela contou que o marido chegou em casa machucado, alegando que havia sido atacado por um cachorro enquanto passava de moto.
Manifestação
O ato aconteceu no final da tarde da última terça-feira, 29, na Praça do Santuário. A manifestação foi organizada por diversos ativistas da cidade, que se reuniram junto a moradores e pessoas que ficaram comovidas com o caso, para pedir justiça.
Uma das idealizadoras do encontro foi a fundadora do projeto “Atos de Amor”, Natália Mesquita. Ele explicou o objetivo de todos os presentes.
— Esta é uma manifestação pacífica em resposta ao ato ocorrido no final de semana, mas vai além disso: é uma ação em defesa da causa animal. Nossa cidade clama por justiça, especialmente nessa pasta, que vem sofrendo muito — afirmou a ativista.
Além dela, várias pessoas de toda Divinópolis se manifestaram na praça. Cartazes, gritos e apitos foram vistos e ouvidos por toda a parte. A ex-vereadora e médica, Heloísa Cerri, era uma das presentes e falou sobre o ato.
— Nós estamos aqui, principalmente, para que a dor dessa cachorrinha não seja esquecida. O que foi feito com essa cadelinha foi de uma covardia sem limite — declarou.
Presente na manifestação, a cuidadora de Mel, Paula Nunes, contou que estava em viagem durante o ocorrido. No entanto, ela contou como a cadela era no dia a dia.
— Castramos a Mel e, do lar temporário, criamos uma amizade sincera. Ela brincava, ficava lá em casa e, como todos os cães, às vezes podia correr atrás de motos, assim como os outros também faziam. Mas a Mel era doce, boa e tranquila — relatou.
Os vereadores Vitor Costa (PT), Kell Silva (PV) e Wellington Well (PP), estiveram presentes. Durante o ato, pediram a aplicação da Lei Sansão.
O que é?
A Lei Sansão (Lei Federal nº 14.064/2020) aumentou as penas para quem maltratar animais domésticos, como cães e gatos. A nova lei alterou a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e estabeleceu punições mais rigorosas. Agora, as penalidades incluem:
- Reclusão de 2 a 5 anos
- Multa
- Perda da guarda do animal
Além disso, a lei também responsabiliza estabelecimentos comerciais ou rurais que contribuam para os maus-tratos. A Lei Sansão busca garantir mais proteção aos animais e punições mais severas para quem os maltratar.
Inquérito
Após o caso chegar aos conhecimentos das autoridades, a Polícia Civil (PC) instaurou um inquérito para apurar sobre os fatos ocorridos. Em um primeiro momento, o procedimento estava na fase de instrução, onde provas e testemunhos estavam sendo coletados. Isso, até à tarde de ontem.
Apresentou à delegacia
Agora recebeu informou em primeira mão que o acusado se entregou na Delegacia de Polícia Civil. Até o fechamento desta matéria, por volta das 18h, ele ainda era ouvido, juntamente com testemunhas.
A PC confirmou a informação.
— Se apresentou espontaneamente, acompanhado de advogado — confirmou.
Passado
O suspeito do crime foi identificado pela Polícia Militar (PM) como Marcelo Pereira de Araújo, de 41 anos. Ele apresenta um extenso histórico criminal.
Em 2003, foi condenado por furto e cumpriu 2 anos de pena, extinta por prescrição em 2008. Em 2005, foi condenado por lesão corporal, cumprindo 1 ano e 2 meses de pena até 2013. Além disso, Marcelo enfrentou acusações por crimes de trânsito, como dirigir embriagado e desobediência, sendo multado em 2009.
Em 2023, foi denunciado por ameaçar e causar danos a um empresário, além de destruir seu estabelecimento. Ele também teve envolvimento com tráfico de drogas, mas foi absolvido, com outros processos arquivados. No ano passado, foi preso em flagrante por dirigir embriagado novamente.
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