Indiciados autores do primeiro homicídio consumado de 2025 em Divinópolis

Da redação
A Polícia Civil concluiu as investigações sobre o primeiro homicídio consumado de 2025 em Divinópolis. O caso, que chocou a população pela crueldade e complexidade, teve desdobramentos nesta semana com o indiciamento de envolvidos na execução de Kevin Costa, de 26 anos, conhecido como “Cebola”.
Ele foi encontrado morto no dia 16 de janeiro, na estrada da Comunidade Rural do 49, com 15 tiros, a maioria disparados pelas costas.
De acordo com a PC, o crime está ligado à disputa entre facções rivais dos bairros Quintino e Nações. Kevin era proprietário de uma oficina de som automotivo no bairro Paraíso, e, sem saber, acabou no centro de um confronto entre os dois grupos.
O início da tragédia
Segundo o delegado Anderson Vicente, o episódio teve início quando um cliente, identificado como João Vítor Beirigo, supostamente ligado ao grupo do bairro Quintino, compareceu à oficina de Kevin. No local, também estava Felipe Cassiano, conhecido como “Amarelo”, associado ao grupo rival, dos Nações.
Ao reconhecer João Vítor, “Amarelo” iniciou uma série de agressões e ameaças. Quando João Vítor tentava deixar o local, foi alvejado por um disparo nas costas, atingindo sua perna. Kevin interveio para socorrer o homem ferido e, a partir daí, ficou marcado pelos dois lados: passou a sofrer ameaças do grupo de “Amarelo” e acabou executado por integrantes da facção rival, que consideraram sua ação como proteção a um inimigo.
Sequestro e execução
A madrugada do crime foi marcada por cenas de violência e terror. Kevin e João Vítor foram sequestrados por criminosos do grupo do Quintino, colocados dentro de um veículo e obrigados a revelar o endereço de “Amarelo”. Chegando ao local, no bairro Nações, os criminosos tentaram matar Felipe Cassiano, mas ele conseguiu se esconder após um dos sequestrados pular o muro da casa e chamar por ele. Um dos criminosos chegou a subir no muro e efetuou nove disparos contra o esconderijo, configurando tentativa de homicídio.
Após a frustração da emboscada contra “Amarelo”, os autores se voltaram contra Kevin. Conforme o laudo do médico legista Lucas Amaral, ele foi atingido por 15 disparos de arma de fogo, todos na parte posterior do corpo, dois deles nas costas, um atingindo o pulmão e provocando hemorragia intensa. Além dos ferimentos por arma de fogo, o corpo apresentava politraumatismos causados por instrumento contundente, sugerindo espancamento.
Operação “Território Inimigo”
As investigações se intensificaram nos meses seguintes, com apoio da Polícia Militar e do Serviço de Inteligência de outros estados. O comandante do 23º Batalhão da PM, Tenente-coronel Alexandre Souza, informou que a operação “Território Inimigo” foi essencial para identificar os responsáveis e capturar um dos principais envolvidos, localizado e preso no estado do Mato Grosso do Sul no último final de semana.
— Foi um trabalho conjunto entre a PM, Polícia Civil e agências de inteligência de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O compartilhamento de informações foi fundamental para localizar e prender o suspeito. A estratégia da operação não pode ser revelada para não comprometer futuras ações, mas reforçamos a importância da sociedade na denúncia de crimes como esse — destacou o comandante.
O perfil da vítima
Kevin Costa era conhecido no bairro Paraíso por seu trabalho com som automotivo e instalações em veículos. Apesar de já ter sido citado em registros policiais anteriores por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, amigos e familiares relataram que ele buscava se manter afastado de atividades criminosas e focado no negócio próprio.
Infelizmente, ao tentar prestar socorro a uma vítima ferida, acabou envolvido em um embate entre grupos rivais que culminou em sua morte. O crime, ocorrido em 16 de janeiro, foi o primeiro homicídio consumado registrado neste ano.
Justiça em curso
Com os indiciamentos formalizados, a Polícia Civil acredita ter encerrado uma etapa importante na elucidação do crime. O inquérito inclui crimes de homicídio consumado, dupla tentativa de homicídio, contra Felipe Cassiano e João Vítor, sequestro, e associação criminosa.
A expectativa é que o Ministério Público ofereça denúncia formal nos próximos dias, dando início ao processo judicial. A prisão do suspeito em outro estado, conforme as polícias, reforça a mobilização interestadual contra o crime organizado em Minas Gerais.
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