Justiça nega prisão domiciliar a mulher presa por envolvimento com quadrilha

Da redação
A empresária Maíza de Almeida Ribeiro, de Divinópolis, foi presa na noite desta quarta-feira, 15, e transferida na manhã desta quinta-feira, 16, para o presídio de Pará de Minas, onde começará a cumprir sua pena em regime fechado. Maíza foi condenada por envolvimento em uma quadrilha que tentou transportar 1,5 tonelada de maconha para Divinópolis, em 2022, uma das maiores apreensões de drogas já registradas no Centro-Oeste mineiro.
Conhecida no ramo de recreação infantil à época dos fatos, Maíza não havia sido presa durante a operação inicial e respondia ao processo em liberdade. A condenação, porém, transitou em julgado após decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que mantiveram as penas fixadas pela Justiça mineira.
A defesa havia pedido na última semana à Justiça, o direito de cumprir a pena em prisão domiciliar, alegando que a empresária é mãe de duas crianças pequenas. O pedido foi negado pela juíza da 1ª Vara Criminal de Divinópolis, sob o argumento de que a gravidade do crime e a estrutura da quadrilha impedem a concessão de benefício.
Relembre o caso
A operação que levou à prisão de Maíza teve início em 23 de maio de 2022, quando a Polícia Federal (PF) e a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) interceptaram um caminhão-baú na MG-050, em Piumhi, carregado oficialmente com implementos agrícolas. Dentro, os agentes encontraram 1,5 tonelada de maconha, escondida entre caixas e produtos diversos.
A apreensão, batizada de operação “Jack Card”, revelou um esquema interestadual de tráfico que tinha Divinópolis como ponto de distribuição. Segundo as investigações, o caminhão havia saído de Cascavel (PR) e seguiria até a cidade mineira, onde a droga seria fracionada e redistribuída para municípios da região.
O motorista, de 33 anos, morador de Divinópolis, foi preso em flagrante e confessou que receberia pagamento para realizar o transporte. Um veículo VW Santana branco servia de batedor, seguindo à frente do caminhão para alertar sobre possíveis barreiras policiais. O suposto articulador logístico da quadrilha também foi preso durante a ação.
Participação de Maíza
De acordo com o inquérito da PF e a denúncia do Ministério Público, Maíza atuava na parte financeira e logística da organização. As investigações identificaram movimentações em contas bancárias ligadas a ela, pagamentos de despesas de transporte e apoio logístico ao grupo.
Interceptações telefônicas e mensagens obtidas com autorização judicial mostraram que a empresária prestava suporte operacional à quadrilha, inclusive em despesas de viagem e intermediação de contatos. A Justiça considerou que, embora não estivesse na linha de frente, sua atuação foi essencial para a execução do crime.
As penas fixadas variam entre oito e dez anos de reclusão, com base na Lei de Drogas (Lei 11.343/2006), que prevê aumento para casos de associação estável e tráfico interestadual.
Defesa e recursos negados
A defesa da empresária tentou anular as interceptações telefônicas, alegando insuficiência de provas diretas, e solicitou a aplicação do tráfico privilegiado, que permitiria a redução da pena. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) rejeitou os pedidos, sustentando que a quantidade de droga e a estrutura organizada da quadrilha impedem qualquer abrandamento.
O processo foi posteriormente analisado pelo STJ e pelo STF, que confirmaram as decisões de segunda instância e declararam encerrada a fase recursal. Com isso, a condenação tornou-se definitiva, e a execução da pena foi remetida à comarca de Divinópolis em 22 de setembro de 2025.
Linha dura contra o tráfico
A decisão reforça a política de tolerância zero da Justiça mineira contra o tráfico de drogas, especialmente em casos de grande porte e com ramificações interestaduais. Segundo o Ministério Público, o caso serve de exemplo pedagógico, mostrando que “mesmo após anos de tramitação, a punição alcança todos os envolvidos na cadeia do crime”.
Durante o processo, foram apreendidos diversos bens da quadrilha, incluindo veículos e contas bancárias, cujos valores foram revertidos à União por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). O caminhão-baú usado no transporte era clonado e foi encaminhado a leilão público.
Um caso emblemático
A prisão de Maíza encerra um ciclo de mais de três anos de investigação e tramitação judicial. Para as autoridades, a operação “Jack Card” é um marco no combate ao tráfico na região Centro-Oeste, tanto pela quantidade de droga apreendida quanto pela articulação interestadual desmantelada.
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