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Polícia

Presa mulher por estelionato e dezenas de notas  promissórias são apreendidas  

Investigações apontam que clientes eram levados a assinar documento em branco, e utilizadas em cobranças fraudulentas

Por Jornal Agora· 4 min de leitura
Presa mulher por estelionato e dezenas de notas  promissórias são apreendidas  

Da Redação

Mais um caso de estelionato. Em 2025 foram registrados 2.261.055 ocorrências, que é equivalente a quatro golpes por minuto, segundo dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última quinta-feira, 23. Divinópolis e região não ficam de fora da estatística. Desta vez, em Carmo do Cajuru, a proprietária de uma loja de vestuário e artigos de cama, mesa e banho é suspeita de utilizar títulos preenchidos posteriormente para cobrar judicialmente dívidas inexistentes.

A suspeita, uma mulher de 52 anos, é investigada pelos crimes de estelionato, falsificação de documento particular, agiotagem e lavagem de dinheiro. Na operação que a prendeu, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços vinculados à suspeita. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores até o limite de R$ 100 mil.

Investigações

As investigações que começaram há cerca de seis meses, conduzidas pela Delegacia de Polícia Civil em Carmo do Cajuru, apontaram que a comerciante se aproveitava da relação de confiança estabelecida com clientes para obter assinaturas em notas promissórias em branco durante vendas parceladas. Os documentos continham apenas o nome e a assinatura dos consumidores, enquanto os valores eram registrados separadamente, em fichas e papéis mantidos sob a guarda exclusiva da investigada.

Mesmo após a quitação das compras, muitas vezes realizada em dinheiro diretamente à comerciante, as notas promissórias não eram devolvidas aos, permanecendo arquivadas no estabelecimento comercial ou na residência da suspeita.

Segundo as apurações da PC, posteriormente esses títulos eram preenchidos unilateralmente, com valores e datas incompatíveis com as transações originais, e utilizados para embasar ações judiciais de cobrança contra consumidores que já haviam quitado seus débitos ou sequer realizaram compras nas datas indicadas. Em um dos casos investigados, o sobrenome da vítima foi grafado incorretamente na promissória. Também foram identificadas divergências de caligrafia e marcas de grampos que indicam manipulação posterior dos documentos.

Conforme o delegado Weslley Castro, responsável pelas investigações, a atuação atingia, principalmente, pessoas em situação de vulnerabilidade, entre elas consumidores de baixa escolaridade e, em um dos casos, uma pessoa que declarou não saber lenem escrever. 

— As vítimas, em regra, somente tomavam conhecimento das supostas dívidas quando eram citadas judicialmente, sem qualquer cobrança extrajudicial anterior, circunstância que reforça os indícios da fraude — ressaltou.

Apreensões

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais civis encontraram dezenas de notas promissórias, muitas delas em branco e contendo apenas assinaturas de clientes, sem preenchimento de valores ou datas. Também foram encontrados conjuntos de promissórias assinadas por um mesmo consumidor, fichas cadastrais, envelopes com títulos arquivados e um caderno identificado como destinado ao agendamento de renegociação de dívidas.

Além das promissórias, foram apreendidos diversos cheques de terceiros, alguns assinados e em branco, documentos intitulados "Termo de Confissão de Dívida", um aparelho celular e outros papéis que reforçam os indícios da prática de agiotagem.

A prisão contou com o apoio da Polícia Militar de Minas Gerais (PM). Entre as medidas, a Justiça determinou o bloqueio de valores de titularidade da suspeita e da empresa, até o montante de R$ 100 mil, por meio do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), além da averbação de restrições sobre imóveis vinculados à investigada, visando assegurar eventual reparação dos danos causados às vítimas.

A apuração continua

A suspeita foi presa na última quinta-feira, 23, e já se encontra no presídio Floramar, em Divinópolis.

As investigações prosseguem para o completo esclarecimento dos fatos, com a realização de novas diligências, oitivas e análise do material apreendido. A PC orienta que pessoas que tenham sido alvo de cobranças semelhantes nos últimos seis meses procurem a delegacia da PC  em Carmo do Cajuru para registrar ocorrência e prestar informações, resguardando o sigilo necessário às apurações.

Outro caso 

A Delegacia de Estelionatos da Polícia Civil em Divinópolis prendeu em uma ocorrência que começou  na manhã desta terça-feira, 28, um homem de 35 anos pela prática do crime de estelionato e falsidade documental. O flagrante terminou no fim da tarde, quando o suspeito foi enviado ao presídio Floramar. Ele é natural de Divinópolis e tem várias passagens pela polícia, com registros de furtos, roubo, recepção,  outros estelionatos, etc

O golpe, que registrou a primeira ocorrência, na semana passada, era praticado por meio de Pix. O homem montava o comprovante e encaminhava para a empresa. Até o momento, são duas lojas que vendem joias, mas há suspeitas de que haja outras vítimas. O suspeito foi preso após voltar na mesma loja que praticou o crime na última semana, na tentativa de dar outro golpe.  Os donos desconfiaram e acionaram a polícia. 

A PC  diz que faz contato com outras possíveis vítimas e orienta que outras empresas que passaram pela mesma situação, procurarem a delegacia.

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