Impasse nas negociações salariais pode levar a greve no transporte coletivo de Divinópolis

Lucas Maciel
O transporte coletivo de Divinópolis iniciou 2025 com um debate importante sobre o aumento ou congelamento da tarifa. O Conselho Municipal de Trânsito (Comutran) sugeriu um reajuste de R$ 1,25, elevando o valor da passagem para R$ 5,40, justificando a medida com o impacto da inflação e o aumento dos custos operacionais do setor.
A decisão final ficou com a Prefeitura, que optou por manter as tarifas inalteradas pelo quinto ano consecutivo. Com isso, o preço da passagem continua em R$ 4,15 para o pagamento em dinheiro e R$ 3,65 no cartão. O Executivo garantiu o congelamento utilizando parte dos R$ 70 milhões da repactuação do contrato com a Copasa.
No entanto, já em fevereiro, outro assunto relacionado ao transporte coletivo de Divinópolis ganhou destaque: as negociações salariais dos motoristas. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos (Sintrodiv) levantou preocupações sobre as condições de trabalho e a defasagem salarial da categoria. Se não houver avanços nas conversas, uma possível greve poderá ser desencadeada.
O Agora conversou com o sindicato, que deu mais detalhes sobre o andamento das tratativas.
Negociações
As tratativas para o transporte coletivo urbano de Divinópolis começaram em dezembro de 2024, com a apresentação da pauta de reivindicações do sindicato. Com a data-base em 1º de março, as discussões buscavam, desde o início, garantir melhorias salariais e nas condições de trabalho dos motoristas.
Um dos tópicos mencionados pelo Sintrodiv foi em relação a defasagem salarial da categoria e as dificuldades que os empresários enfrentam devido à falta de reajuste tarifário. Agora, em fevereiro, uma nova reunião foi realizada para dar sequência às negociações, com a expectativa de que as demandas da categoria fossem atendidas.
Reunião
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Divinópolis se reuniu, na última segunda-feira, 10, com representantes do Consórcio Transoeste, empresa responsável pelo transporte coletivo de Divinópolis, para dar andamento às discussões a respeito das negociações.
Estiveram presentes no encontro, pelo Sintrodiv, o presidente Erivaldo Adami, o tesoureiro Getúlio Resende e os advogados Wesley Souza Ribeiro Adami e Marcelo Cristian Santos. Pelo lado do Consórcio TransOeste, participaram Saul Pereira da Silva Junior, Milson Ferreira da Silva, Glauco Ribeiro e Gilberto de Oliveira.
Salário
Durante a reunião, um dos principais assuntos abordados foi a situação salarial dos trabalhadores, que enfrentam, segundo o sindicato, uma grande defasagem. O Sintrodiv destacou a preocupação com as condições de trabalho dos motoristas e a necessidade urgente de valorização da categoria.
O presidente do sindicato, Erivaldo Adami, mencionou que os reajustes propostos pelos empresários, baseados apenas nos índices legais, não são suficientes para atender às expectativas dos trabalhadores.
O consórcio, representado por Glauco Ribeiro, explicou que a empresa enfrenta dificuldades financeiras, especialmente após cinco anos sem reajustes nas tarifas de transporte. Eles afirmaram que o subsídio atual não é suficiente para cobrir os custos operacionais, mas reafirmaram que estão abertos a negociações. Mesmo assim, a proposta apresentada até o momento não atende completamente às reivindicações dos trabalhadores.
Greve
Além disso, o Sintrodiv cobrou um posicionamento da Prefeitura sobre o reajuste do subsídio ao consórcio de transporte, que foi discutido em reuniões anteriores. A categoria acredita que esse reajuste deveria beneficiar diretamente os trabalhadores.
O sindicato também alertou que, caso não haja avanços nas negociações, poderá convocar a categoria para mobilização, incluindo uma possível greve.
A data-base da categoria é 1° de março, e a negociação pode se estender até 15 do mesmo mês. Uma nova reunião foi agendada para a próxima segunda-feira, 17, com o objetivo de dar continuidade às discussões e tentar chegar a um acordo que atenda às necessidades de ambos os lados.
Relembre
O prefeito Gleidson Azevedo (Novo) anunciou no dia 7 de janeiro que, pelo quinto ano seguido, as tarifas de ônibus urbanos em Divinópolis não terão aumento. Para manter os preços inalterados, a Prefeitura usará uma parte da indenização de R$ 70 milhões recebida da Copasa, após um acordo judicial para revisar o contrato de fornecimento de água e esgoto.
Em nota, a Prefeitura informou o valor que será utilizado para este fim.
— R$ 5 milhões serão utilizados como subsídio para o transporte público, melhorando a mobilidade de todos — escreveu a assessoria.
Com isso, a tarifa permanece em R$ 4,15 para pagamento em dinheiro e R$ 3,65 no cartão, contrariando a proposta do Conselho Municipal de Trânsito (Comutran), que sugeriu um reajuste para R$5,40. A última vez que a tarifa foi reajustada foi em 2020, e, desde então, a Prefeitura optou por congelá-la, com o objetivo de beneficiar a população.
— Enquanto a Prefeitura tiver condições de manter o vale-transporte sem aumento, vamos continuar subsidiando — afirmou Gleidson, à época.
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