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Kalil e Simões batem de frente sobre feminicídio em debate eleitoral 

Discussão aconteceu no mesmo fim de semana em que mulher foi vítima de estrangulamento pelo ex em Montes Claros

Por Gabriela Lara · Redação· 3 min de leitura
Kalil e Simões batem de frente sobre feminicídio em debate eleitoral 

Uma mulher de 42 anos foi morta por estrangulamento pelo ex-companheiro, de 51, em Montes Claros. O crime ocorreu no sábado, 15, no bairro Santo Amaro, e, segundo familiares, aconteceu depois de meses de perseguição e da dificuldade do homem em aceitar o fim do relacionamento. A morte aconteceu no mesmo fim de semana em que o feminicídio foi um dos temas do primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas, realizado no domingo, 16.

Estrangulamento

Segundo a Polícia Militar, o homem utilizou força física para estrangular a mulher. Quando os militares chegaram ao imóvel, ela apresentava marcas no pescoço. O Samu foi acionado e confirmou a morte.

Ainda conforme a Polícia Militar, depois de matar a ex-companheira, o homem atirou contra a própria mandíbula utilizando uma espingarda calibre 32. O Samu realizou o atendimento e encaminhou o homem para um hospital em estado grave.

Números em Minas

O caso de Montes Claros ocorre em um cenário de registros de feminicídio em Minas Gerais. O estado contabilizou 78 feminicídios no primeiro semestre de 2026, segundo os dados informados pela Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública. O número é o mesmo registrado no primeiro semestre de 2025. 

As tentativas de feminicídio, por outro lado, apresentaram aumento. Foram 97 casos nos primeiros seis meses de 2026, dois a mais do que os 95 registrados no mesmo período de 2025. 

Em todo o ano de 2025, Minas Gerais registrou 177 feminicídios, sendo o segundo estado com maior número do Brasil, ficando atrás somente de São Paulo com 270 registros. 

Divinópolis

Os dados informados sobre Divinópolis também permitem observar a ocorrência desse tipo de crime no município. Em 2025, foram registrados cinco feminicídios e seis tentativas na cidade.

Já em 2026, até o momento, Divinópolis registrou um feminicídio e nenhuma tentativa de feminicídio.

Tema no debate

O feminicídio também esteve entre os assuntos abordados no primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas, realizado no domingo, 16. O governador Mateus Simões (PSD) escolheu o tema para questionar o candidato do PDT, Alexandre Kalil, sobre uma declaração atribuída a ele em uma entrevista concedida em 2022.

Simões afirmou que, naquele momento, Kalil teria dito que violência doméstica e feminicídio eram assuntos complexos e que não seriam problemas do Governo do Estado. Durante o debate, o governador citou o número de mulheres vítimas de feminicídio em Minas Gerais e mencionou que 177 mineiras foram mortas por feminicídio em 2025. Em seguida, pediu que Kalil explicasse a declaração.

A discussão colocou no centro do debate eleitoral a responsabilidade do poder público diante dos assassinatos de mulheres e das tentativas de feminicídio registradas em Minas.

Kalil respondeu direcionando as críticas para a política de segurança pública do governo estadual. 

— Uai, Matheus, você está em Nárnia, você é o governador — criticou.

Na sequência, o candidato afirmou que Minas Gerais enfrenta falta de policiais e criticou a remuneração das forças de segurança. 

— Falta sete mil policiais no efetivo da polícia. Ela é a polícia mais mal paga do país — afirmou Kalil.

O candidato também citou medidas adotadas durante sua gestão como prefeito de Belo Horizonte. Ele mencionou a criação da Casa Sempre Viva, destinada ao acolhimento de mulheres, e afirmou que colocou a Guarda Municipal, chamada por ele de “Armada Feminina”, na estrutura de atendimento.

Ao longo da resposta, Kalil sustentou que a responsabilidade pelo enfrentamento do feminicídio e da violência contra a mulher também envolve a atuação do Governo do Estado. Ele criticou o que classificou como sucateamento da segurança pública e afirmou que a pergunta de Simões sobre feminicídio era direcionada a alguém que havia sido prefeito, enquanto, segundo ele, o governo estadual deveria responder pelos problemas relacionados à segurança.

— Quem tem que falar de feminicídio é o governo, que há 13 anos está sucateando e liquidando — destacou. 

Simões, por sua vez, havia utilizado os dados de feminicídio para cobrar de Kalil uma explicação sobre a declaração feita em 2022. 


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