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‘Há uma estimativa de perda de cerca de 100 mil empregos’, dispara Cleitinho sobre o tarifaço 

Por Portal Agora
‘Há uma estimativa de perda de cerca de 100 mil empregos’, dispara Cleitinho sobre o tarifaço 

Lucas Maciel

O anúncio da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, oficializado nesta quarta-feira, 30, pelo presidente Donald Trump, provocou uma onda de reações no cenário político brasileiro. A medida também inclui sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ampliando a tensão diplomática e gerando preocupação com os impactos econômicos.

Entre os primeiros a se manifestar, o senador Cleitinho (Republicanos) criticou o tarifaço e alertou para o risco de perdas significativas para Minas Gerais, estado fortemente dependente das exportações para os Estados Unidos. Ele destacou a possibilidade de redução na arrecadação e de corte de milhares de empregos, cobrando uma resposta firme do governo federal.

As críticas do parlamentar se somaram à mobilização do governo estadual. Para tentar conter os prejuízos e preservar a competitividade do setor produtivo mineiro, o governador Romeu Zema anunciou um pacote emergencial de R$ 300 milhões em créditos para empresas exportadoras. A iniciativa foi recebida com alívio parcial por representantes da indústria, que ainda temem os reflexos do tarifaço sobre produtos não isentos. 

Enquanto Minas reagia no campo econômico, o governo federal se movimentava em Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma reunião de emergência com ministros para discutir estratégias de enfrentamento e articular uma resposta política e diplomática, classificando as medidas de Trump como um ataque à economia e à soberania do país.

Críticas

A imposição da tarifa de 50% pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, somada às sanções econômicas aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, gerou forte reação entre parlamentares mineiros. 

O senador Cleitinho (Republicanos) reafirmou, ao Agora, seu posicionamento contrário à medida e alertou para os prejuízos que o tarifaço pode causar à economia local.

— É claro que eu sou contra qualquer tarifaço, sempre posicionei contra qualquer tipo de imposto. Você vai prejudicar milhões de brasileiros e há uma estimativa de perda de cerca de 100 mil empregos por esse tarifaço. Vai diminuir a arrecadação para o Brasil, isso é péssimo — declarou.

Cleitinho também destacou que apoia as punições individuais, como a aplicada a Alexandre de Moraes.

— As sanções individuais contra ministros, como as que estão sendo aplicadas, eu apoio e já manifestei meu posicionamento - está aí para todo mundo ver. Mas agora as sanções são coletivas, afetando toda a população brasileira, e nisso eu sou totalmente contra — disse.

A aplicação da chamada Lei Magnitsky - usada pelos EUA para punir estrangeiros por violações de direitos humanos ou corrupção - foi aplicada contra Moraes. A medida envolve o bloqueio de bens do ministro no país e restrições a transações financeiras, como movimentações bancárias e uso de cartões de crédito de bandeira americana. 

Por fim, o senador completou que espera atitudes do governo federal. 

— Espero que o Lula possa abrir o diálogo com o Trump e resolver isso o mais rápido possível. Isso é obrigação do Lula também, ele é o presidente da República — finalizou. 

Prejuízos

Outro a se posicionar contrário ao tarifaço foi o deputado federal Domingos Sávio (PL). Também ao Agora, ele classificou a medida como extremamente prejudicial ao Brasil e alertou para os impactos na economia e no emprego.

— Que fique bem claro que ninguém está feliz com essa taxação. É extremamente maléfica para o Brasil e, com certeza, vai gerar muito desemprego — afirmou. 

O parlamentar destacou que, para ele, o aumento das tarifas é uma resposta direta às recentes posições adotadas pelo governo federal. Segundo Domingos Sávio, as declarações do presidente Lula e as alianças internacionais do Brasil contribuíram para a decisão norte-americana. 

— Pode ter sido decisivo sim, e a perseguição ao ex-presidente Bolsonaro pode ter sido a gota d’água, mas tudo isso começou pelas declarações infelizes do Lula nos últimos meses, afrontando os Estados Unidos e o equilíbrio da economia mundial — opinou.

O deputado lamentou os prejuízos do tarifaço e disse esperar uma solução rápida, criticando a postura do governo federal. 

— Nosso desejo é que isso se resolva logo, mas lamento muito que o atual governo não demonstre o mínimo de autocrítica e não faça força alguma para dar um basta numa situação que coloca em risco milhões de empregos no Brasil — completou.

Pacote emergencial 

Com o aumento das tarifas americanas, Minas Gerais não ficou parado. O governo estadual anunciou rapidamente um pacote emergencial de R$ 300 milhões em créditos para apoiar empresas exportadoras diante da nova barreira comercial.

Os recursos serão disponibilizados por meio de duas frentes: R$ 200 milhões do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), com juros subsidiados de 0,9% ao mês, e outros R$ 100 milhões via créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). 

Segundo o governador, os critérios para distribuição dos valores ainda estão sendo definidos.

— Ainda serão identificadas as empresas que receberão o recurso e o teto para cada uma. É uma conversa que ainda está sendo desenvolvida — explicou. 

A declaração de Zema foi dada durante um encontro com representantes de diversos setores produtivos no prédio da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que reagiram com otimismo à iniciativa. 

O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, ressaltou que a medida traz um alívio necessário para as empresas em um momento delicado. 

— De toda forma, já ficamos aliviados com a retirada do ferro-gusa da lista. É o principal item da pauta industrial e o segundo produto de Minas mais exportado para os EUA — comentou. 

Reunião 

Enquanto Minas anunciava um pacote emergencial para amenizar os impactos do tarifaço, a reação do governo federal também foi imediata. O presidente Lula convocou uma reunião de emergência com ministros no Palácio do Planalto para discutir as medidas adotadas pelos Estados Unidos e traçar estratégias de enfrentamento.

Durante um evento de sanção de uma lei que protege os animais, Lula destacou a importância do momento e classificou o dia como “sagrado da soberania”. 

— Vou me reunir ali para defender outra soberania: a soberania do povo brasileiro em função das medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos — declarou o presidente.

A reunião contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ministros das áreas da Fazenda, Casa Civil, Relações Institucionais, Advocacia-Geral da União e Comunicação Social. O foco principal foi discutir alternativas para minimizar os efeitos econômicos do tarifaço e articular uma resposta diplomática que preserve os interesses brasileiros.

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