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Missa Conga celebra 138 anos da Lei Áurea e reforça tradição centenária em Divinópolis

Missa Conga celebra 138 anos da Lei Áurea e reforça tradição centenária em Divinópolis

Da Redação

Divinópolis volta a celebrar neste domingo, 17, uma das mais tradicionais manifestações culturais e religiosas ligadas à cultura afro-brasileira na região. Congadeiros de diferentes guardas do município participam da Missa Conga em comemoração aos 138 anos da assinatura da Lei Áurea, documento que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil em 13 de maio de 1888.

A celebração será realizada às 14h, no Santuário de Santo Antônio, localizado na avenida 21 de Abril, região central da cidade. Antes da missa, as guardas e os Estados da Coroa das irmandades irão se concentrar no Largo do Rosário, de onde sairão em procissão com imagens dos santos de devoção até o santuário. A chegada está prevista para as 13h.

Celebração

A missa será presidida pelo frei Leonardo Lucas Pereira, OFM, que mantém a tradição da celebração em Divinópolis há quase cinco décadas. Frades do Convento de Santo Antônio também participarão da cerimônia. Após a missa, os congadeiros serão recebidos no Centro Cultural do Povo, na Praça Governador Benedito Valadares, onde será servido o tradicional Café de São Benedito. Em seguida, as guardas retornam em cortejo ao Largo do Rosário.

Entre os grupos esperados para a celebração estão guardas de Moçambique, Congo, Catupé, Vilão e Marinha. Os principais santos de devoção dos congadeiros são Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora Aparecida e São Benedito.

A celebração conta com apoio da Congregação das Irmandades Congadeiras, de Reinado, Festa de Cruz, Folia de Reis e correlatas de Divinópolis (CongaDiv) e da Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Semc).

Tradição 

Embora existam registros da participação de congadeiros em celebrações religiosas em Divinópolis desde a década de 1850, a Missa Conga, no formato atual, começou a ganhar força no fim da década de 1960.

O modelo da celebração foi desenvolvido a partir de pesquisas do folclorista, antropólogo e professor Romeu Sabará, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Durante os estudos, ele identificou semelhanças entre os rituais da missa católica e os ritos tradicionais praticados pelos congadeiros em momentos comunitários, como recepções, refeições e cerimônias de agradecimento.

A partir dessas pesquisas, foram estruturados nove ritos específicos para a Missa Conga: entrada, penitencial, palavra, ofertório, consagração, amizade, comunhão, ação de graças e despedida, todos acompanhados por músicas e danças típicas das guardas.

A primeira celebração dentro desse formato foi registrada no curta-metragem “Congadas”, dirigido pelo cineasta, professor e padre Edeimar Massote, em 1976, em Ouro Preto. O documentário contou com a participação de guardas de diferentes cidades mineiras.

Em Divinópolis, a primeira Missa Conga nos moldes atuais aconteceu em 15 de maio de 1977, em frente ao Santuário de Santo Antônio. A celebração foi sugerida pelo antropólogo e professor José Alaor Bueno de Paiva e organizada com apoio do então Setor de Programas Especiais da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

Desde então, a cerimônia passou a integrar o calendário religioso e cultural da cidade, reunindo anualmente guardas de Divinópolis e de municípios vizinhos.

Lei Áurea 

A Lei Áurea, oficialmente denominada Lei Imperial nº 3.353, foi assinada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, então capital do Império Brasileiro.

O documento decretou oficialmente a extinção da escravidão no Brasil. Apesar disso, o processo de abolição já vinha ocorrendo gradualmente por meio de outras legislações, como a Lei do Ventre Livre, de 1871, e a Lei dos Sexagenários, de 1885.

Além disso, muitos escravizados já haviam conquistado a liberdade por meio da compra de cartas de alforria ou através da atuação de movimentos abolicionistas e organizações de resistência.

O texto da Lei Áurea possui apenas dois artigos e declara extinta a escravidão no país a partir da data de sua assinatura.

Na época, o imperador Dom Pedro II estava em tratamento de saúde na Itália, e a princesa Isabel assumia a regência do Império. Conhecida posteriormente como “A Redentora”, ela também ficou marcada pela forte devoção religiosa e pela ligação com Nossa Senhora Aparecida.

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