Moda versátil

As mudanças climáticas e a possibilidade de um El Niño intenso pressionam a indústria da moda a rever calendários, tecidos e estratégias comerciais.
Com estações menos previsíveis, marcas enfrentam o risco de lançar casacos no calor ou roupas leves durante ondas de frio. A resposta passa pela ampliação do uso de tecidos respiráveis, leves e de secagem rápida, combinados a materiais que ofereçam isolamento térmico.
Malhas flexíveis, sobreposições e peças adaptáveis ganham importância para atender a variações bruscas de temperatura.
A tradicional divisão entre coleções de verão e inverno também começa a perder parte de sua previsibilidade. Marcas e varejistas precisam aproximar os lançamentos das condições climáticas efetivamente registradas. Coleções-cápsula e entregas menores ao longo do ano permitem reagir com mais agilidade às mudanças de demanda.
A estratégia também ajuda a reduzir estoques encalhados, liquidações antecipadas e desperdícios.
No início de outubro, a Paris Fashion Week já refletiu esse desafio, com temperaturas elevadas e maior atenção às peças de transição. O desafio será conciliar inovação têxtil, planejamento de produção e rentabilidade em um mercado no qual o clima interfere cada vez mais nas decisões de compra.
Vaivém
A 36ª edição do Minas Trend encerrou-se em Belo Horizonte, com expectativa de ter movimentado mais de R$ 40 milhões em negócios. Os levantamentos iniciais também indicaram mais de 5 mil visitantes. Realizada pela FIEMG, a feira reuniu 100 marcas em 191 estandes, com coleções de vestuário adulto e infantil, bolsas, calçados, joias e bijuterias. Sob o tema Made in Minas, o evento apresentou lançamentos para o outono/inverno 2027 e buscou ampliar as conexões entre fabricantes e compradores.
A programação incluiu desfiles do Minas Trend Kids, com mais de 30 marcas no salão de negócios, além de apresentações de moda e atividades voltadas ao varejo.
A leitora ou o leitor já ouviu falar de “perfumes gourmand”? Eles existem e são aquilo que a expressão indica, pois evocam aromas de alimentos e sobremesas. E já conquistam espaço no mercado de fragrâncias, com notas de baunilha, caramelo, chocolate, amêndoas e doces cremosos. A tendência avança para composições mais ousadas, que exploram referências a bebidas, confeitaria e até aromas salgados. Um exemplo é a Dior, que explora acordes adocicados em criações como Hypnotic Poison, com baunilha e amêndoa. Mais do que reproduzir cheiros de comida, a perfumaria gourmand vende sensações de conforto, prazer e memória afetiva.
Ponto final
A popularização dos óculos inteligentes acende o alerta sobre privacidade e uso indevido de imagens. Equipados com câmeras, microfones e recursos de inteligência artificial, os dispositivos permitem fotografar, gravar vídeos e compartilhar cenas sem o celular nas mãos. Embora tenham uma luz indicadora de gravação, ela pode passar despercebida por quem está ao redor. Entidades de defesa do consumidor e de direitos digitais já apontaram riscos de registros sem consentimento. É a chamada “moda espiã”.
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