Moda Tarifada

Wagner Penna
As novas tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos importados têm reflexos profundos na moda mundial — alterando cadeias produtivas, custos e estratégias de mercado. Essas medidas elevam os preços de matérias-primas e produtos acabados, afetando desde marcas de fast fashion até o segmento de luxo. Empresas que dependem da fabricação na Ásia, por exemplo, enfrentam a necessidade de repassar custos ao consumidor ou buscar alternativas na produção.
Para a moda brasileira, os reflexos são mistos. Para os especialistas, no lado positivo, exportadores de calçados e confecções podem ganhar espaço no mercado americano, já que tarifas sobre produtos chineses tornam o Brasil uma alternativa mais viável. O setor têxtil brasileiro pode ser beneficiado, mas enfrenta desafios como custos elevados de produção, tributos internos e problemas logísticos.
Pelo lado negativo, marcas nacionais que dependem de insumos importados, como tecidos tecnológicos e aviamentos vindos da Ásia, podem sofrer com aumentos de custo — pressionando ainda mais um mercado já sensível à variação cambial.
Outro efeito possível é o fortalecimento da moda sustentável e da reindustrialização. Com a busca por alternativas às importações chinesas, cresce o incentivo para investir em produção local e novas tecnologias. A pressão para encurtar cadeias produtivas pode impulsionar a valorização do “Made in Brazil”, mas exige inovação e incentivos do governo para reduzir custos de fabricação.
Nos EUA, grandes varejistas lidam com margens mais apertadas e dificuldades para manter preços competitivos. No segmento de luxo europeu, que tem forte presença no mercado norte-americano, as tarifas podem reduzir o poder de compra dos consumidores— afetando marcas globais.
O cenário demonstra como a nova política tarifária dos Estados Unidos, pode alterar profundamente os rumos da moda mundial, exigindo adaptação rápida das empresas para minimizar impactos e aproveitar oportunidades.
VAIVÉM
* A dinâmica Flávia Rotondo está em plena atividade para os acertos finais do Salão Contemporâneo – que ela promove entre 22 e 25 de abril no pavilhão da Bienal, em São Paulo, com lançamentos do verão 2026. Cerca de 200 marcas estarão lá, com as ‘tops branding’ da moda brasileira nos estandes. O grupo de marcas “premium” mineiras ali também é grande.
* A Minas Trend acontece entre os dias 8 e 10 de abril, em Beagá, com vendas de vestuário & afins para o verão 2026. A feira acontece no estacionamento do BH Shopping. Além de produtos, palestras estão na agenda do evento —promovido pela Fiemg.
*PONTO FINAL: A famosa marca de produtos fashion esportivos Fila, agora mudou seu nome para Misto. Diz que o objetivo é ampliar sua abrangência no mercado global. Com a queda de vendas mundiais, esse segmento tem sido um dos mais afetados.
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