‘Jamais faria reforma se tivesse escolha’, reafirma Janete sobre crise no Diviprev

Da Redação
Em meio à crise envolvendo a reforma da Previdência dos servidores municipais, a prefeita Janete Aparecida (Avante) afirmou que os ataques recebidos durante os debates sobre o Diviprev ultrapassaram o campo político e atingiram diretamente sua trajetória pessoal.
Em entrevista exclusiva concedida ao Agora, Janete também declarou que não gostaria de realizar mudanças no sistema previdenciário, mas sustenta que a proposta se tornou necessária diante do crescimento do déficit atuarial do instituto.
A entrevista foi concedida após uma semana marcada por assembleias lotadas, protestos, embates entre servidores e Prefeitura, pressão política sobre vereadores e ameaça de paralisação geral do funcionalismo municipal caso o Projeto de Lei Complementar nº 008/2026 não seja retirado de tramitação.
Críticas
Segundo a prefeita, parte das críticas feitas durante os debates deixou de tratar apenas do conteúdo da reforma e passou a atingir sua história de vida. Janete afirmou que foi alvo de violência política de gênero durante a audiência pública realizada na noite de terça-feira, 26, na Câmara Municipal.
Durante a conversa, a chefe do Executivo relembrou o início da vida profissional ainda na infância e afirmou que começou a trabalhar aos 11 anos de idade.
— Trabalhei limpando casa, carregando caixa de leite e iogurte no ombro, fui demonstradora de vendas, representante comercial e depois tive restaurante. Nunca tive vergonha de trabalhar — declarou.
A prefeita também comentou que um dos momentos mais difíceis aconteceu após críticas relacionadas à maternidade. Segundo Janete, a situação teve impacto ainda maior devido ao estado de saúde de sua filha de coração, Ana Júlia, de 22 anos, internada após diagnóstico de lúpus.
Situação do Diviprev
Apesar do desgaste político provocado pela proposta, Janete voltou a defender a necessidade da reforma previdenciária. Segundo ela, o novo cálculo atuarial apontou crescimento expressivo do déficit do Diviprev.
De acordo com a prefeita, o rombo projetado saltou de cerca de R$ 1,7 bilhão para aproximadamente R$ 2,6 bilhões. Atualmente, o instituto possui cerca de R$ 670 milhões em caixa.
— Se eu tivesse escolha de não fazer reforma da Previdência, eu jamais faria — afirmou.
Crise se intensifica
A audiência pública realizada na noite de terça-feira, 26, na Câmara Municipal de Divinópolis, sobre a proposta de reforma da Previdência dos servidores municipais terminou sem acordo entre Prefeitura e sindicatos, em meio a protestos, embates políticos e ameaça de paralisação geral do funcionalismo.
Ao fim da reunião, representantes sindicais confirmaram uma manifestação para esta sexta-feira, 29, em frente à Prefeitura, além do início de uma greve dos servidores caso o Projeto de Lei Complementar nº 008/2026 não seja retirado da Câmara.
Servidores presentes
O plenário da Câmara ficou lotado durante toda a audiência. Servidores da ativa, aposentados, pensionistas, sindicalistas e vereadores ocuparam o espaço em uma noite marcada por palavras de ordem, gritos pela retirada da proposta e forte pressão sobre a administração municipal.
A categoria também cobra abertura de negociação mais ampla, com realização de estudos atuariais independentes e maior participação dos servidores na discussão das mudanças previdenciárias.
Reviravolta na audiência
Ao longo de cerca de uma hora e meia de reunião, servidores e representantes sindicais criticaram o prazo estabelecido para apresentação de emendas ao projeto.
Durante a audiência, vereadores informaram que líderes de bancada firmaram acordo estabelecendo prazo até a meia-noite desta quarta-feira, 27, para protocolar alterações no texto, o que provocou reação imediata da categoria.
O presidente do Sintemd, Rodrigo Rodrigues, afirmou que a audiência pública perdeu o propósito diante da manutenção do cronograma de votação.
— Isso aqui está virando um teatro, não é uma audiência pública de fato. Chamaram os servidores aqui, mas simplesmente para fingir que estão ouvindo — criticou.
Rodrigo ainda confirmou que a greve está mantida caso o projeto não seja retirado.
— Se não retirar o projeto e votar amanhã, vai ser meramente um protocolo para votar tratorando tudo. Por isso, nós estamos decretando greve a partir de sexta-feira — declarou.
Divisão dentro do plenário
Entre os vereadores, também houve divergências em relação à condução do debate e ao conteúdo da proposta.
O vereador Vitor Costa (PT) criticou a velocidade da tramitação e defendeu um novo estudo atuarial independente para avaliar a real situação financeira do instituto previdenciário.
— A gente precisa saber quem de fato está falando a verdade, para aí sim pensar numa possibilidade de fazer essa discussão — afirmou.
Segundo ele, os sindicatos não se recusam a debater mudanças na Previdência, mas consideram inadequada a forma como o projeto está sendo conduzido.
Já o vereador Wesley Jarbas (Republicanos) pediu diretamente a retirada do texto e afirmou que os servidores não podem ser responsabilizados pela situação financeira do município.
— Retira esse projeto, não vamos sacrificar os servidores não. Os servidores não têm culpa não, quem errou é a má administração — declarou.
Entrevista completa
A entrevista completa concedida pela prefeita Janete Aparecida ao Agora está disponível no canal oficial no YouTube: Agora Div. Trechos e cortes da conversa também foram publicados nas redes sociais do Jornal Agora.
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