Semana Santa deve elevar vendas de pescados

Jorge Guimarães
Entre as tradições mais marcantes vividas pelos cristãos durante a Semana Santa, que se inicia no próximo domingo, 29, com a celebração do Domingo de Ramos, se destaca o consumo de peixe como um elemento simbólico e cultural profundamente enraizado. Ao longo dessa semana, que antecede o Domingo de Páscoa, cresce ainda mais, os fiéis que optam por substituir a carne vermelha pelo peixe, especialmente na Sexta-feira Santa, em sinal de respeito, penitência e reflexão sobre o sacrifício de Jesus Cristo.
Tradição
Essa prática tem origem em antigos costumes da Igreja, que orientam a abstinência de carne como forma de disciplina espiritual. O peixe, por sua vez, além de ser considerado um alimento mais simples, carrega também um forte simbolismo cristão, remetendo aos primeiros seguidores de Cristo e aos ensinamentos de partilha e humildade.
Assim, mais do que uma escolha alimentar, o consumo de peixe durante a Semana Santa representa um gesto de fé e tradição, que atravessa gerações e reforça o significado desse período sagrado para os cristãos, marcado pela introspecção, renovação espiritual e preparação para a celebração da Páscoa.
Consumidor
Esse costume também movimenta o comércio e aquece o setor de pescados, especialmente nos dias que antecedem a Sexta-feira Santa. Entre os consumidores, a expectativa é manter a tradição sem pesar tanto no bolso.
— Sempre preservamos a tradição de comer peixe na Sexta-Feira Santa. É quando reunimos a família e renovamos nossos votos cristãos. Mas no cardápio não pode faltar o peixe e, em épocas de preços altos, neste ano vamos de filé de tilápia no lugar do bacalhau — comentou a dona de casa Fabiana de Oliveira.
Opções
Mas se os preços ainda não cabem dentro do bolso, a variedade de enlatados fica como boa opção, como destacou o gerente de loja de supermercado, Walter Wagner.
— Nos últimos anos, vimos que esses itens têm suas vendas aumentadas em média de 5 a 10%. Por exemplo, hoje a lata do atum tem preços a partir de R$ 8,49, conforme a marca e o tipo, mesma condição da sardinha, que sai com um preço médio a partir de R$ 7,29. E ainda temos os patês, molhos diferenciados e uma série de mix de produtos que compõem muito bem um cardápio de uma Semana Santa — explicou
Segundo ele, as expectativas são muito boas para o período.
— Esperamos aumentar nossas vendas em torno de 15%. E em relação ao aumento dos preços, eles estão dentro de um patamar médio previsto para a época do ano — avaliou.
Pensamento que vai de encontro com a argumentação do aposentado João Batista, quando afirma que pretende adaptar o cardápio.
— Se o peixe estiver muito caro, a gente procura opções mais em conta, como o atum ou a sardinha em lata, mas não deixa de consumir — disse.
Expectativa
Do lado dos comerciantes, a expectativa é mesmo positiva. Empresários do setor acreditam em um aumento significativo nas vendas, impulsionado pela demanda tradicional do período.
— A Semana Santa é uma das épocas mais importantes para o nosso segmento. A gente se prepara com antecedência, reforça o estoque e espera um crescimento considerável nas vendas — destacou a atendente de um comércio do ramo, Rosely Silva.
Apesar da alta procura, há também a preocupação em equilibrar preços e oferta.
— Tentamos negociar bem com fornecedores para não repassar aumentos muito altos ao consumidor. A ideia é vender mais, mantendo a clientela satisfeita — concluiu a atendente.
Cardápio
Outro segmento que também registra aumento no faturamento durante a Semana Santa é o de prestação de serviços, especialmente o de restaurantes, que apostam em mudanças estratégicas no cardápio para atender à demanda dos clientes. Nessa época, os pescados ganham destaque, principalmente na Quarta-feira e na Sexta-feira Santa, quando muitos consumidores mantêm a tradição de evitar carnes vermelhas.
Para os clientes, a praticidade e a variedade oferecidas pelos estabelecimentos são fatores decisivos.
— Nem sempre dá tempo de preparar algo em casa, então a gente procura restaurantes que já tenham opções com peixe. É uma forma de manter a tradição sem abrir mão da comodidade — contou a auxiliar administrativa Carla Mendes.
Já o estudante Lucas Ferreira destaca a importância do cardápio adaptado.
— É legal ver que os restaurantes se preparam. A gente chega e encontra várias opções, desde pratos mais simples até os mais elaborados — disse.
Boas vendas
Do lado dos empresários, a expectativa é de aumento no movimento, principalmente nesses dias específicos da semana.
— A gente percebe uma mudança clara no comportamento do cliente. Por isso, investimos em pratos com peixe, como tilápia, bacalhau e moquecas, que costumam ter muita saída — explicou o socio proprietário e um tradicional restaurante, Rolando Meneses.
Apesar do otimismo, há também o desafio de equilibrar custos e manter a qualidade.
— Os insumos podem sofrer variação de preço, então é preciso planejamento. Mesmo assim, a expectativa é positiva, porque o movimento costuma compensar — completou o empresário.
Atenção
Devido a grande procura pelo produto, a nutricionista Samira Tanure, do Plantão Técnico da Emater-MG, alerta ainda que como se trata de um produto bastante perecível é importante ficar atento na compra para adquirir um produto de boa qualidade.
Samira explica que no caso dos peixes frescos, há algumas indicações de que o produto está próprio para o consumo.
— Os olhos devem estar claros, brilhantes e salientes; a superfície do corpo limpa, com brilho metálico característico, e escamas, nadadeiras e caudas bem aderidas ao corpo, além de brânquias úmidas, com coloração avermelhada, mas sem sangramentos — detalhou a nutricionista.
Produto certificado
Outro detalhe importante é que, no local de venda, o pescado deve estar disposto sobre uma camada uniforme de gelo.
— O pescado fresco deve ser embalado em saco plástico bem fechado e guardado no refrigerador após a compra, preferencialmente em temperaturas próximas a 0°C. É recomendável consumi-lo em até dois dias — aconselhou.
Já no caso dos peixes embalados e congelados, o primeiro cuidado é verificar se a embalagem tem o selo de inspeção federal ou estadual, no caso de Minas Gerais, do IMA, o Instituto Mineiro de Agropecuária.
Prato famoso
Pesquisas mostram que durante a Páscoa, um peixe muito consumido é o bacalhau. Muito utilizado em receitas portuguesas, o pescado também requer alguns cuidados na compra.
— Os consumidores devem dar preferência à peça inteira, sem estar desmanchado. O sal espalhado na superfície deve ter aparência homogênea. O ideal é um corpo firme e resistente e nunca com aparência úmida ou melada — ressaltou Samira.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
