O fim do Camelódromo

Matheus Augusto
Anteriormente ocupado por toureiros e vendedores ambulantes, o quarteirão fechado da rua São Paulo contou ontem com a presença de órgão de segurança e servidores da Prefeitura. Uma força-tarefa foi montada para desmontar toda a estrutura do Camelódromo, com seus 78 boxes. O prazo para os vendedores deixarem o local e retirarem suas mercadorias terminou no último domingo, 12. A expectativa da atual Administração é realizar todos os procedimentos necessários para liberar o trânsito de veículos no local.
Futuro
A Settrans planeja abrir a parte de baixo da rua São Paulo para melhorar o fluxo do trânsito no Centro e fazer mais uma via de acesso para as ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O líder da pasta, Marcelo Augusto, contou que os estudos sobre como vai funcionar o transito no local e principalmente se a pavimentação existente vai aguentar o fluxo estão em fase final.
— Vamos estudar bem como serão as mudanças, pois a rua está em um local de grande movimento do Centro — confirmou.
Saída irregular
Conforme destacou ao Agora o advogado Robervan Faria, representante da Associação Profissional dos Vendedores Ambulantes (Aprovad) no caso, a Prefeitura deveria esperar o resultado de sua ação judicial para dar prosseguimento ou não à desocupação do Camelódromo.
— A Prefeitura jamais poderia ter feito a desocupação do Camelódromo. Primeiro, porque não existe nenhuma ordem judicial autorizando a desocupação. E segundo, porque existe uma ação anulatória na Justiça discutindo exatamente a validade do acordo feito entre o Município de Divinópolis e a Defensoria Pública para desocupação do Camelódromo em 12 de janeiro de 2020. Entendemos que esse acordo é nulo de pleno direito, pois a Defensoria Pública não juntou nos autos procuração com poderes especiais para fazer o acordo. Portanto, foi uma desocupação precipitada e ilegal, já que a validade do acordo para desocupação está “sub judice” — argumentou o advogado.
Robervan Faria ainda detalhou possíveis consequência judiciais à Prefeitura.
— A ação da Prefeitura poderá ter consequências jurídicas futuras, pois, se ganharmos a ação anulatória, anulando o acordo que foi feito, os camelôs poderão ajuizar ações indenizatórias contra a Administração pela ação desastrosa. Vale ressaltar também que a população de um modo geral não tem conhecimento do que de fato está acontecendo na questão Camelódromo, que é complexa. Já virou caso de polícia, com instauração de inquérito policial para apuração de crime de exercício ilegal de profissão e falsidade ideológica, ações indenizatórias e procedimentos disciplinares já em curso. Faltou cautela e prudência por parte do Município — concluiu.
Operação
A Administração informou ter retirado quatro caminhões lotados com lixo do local durante toda a operação. Sobre a estrutura removida, a Prefeitura comunicou que a Semsur estuda a melhor forma de aproveitamento dos boxes. Segundo a secretária da Semsur, Cláudia Machado, algumas secretarias já têm planos de utilização do material retirado do local.
— Vamos procurar usar da melhor forma tudo que der para aproveitar, o restante vamos direcionar à coleta seletiva — explicou.
Sobre os materiais encontrados em oito boxes, a Prefeitura comunicou que os produtos foram lacrados e identificados. A partir de agora, os proprietários terão 60 dias para fazer a retirada das mercadorias, mediante a apresentação da nota fiscal.
Equipe
A força-tarefa contou com a participação de agentes da Polícia Civil (PC), Polícia Militar (PM), Corpo de Bombeiros, Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur), Secretaria de Trânsito, Transportes e Segurança Pública (Settrans), Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente (Seplan) e servidores da Empresa Municipal de Obras Públicas e Serviços (Emop).
Com Natal,
sem Carnaval
Ao anunciar a desocupação no início de outubro do ano passado, a previsão era de que os trabalhadores deixassem o Centro de Comércio Popular em 1º de dezembro. No entanto, após protestos na Câmara e novos encontros com a Prefeitura, o prazo foi estendido para 12 de janeiro. Como anunciado pelos vendedores, dezembro é o mês de aumento nas vendas em razão do 13º salário e do Natal.
Justificativa
Segundo a Prefeitura, a decisão foi tomada com base em uma série de fatores. O procurador-geral do Município, Wendel Santos de Oliveira, explicou, em outubro, que os ambulantes atuavam irregularmente, sem a devida autorização, pois os documentos que permitiam as vendas no local estavam vencidos. Ainda de acordo com o procurador, é de interesse da atual Administração cumprir a lei de Mobilidade Urbana, responsável por determinar a desocupação da área. Por fim, Wendel ainda reforçou a decisão por informações repassadas por órgãos de segurança que apontam a comercialização de atividades ilícitas por parte de alguns trabalhadores.
Protesto
Faixas de protesto ocupam o Camelódromo há algum tempo. “Hoje somos nós, camelôs, que estamos desempregados. Em 2020, serão vocês, vereadores!”, destacava uma. Em outra era possível ver a seguinte mensagem: “Cliente do camelódromo, o prefeito Galileu vai entrar para a história de Divinópolis. A partir do dia 13/01 vai deixar 150 pais de famílias desempregados. Parabéns, prefeito e sua gestão”.
Na teoria
A Prefeitura desocupou o Camelódromo. No entanto, no papel, o local já havia sido dissolvido. Em decreto publicado no dia 19 de dezembro, o Executivo revogou outro decreto, responsável por autorizar os profissionais licenciados a ocupar o espaço. Publicado em 2008, pelo ex-prefeito Demetrius Arantes Pereira, o documento também regulamentava o local e horário de funcionamento. Ao revogar o decreto, a Prefeitura explicou que, uma vez acordada a saída dos ambulantes do local, não faria sentido manter o documento em vigor.
Leia também
Zona rural de Divinópolis recebe mutirão de limpeza
Remoção do Camelódromo tem início nesta manhã
Divinópolis: Homem é preso duas vezes em menos de 24h
Defesa Civil alerta para tempestade em Divinópolis
Ação contra desocupação do Camelódromo ainda está na Justiça
Três bairros de Divinópolis ficam sem água nesta quarta-feira
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em janeiro de 2020
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…


