Carregando clima…
Polícia

"Na hora só pensei no meu filho", diz mãe após ataque de pitbull em Divinópolis

Animal era da família das vítimas; caso reacende discussão sobre responsabilidades

Por Jornal Agora· 5 min de leitura
"Na hora só pensei no meu filho", diz mãe após ataque de pitbull em Divinópolis

Jonny Reisle

O ataque de um pitbull contra uma mãe e seu filho adolescente, registrado na manhã de domingo, 26, no bairro Paraíso, em Divinópolis, reacendeu o debate sobre a responsabilidade dos tutores de cães de grande porte e o cumprimento da legislação municipal que estabelece regras para a circulação desses animais em vias públicas. 

Depois do ocorrido, a mulher vítima do ataque confirmou que sua família era dona do cão. As vítimas sofreram diversos ferimentos e afirmam que sobreviveram graças à intervenção de moradores da região, que conseguiram retirar o cachorro de cima deles.

O que aconteceu?

Segundo o relato da mulher, de 38 anos, ela caminhava pela Rua Padre Abel ao lado do filho, de 17 anos, quando o pitbull atacou inicialmente o adolescente. Ao tentar proteger o filho, ela também foi mordida pelo animal.

Os pedidos de socorro mobilizaram moradores e pessoas que passavam pelo local. De acordo com a vítima, foi necessária a ação conjunta de vários populares para conter o cachorro e interromper o ataque.

"Nós nascemos de novo", afirmou a mulher ao relatar os momentos de desespero vividos durante a ocorrência.

Pitbull da família

Em conversa com o Agora, ela detalhou que estava com medo de confirmar que o cachorro era da família por medo de represálias. O animal foi morto a facadas para que ninguém mais sofresse ferimentos, e a vítima destaca que a ordem para que essa ação fosse executada veio dela.

Inicialmente, a versão inicial dizia que o cão estava solto pela rua ao atacar o adolescente. O novo relato retifica esta informação, já que o pitbull chegou no local há mais de três meses. 

Primeiros socorros

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às 11h29. Conforme nota divulgada pelo serviço, mãe e filho apresentavam ferimentos decorrentes da agressão, mas sem risco imediato de morte, sendo encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto Cordeiro.

A mulher sofreu diversas mordidas e arranhões em diferentes partes do corpo e precisou levar pontos em uma das pernas. Já o adolescente teve ferimentos nos dois braços. Segundo a mãe, o filho havia passado recentemente por uma cirurgia, o que aumentou a preocupação da família com possíveis complicações.

Questionamentos

Após receber alta, a mulher procurou o Agora para relatar insatisfação com o atendimento recebido na UPA. Segundo ela, apesar das dores intensas na região das costelas, não foram solicitados exames de imagem para verificar possíveis lesões. Ela também afirmou que nem ela nem o filho receberam a vacina antirrábica durante o primeiro atendimento e que alguns ferimentos, especialmente nas mãos, não teriam sido avaliados de forma adequada.

A direção da UPA Padre Roberto Cordeiro divulgou nota esclarecendo o caso. A unidade informou que todos os cuidados considerados necessários foram prestados conforme avaliação da equipe médica e multiprofissional, de acordo com os protocolos assistenciais vigentes.

Nova ida ao hospital

Ainda segundo a nota, diante dos questionamentos apresentados pela paciente, a direção entrou em contato com ela e providenciou o retorno de ambos à unidade para uma nova avaliação médica. Após essa reavaliação, foi realizada a aplicação da vacina antirrábica, conforme indicação clínica.

A instituição ressaltou que a decisão sobre a necessidade da vacina e, quando indicado, do soro antirrábico é de competência do médico responsável, sendo baseada nos protocolos do Ministério da Saúde, que consideram fatores como o tipo de exposição, a gravidade das lesões, as características do animal envolvido e critérios epidemiológicos.

A UPA também informou que a paciente recebeu acompanhamento durante todo o período de permanência na unidade, teve acesso a banho nas dependências do serviço e que o adolescente recebeu curativos, além dos demais cuidados considerados necessários pela equipe de saúde.

Lei estabelece regras

Além da gravidade do ataque, o caso levanta questionamentos sobre o cumprimento da Lei Municipal nº 9.627/2025, que regulamenta a circulação de cães de grande porte e de raças consideradas de maior potencial ofensivo em Divinópolis. Segundo a vítima, o cão da família estava em período de cio, e andava sem focinheira pelo local. 

A legislação determina que animais como pitbull, rottweiler, dobermann, fila brasileiro, pastor-alemão, bull terrier, boxer, bulldog, mastim napolitano e american staffordshire terrier só podem circular em espaços públicos utilizando focinheira, coleira com identificação completa do tutor e equipamentos de contenção adequados.

A norma também estabelece que o responsável pela condução do animal deve ter, no mínimo, 18 anos de idade e possuir condições físicas de mantê-lo sob controle durante todo o percurso.

Descumprimento

No caso ocorrido no bairro Paraíso, conforme o relato da vítima, o cachorro estava solto na rua quando iniciou o ataque. Se essa circunstância for confirmada pelas autoridades, a situação é incompatível com as exigências previstas na legislação municipal, uma vez que um cão dessa raça não pode circular livremente em vias públicas.

Responsabilidade

O episódio soma-se a outros ataques envolvendo cães de grande porte registrados no país e volta a colocar em evidência a importância da guarda responsável dos animais. Especialistas em comportamento animal costumam destacar que a agressividade não está ligada exclusivamente à raça, mas também ao manejo, à socialização, ao treinamento e às condições em que o cão é criado.

Independentemente dessas questões, a legislação municipal estabelece medidas preventivas justamente para reduzir o risco de acidentes em locais públicos. O ataque registrado neste fim de semana reforça a necessidade de fiscalização e do cumprimento das normas, sobretudo em situações que envolvem animais com maior potencial de causar lesões graves.


Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…