Quando o toque define o que existe!

Daiany Melo
Existe um lugar na estética que não se aprende em protocolo, não se replica em treinamento técnico e não se sustenta apenas com resultado visível. É um lugar mais silencioso, mais sutil, mas que, na prática, define tudo: o encontro entre quem toca e quem é tocado.
Ao longo dos anos, eu fui entendendo que o toque nunca foi apenas uma ação mecânica. Ele sempre carregou existência, leitura, presença. Mesmo antes de nomear com clareza, isso já se manifestava no meu sentir, no meu olhar, na forma como eu me colocava diante de cada mulher. Porque o toque revela a forma como quem está ali se coloca diante do outro. E, quando essa consciência não existe, o que se faz pode até gerar resultado, mas dificilmente sustenta verdade.
Quando penso nesse toque que realmente transforma, me atravessa o pensamento de Baruch Spinoza, quando fala sobre os afetos e sobre como somos modificados pelos encontros. Porque é exatamente isso que acontece ali. O toque é um encontro. E todo encontro ou expande ou reduz a potência de existir.
E essa diferença não está na técnica.
Está na existência que se coloca ali.
Recentemente, ao iniciar minha trajetória com Jean-Paul Resseguier, fisioterapeuta francês, assim como eu, atuando há mais de 40 anos com o método do sensível, algo se organizou com ainda mais clareza. Não como algo novo, mas como algo que encontrou linguagem, corpo e direção. Porque ali não existe intenção projetada, não existe tentativa de alcançar algo depois. Existe presença. Existe ação que nasce no agora. Existe o viver que acontece no próprio ato.
Ali, o toque deixou ainda mais evidente um lugar que, de alguma forma, eu já buscava sustentar. Não sobre fazer mais, mas sobre EXISTIR melhor. Sentir o que pede espaço, o que já é excesso, o que precisa ser respeitado e, principalmente, o que deve ser atravessado. E isso amplia não só a técnica, mas a forma de sentir o todo. Vai para além da forma de como atendo, como escuto, como oriento, simplesmente estar lá! Porque existe uma linha muito fina, de quem se coloca na condição de saber, entre cuidar e interferir. E é no toque consciente que essa linha é respeitada.
Hoje, quando eu olho para dentro das clínicas, eu entendo que esse é um dos maiores desafios: como fazer um time inteiro sair do automático e aprender a enxergar de verdade. Porque não se trata apenas de ensinar protocolo. Se trata de formar percepção, de sustentar presença, de alinhar existência. E isso não se ensina apenas falando. Se constrói vivendo, se fortalece na repetição e se sustenta na coragem de não ceder ao fácil. Passa do lugar de técnica, para viver o acompanhamento do existir real.
E é exatamente aqui que, a partir de agora, esse movimento ganha ainda mais força.
Aquilo que sempre esteve presente no meu sentir e no meu saber passa a ser intensificado na prática com o time. Passa a ser direcionado, alinhado e sustentado de forma consciente em cada atendimento, em cada escolha, em cada condução.
Porque não se trata mais apenas de uma percepção individual.
Se trata de uma cultura do viver, viver o BELO DO existir.
E o cliente percebe. Mesmo sem saber nomear. Ela sente quando existe verdade no cuidar, quando o toque respeita, quando não existe pressa, quando não existe excesso, quando não existe tentativa de encaixar. O que ela sente não é só o procedimento, é o ambiente, é a condução, é a segurança de quem está ali. E isso muda completamente o resultado.
Porque o toque não começa na pele. Ele começa no sensível. E é nesse lugar que a beleza, de fato, se revela. Não como algo que precisa ser criada, mas como algo que emerge quando existe coerência entre o que a mulher e homem são, o que somos, como isso ressoa no agora.
E é aqui que tudo se AFETA. Sobre quem afeta e que também é afetado!!!
Eu sou Daiany Melo, fisioterapeuta, empresária, mãe, filha, companheira. E sigo aprofundando um caminho que sempre esteve em mim, mas que agora se expande, ganha direção e se fortalece na ação.
Porque, no final, não é a técnica que define o formato.
É a existência com que se toca a existência do outro.
E é no viver real do existir que isso, de fato, acontece.
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