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Ação contra desocupação do Camelódromo ainda está na Justiça

Por Portal Agora
Ação contra desocupação do Camelódromo ainda está na Justiça

Matheus Augusto

Sob uma tenda no quarteirão fechado da rua São Paulo, 78 boxes eram abrigados. Desde ontem, apenas a tenda ainda resiste à ação de Prefeitura de desocupar o Camelódromo.

A Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Divinópolis indeferiu, na segunda-feira, 13, às 17h39, a liminar apresentada pelo advogado Robervan Faria para suspender a ação da Prefeitura. No entanto, conforme explicou ao Agora, o documento havia perdido sua validade, visto que, no horário em que foi publicada, a remoção dos ambulantes já havia sido finalizada. Segundo o advogado, a decisão judicial deveria ter sido proferida antes da desocupação.

Em andamento

O advogado Robervan Faria, representante da Associação Profissional dos Vendedores Ambulantes de Divinópolis (Aprovad) no caso, reafirmou à reportagem que sua ação contra a validade do acordo firmado entre Prefeitura e a categoria com a presença da Defensoria Pública ainda continua em análise no Judiciário. Na reunião que definiu a desocupação do espaço para o dia 12 de janeiro, o advogado não foi convidado para participar e defender os interesses da classe.

Ao Agora, o advogado voltou a reafirmar que o acordo firmado naquela oportunidade é nulo, pois, inclusive, não deveria contar com a participação da Defensoria Pública.

— Entendemos que esse acordo é nulo de pleno direito, pois a Defensoria Pública não juntou nos autos procuração com poderes especiais para fazer o acordo — explicou.

Além disso, Robervan conta que a Prefeitura deveria ter aguardado o resultado da decisão judicial, ainda em trâmite, que questiona a validade do acordo.

Decisão

No documento, o juiz Marlúcio Teixeira de Carvalho constata a homologação do acordo entre a Aprovad e a Prefeitura para que os ambulantes desocupassem o local até o dia 12 deste mês. O juiz ainda cita que o documento, posteriormente homologado pelo Judiciário, foi assinado pela presidente e pela vice-presidente da associação.

— Lado outro, a Municipalidade é a legítima detentora de área pública, cabendo a ela o poder discricionário, segundo a conveniência do bem comum e do interesse público, de determinar e limitar locais de realização de comércio ambulante — argumenta Marlúcio.

O juiz também diz considerar todos os procedimentos “legítimos”.

— Isto posto, entendo inexistentes os requisitos necessários para a concessão da tutela de urgência ora pleiteada, posto que aparentemente e pelo menos em tese é legítimo, não só o acordo homologado em juízo, bem como a determinação para os ambulantes desocuparem o Camelódromo em questão — explica.

O responsável pela decisão ainda argumenta que a Prefeitura concedeu um prazo razoável para a categoria deixar o Camelódromo.

— Os argumentos e provas carreadas aos autos não me convenceram da verossimilhança das alegações. Além de o acordo ter sido firmado entre a Associação interessada e o Município, este acordo concedeu prazo mais do que razoável para a desocupação do local.

Além disso, Marlúcio alega que a insatisfação de alguns profissionais não é motivo para revogar a decisão, visto que os representantes da categoria assinaram o acordo.

— De se registrar ainda que a opinião isolada de um ou mais membros da Associação não tem o condão de desconstituir um ato que foi deliberado e firmado pelos legítimos representantes da Associação — concluiu.

Por fim, ele declara não ter visto a necessidade da presença do advogado da categoria, Robervan Faria, no encontro responsável por firmar o acordo.

— "Data vênia" também não vislumbrei nos autos nenhuma procuração outorgada pela Associação para o advogado subscritor da petição inicial, bem como nenhum outro documento que indicasse a necessidade de o referido advogado estar presente ou representando a Associação na realização do referido acordo — finaliza o juiz.

Protesto

Parte dos vendedores ambulantes esteve ontem na rua São Paulo, porém no quarteirão de cima, na Câmara Municipal. Com cartazes em mãos, a categoria protestou contra a retirada do local. “Hoje somos nós, amanhã são vocês, vereadores. A eleição está aí!!!” e “Galileu, ontem vocês deram faxina na nossa casa. Em outubro é a vez de vocês” exibiam algumas das mensagens.

Em um dos pilares da estrutura do quarteirão também é possível ver folhas com os seguintes dizeres: “Covardia contra o trabalhador” e “Camelôs vão passar fome. E agora?”.

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