Minas Gerais já registra mais de 200 investigações de gripe aviária em 2025

Lucas Maciel
Minas Gerais voltou a registrar um caso de gripe aviária em 2025, somando agora dois focos confirmados no estado neste ano. O mais recente foi identificado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde uma galinha doméstica criada para subsistência testou positivo para a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), sem ligação com granjas comerciais.
Ao longo de 2025, o estado já contabiliza 209 investigações relacionadas à doença, com equipes do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) atuando para monitorar e controlar possíveis novos casos.
No Brasil, a situação foi mais delicada no Rio Grande do Sul, que registrou o primeiro e único caso da doença em granja comercial, em maio. O episódio provocou embargos temporários de cerca de 80 países às exportações de carne de frango brasileira.
Atualmente, o país mantém o status de livre da doença em granjas comerciais, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Novo caso
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, no último sábado, 26, o caso no município de Esmeraldas. O foco foi identificado em uma galinha doméstica criada para subsistência, ou seja, em ambiente familiar e sem fins comerciais - não há qualquer vínculo do caso com granjas comerciais ou produção em larga escala.
A doença diagnosticada é a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), que geralmente é causada pelos vírus H5N1 ou H7 e caracteriza-se por uma elevada taxa de mortalidade entre as aves.
A Prefeitura de Esmeraldas informou que segue acompanhando a situação em articulação com os órgãos competentes, adotando todas as providências necessárias para o controle e prevenção de novos casos.
Em nota, o governo de Minas Gerais esclareceu que as investigações seguem protocolos nacionais e ações rotineiras de vigilância sanitária animal.
— Essas investigações seguem protocolos nacionais e integram ações rotineiras de vigilância sanitária animal, realizadas com o objetivo de monitorar, prevenir e controlar doenças em criações avícolas, como parte do compromisso contínuo do Estado com a sanidade agropecuária — informou.
Desde a confirmação, as equipes técnicas do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) estão atuando no monitoramento da área afetada, aplicando medidas sanitárias preventivas para conter a disseminação da doença.
— Todos os detalhes dos processos laboratoriais que envolvem a investigação são de responsabilidade do Mapa, sob acompanhamento do IMA — completou o governo de Minas.
Dados
A confirmação do caso em Esmeraldas reacende a atenção sobre a circulação do vírus no estado, que já havia registrado outro foco no mês de maio, em Mateus Leme. Desde 2022, Minas Gerais já realizou 998 investigações relacionadas à doença, com 93 coletas de amostras para diagnóstico laboratorial.
Apenas neste ano, o estado já contabilizou 209 investigações, incluindo 27 coletas de amostras. Atualmente, não há investigações em andamento, o que indica avanços nas ações de monitoramento e controle.
Dos focos confirmados em Minas Gerais, um aconteceu em aves domésticas não comerciais - este da galinha de criação para subsistência em Esmeraldas. O outro havia sido em um cisne negro.
Até o momento, não há registros da doença em aves comerciais no estado.
Brasil
O Brasil voltou a ser reconhecido oficialmente como livre da gripe aviária em granjas comerciais no dia 18 de junho. Essa certificação foi concedida após o país completar 28 dias sem novos registros da doença em estabelecimentos avícolas desse tipo, contados a partir de 22 de maio, data em que foi concluída a desinfecção da granja de Montenegro, no Rio Grande do Sul.
Essa retomada do status livre é crucial para a retomada das exportações brasileiras de carne de frango, que enfrentaram restrições parciais ou totais em aproximadamente 80 países desde o surgimento do caso em solo gaúcho. As medidas de embargo foram aplicadas como forma de evitar a propagação do vírus para granjas de outros países, mesmo que o risco de contaminação seja considerado baixo.
O Ministério da Agricultura comunicou oficialmente essa atualização à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e segue em contato com os principais parceiros comerciais do Brasil para informar a situação.
A manutenção do status sanitário reforça a posição do Brasil no mercado internacional e contribui para a estabilidade da cadeia produtiva do setor avícola.
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