Mercado fonográfico cresce 14% em 2025 e Brasil sobe no ranking global

Da Redação
O mercado fonográfico brasileiro manteve sua trajetória de expansão em 2025 e registrou crescimento de 14,1% no faturamento, alcançando R$ 3,958 bilhões. O resultado reforça o desempenho consistente do setor nos últimos anos e consolida o país entre os principais mercados globais de música gravada, segundo dados divulgados pela entidade que representa as principais gravadoras e produtoras em operação no Brasil.
Com o avanço, o Brasil subiu uma posição no ranking mundial da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) e passou a ocupar o 8º lugar entre os maiores mercados do mundo. Em 2024, o país figurava na 9ª posição, e em 2023, na 10ª, evidenciando uma progressão contínua e sustentada dentro do cenário internacional.
A avaliação do setor é de que os números refletem não apenas o crescimento da receita, mas também a consolidação de um modelo de negócios baseado na transformação digital, na ampliação do acesso à música e na capacidade de adaptação da indústria diante das mudanças tecnológicas.
Crescimento sustentado pelo digital
O principal motor desse avanço continua sendo o mercado digital, especialmente o streaming. Em 2025, as receitas digitais somaram cerca de R$ 3,4 bilhões, o que representa um crescimento de 13,2% em relação ao ano anterior e a maior fatia do faturamento total do setor.
O streaming manteve participação dominante, respondendo por aproximadamente 83% das receitas da indústria fonográfica no país. O modelo, consolidado ao longo da última década, segue em expansão, impulsionado pelo aumento no número de assinantes e pela popularização das plataformas de distribuição de música.
O desempenho brasileiro, inclusive, supera a média global nos últimos anos, indicando um ambiente considerado favorável para o desenvolvimento do setor e para a ampliação de investimentos, tanto em tecnologia quanto em novos projetos artísticos.
Recuperação após crise
O crescimento registrado em 2025 marca o 16º ano consecutivo de expansão do mercado fonográfico brasileiro. A sequência positiva ocorre após um período de crise enfrentado no início da década de 2010, quando a indústria foi fortemente impactada pela pirataria física e digital.
A recuperação teve início com a consolidação do modelo de streaming, que passou a oferecer uma alternativa acessível e legal para o consumo de música. Desde então, o setor vem ampliando receitas, diversificando formas de monetização e ampliando o alcance da produção musical brasileira.
De acordo com representantes da indústria, o cenário atual permite que as empresas invistam tanto em artistas já consolidados quanto na descoberta de novos talentos — movimento considerado essencial para a renovação do mercado, embora envolva maiores riscos.
Vinil cresce
Apesar do domínio do digital, o mercado físico também apresentou crescimento em 2025. As vendas desse segmento aumentaram 25,6%, embora ainda representem menos de 1% do faturamento total da indústria.
O destaque ficou por conta do vinil, que continua atraindo consumidores, seja pelo valor nostálgico, seja pelo apelo de colecionismo. O formato tem sido utilizado como estratégia de marketing e posicionamento de artistas, com lançamentos especiais e reedições.
A avaliação do setor é de que, mesmo com a predominância das plataformas digitais, formatos físicos ainda encontram espaço em nichos específicos e mantêm relevância simbólica dentro da indústria musical contemporânea.
Cadeia produtiva
Outro ponto relevante no desempenho do mercado foi a arrecadação de direitos conexos de execução pública, que beneficiam produtores, artistas e músicos. Esse tipo de receita reforça a importância da cadeia produtiva da música e amplia as fontes de renda além da venda direta ou do streaming.
O crescimento do setor está diretamente ligado à combinação entre criatividade artística e investimentos estruturados, com participação ativa das gravadoras no desenvolvimento de carreiras, produção e distribuição de conteúdo.
Inteligência artificial
Apesar dos resultados positivos, o setor enfrenta desafios importantes, especialmente com o avanço da inteligência artificial. A utilização de conteúdos musicais para treinamento de sistemas, muitas vezes sem autorização, é apontada como uma preocupação crescente.
Há também o risco de aumento na produção de músicas geradas por inteligência artificial, o que pode impactar a competitividade e a remuneração de artistas e produtores. Diante desse cenário, representantes da indústria defendem a criação de regras que garantam o uso responsável da tecnologia e a proteção dos direitos autorais.
Fraudes no streaming
Outro desafio destacado é o combate a fraudes no streaming. O problema ocorre quando reproduções artificiais são geradas por sistemas automatizados, desviando receitas que deveriam ser destinadas a artistas e produtores.
Nos últimos anos, ações de monitoramento e fiscalização resultaram no encerramento de mais de 130 sites que promoviam esse tipo de prática, sendo 60 apenas em 2025. Os casos identificados são encaminhados às autoridades para investigação.
A manipulação de números é considerada uma ameaça à sustentabilidade do modelo digital, uma vez que pode distorcer a distribuição de receitas dentro da cadeia musical.
Gravadoras
A indústria fonográfica destaca ainda o papel das gravadoras na estrutura do mercado, desde a descoberta de novos artistas até o investimento em produção, divulgação e desenvolvimento de carreira.
Além da música gravada, a atuação do setor também se conecta a outras frentes, como shows, publicidade e parcerias com marcas, ampliando as possibilidades de receita para os profissionais da área.
Com base nos dados apresentados, a expectativa é de continuidade no crescimento do mercado brasileiro, sustentado pelo avanço das plataformas digitais, pelo aumento do consumo de música e pela capacidade de adaptação do setor às novas tecnologias.
O cenário reforça o protagonismo do Brasil no contexto internacional e aponta para a consolidação de um mercado cada vez mais dinâmico, competitivo e integrado às tendências globais da indústria da música.
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