O poder do agora da juventude à mulher que sustenta

Ainda no mês das mulheres, aproveito para falar um pouco mais da minha jornada, do ponto de partida até a mulher que me tornei.
A juventude que me habita era intensa, inquieta e profundamente atravessada por uma vaidade que não era só sobre aparência, mas sobre pertencimento; sobre encontrar no espelho uma versão de mim que finalmente fizesse sentido, que me trouxesse segurança, que silenciasse aquela sensação constante de ainda não ser suficiente.
Mas, antes mesmo da estética, antes da formação, antes da profissão… eu já estava sendo construída.
Filha de uma mulher que é base, fé, força e intuição, daquelas que parecem enxergar além do tempo, cresço aprendendo, mesmo sem perceber, que sustentar vai muito além de resistir. Minha mãe não precisa de discursos longos para ensinar. Ela ensina na forma como permanece, na forma como acredita, na forma como segue, mesmo quando não há garantias. Com ela, aprendo que a verdadeira força não está no controle, mas na constância. Que fé não é sobre esperar, é sobre continuar.
E, de um pai negociante nato, “catireiro de gado”, cresci no meio de conversas, trocas, decisões e movimentos que, na simplicidade do interior, carregam uma inteligência que não se aprende em livros.
A “catira”, como chamamos, não é só negociação.
É leitura de pessoas.
É sensibilidade.
É presença.
E, mesmo sem perceber, eu aprendia.
A estética veio depois.
No início, ela era execução.
Com o tempo, tornou se construção.
Uma estética que ultrapassa o visível, quase como um reencontro com a própria essência, uma renovação da versão mais potente de um ser.
E foi vivendo tudo isso, empresa, crescimento, maternidade, gestão, pessoas, que algo dentro de mim começou a se transformar de forma mais profunda do que qualquer resultado estético poderia alcançar.
Porque, no início, a estética, para mim, era sobre resultado.
Sobre fazer mais.
Sobre entregar mais.
Sobre transformar.
Mas o tempo… ele educa.
E ele me ensina que muitas das mulheres que chegam até mim não querem mudança.
Elas querem reencontro.
E essa é a virada mais importante da minha trajetória.
Eu saio de uma estética da juventude vaidosa, aquela que busca incessantemente, para uma estética da mulher que sustenta.
Sustenta sua história.
Sustenta suas escolhas.
Sustenta quem se torna.
Hoje, eu não acredito em procedimentos que apagam.
Acredito em cuidados que respeitam.
Não acredito em padrões que enquadram.
Acredito em identidades que se revelam.
O poder do agora, na estética, não está no excesso, nem na intervenção desenfreada, nem na tentativa de alcançar uma versão idealizada de si mesma, ele está na presença, na consciência de escolher, com clareza, aquilo que faz sentido para a mulher que você é hoje, e não para a mulher que um dia disseram que você deveria ser.
Uma estética não invasiva. Preventiva. Atual.
Mas, acima de tudo, uma estética com integridade.
Menos excessos.
Mais intenção.
Menos padrão.
Mais verdade.
Porque o agora não permite distorção.
Ele exige coerência.
E talvez essa seja a maior transformação de todas…
Não é apenas sobre mudar rostos. Aqui o desejo é de apoiar mulheres.
Mulheres que já viveram, que já tentaram, que já buscaram e que hoje não querem mais se perder em versões irreais, mas se reconhecer com leveza, com segurança, com presença.
Essa é a estética em que acredito.
Essa é a estética que me atravessa.
Essa é a mulher que escolho ser, todos os dias.
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