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Manuseio de produtos de limpeza pode oferecer riscos à saúde

Por Portal Agora
Manuseio de produtos de limpeza pode oferecer riscos à saúde

Da Redação

Alexandre Eustáquio Ribeiro, um homem de 31 anos de idade e morador do bairro Niterói, em Divinópolis, morreu em junho devido a uma intoxicação após inalar produtos de limpeza dentro de casa. Na manhã do dia anterior, o homem fazia a lavagem do banheiro de casa. Segundo familiares, ele usou água sanitária para limpar o vaso sanitário do cômodo. Ele deixou o produto agir, e logo depois ligou o chuveiro para tomar banho. Isso levou a uma intensificação dos vapores tóxicos que compõem a fórmula base do agente de limpeza. 

Pouco depois de terminar a higiene pessoal, Alexandre começou a se sentir mal. O homem foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde passou o resto do dia recebendo oxigênio. As tentativas de melhora, no entanto, não obtiveram sucesso. O quadro da vítima piorou consideravelmente, e ele foi transferido para o CTI do Complexo de Saúde São João de Deus. No hospital, ele foi entubado, mas não resistiu

Alexandre Eustáquio Ribeiro deixou a esposa e uma filha. O caso gerou grande comoção entre familiares, amigos e membros da comunidade. A vítima era conhecida por sua atuação nas celebrações da Igreja do Senhor Bom Jesus e no grupo do Terço dos Homens.

Outro caso 

Dois meses antes da morte de Alexandre, Deusineide de Souza, uma mulher de 63 anos de idade que morava em Goiânia, capital do estado de Goiás, perdeu a vida em circunstâncias parecidas às do divinopolitano. A senhora limpava o banheiro de casa, e misturou produtos, neste caso cloro e Intercap —um detergente desincrustante ácido — e pouco após acabar a lavagem do cômodo, se sentiu mal e também morreu por intoxicação. 

Os casos repercutiram bastante nas redes sociais, e chamaram a atenção do Ministério da Saúde (MS). Dias após a morte de Alexandre, o órgão publicou orientações para a população não correr riscos durante o uso destes agentes de limpeza. A instituição alertou que parcela da população tem em mente que essas misturas são um capricho, mas que atos como estes podem tornar-se perigosos para a saúde, já que a combinação de água sanitária com água quente, ou até outros produtos, liberam vapores tóxicos. 

As intoxicações acontecem porque a água sanitária, popularmente conhecida como “cândida”, é feita à base de hipoclorito de sódio, uma substância que, quando combinada com alguns tipos de produtos, como ácidos, vinagre, desinfetante, limpa-pisos ou amoníaco, pode liberar gases que oferecem riscos à saúde. Um dos principais riscos é a formação do gás cloro, altamente irritante para os olhos, o nariz e os pulmões. Além disso, o uso de água quente com a cândida acelera a liberação desses gases, mesmo sem que haja mistura com outros produtos. 

O Ministério da Saúde deixou algumas recomendações importantes para evitar possíveis complicações ao utilizar os produtos de limpeza. Dentre elas, a principal é consultar o rótulo para verificar a proporção exata de diluição e quais produtos podem ou não ser usados junto com ele. Também é importante, manter as janelas e portas abertas durante o uso, fazer a diluição prévia do agente em um balde, e permanecer o mínimo de tempo possível no agente. 

Palavras do especialista

O Jornal Agora conversou com o professor de Análises Ambientais e Toxicologia da UNA Divinópolis, Carlos Alexandre Vieira, que reiterou a importância de, antes de iniciar a limpeza de um local,  ler com atenção o rótulo dos produtos que serão usados. Lá, estão especificações importantes sobre a composição química e como manusear cada agente. O especialista ainda apontou que Alexandre cometeu um grave erro, ao tomar banho com o chuveiro em alta temperatura logo após limpar o cômodo com água sanitária. Segundo ele, a vítima inalou vapores tóxicos, que causaram suamorte

O profissional ainda esclareceu que a mistura entre produtos não significa que o efeito de cada um será potencializado, e, na verdade, causa a neutralização de cada agente. Como exemplo, os componentes químicos da água sanitária, uma substância alcalina (acima de 7 na escala pH), ao serem misturados com vinagre (abaixo de 7 na escala pH), se anulam, prejudicando a ação de cada um.

Porém, as misturas podem ser ainda mais prejudiciais, como evidenciado nos casos de Alexandre e Deusineide. A união de específicas substâncias podem ser uma ameaça para a saúde da população, como o “gás Cloro”. Por fim, o professor reforça a importância do uso da vestimenta adequada de alguém que realiza uma faxina pesada. Luvas e botas são essenciais para evitar o contato direto com agentes mais agressivos. O contato direto de um ser humano com essas fórmulas pode gerar danos na pele, então toda atenção é bem-vinda, para que as limpezas sejam feitas sem riscos. 

Confira a entrevista completa:

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