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Saúde

Paciente que agonizava na UPA consegue vaga na UTI

Por Portal Agora
Paciente que agonizava na UPA consegue vaga na UTI

 

Gisele Souto

 Depois de 15 dias vivendo um pesadelo, sem dormir e se alimentar direito, batendo cartão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) todos os dias, sem ter a certeza se iria encontrar o filho vivo, Jésus Caetano, de 72 anos, finalmente sentiu um pouco mais de alívio. Saiu ainda na noite de sexta-feira, por volta das 21h, a vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para seu filho.

O drama do paciente foi publicado na edição deste fim de semana do Agora. Desde a internação, no dia 23 março, lutava para que seu filho tivesse o atendimento necessário indicado pelos médicos que o assistiam. O leito extra foi disponibilizado pelo Hospital São João Deus, onde  Geraldo Rogério Caetano, 43 anos, ficou cerca de três meses, entre idas e vindas, realização de cirurgia e 30 dias na UTI.

Entenda o caso 

Tudo começou em novembro do ano passado, quando Geraldo Cetano, o filho do seu Jésus, envolveu-se em uma briga na rua. A ocorrência foi registrada na avenida 1º de Junho com Itapecerica, Centro da cidade, onde ele discutiu com moradores de rua, no dia 26. Foi atingido por trás, não se sabe se foi com uma faca ou garrafada, próximo ao pulmão. Ele foi levado pelo Samu para o Hospital São João de Deus, onde ficou internado por oito dias, quando recebeu alta e foi para casa. Porém, ficou agendado um retorno para o dia 12 de dezembro, quando seria submetido a um exame de raio X.

A gravidade 

O resultado do exame apontou que ele estava com uma grave infecção pulmonar; então, foi submetido a uma cirurgia no dia 14, já na UTI. Lá sofreu uma parada cardíaca, houve uma tentativa de ressuscitação de 17 minutos, quando os profissionais conseguiram reanimá-lo. Mas o pior ainda estava por vir. Faltou oxigênio cérebro, causando grandes sequelas, inclusive a perda da fala. Ficou 30 dias ainda na UTI e, no dia 19 do mês passado, foi para o quarto, já que apresentava leve melhora. De lá foi para casa novamente, porém, 48 horas depois, dia 21, teve um sério agravamento na saúde em casa e o Samu o levou de volta ao São João de Deus.

O pior 

Ao chegar ao hospital, Jésus Caetano, o pai, foi informado que não havia vaga. Sem opção, pois depende do SUS, aceitou levar o filho para UPA, onde ficou até a noite da última sexta-feira em estado grave.

No fim da tarde de sexta-feira, 6, a reportagem ouviu o São João de Deus, a UPA, a Prefeitura e, principalmente, a família de Geraldo Rogério sobre a situação. À noite, o hospital disponibilizou a vaga.

Jésus Caetano havia acionado a Justiça sobre a situação do seu filho. Porém, apesar de o juiz ter concedido a liminar na última segunda-feira, 3, obrigando o Município ou Estado a encontrar uma vaga para Geraldo Caetano, até a sexta-feira, a liminar que determina 48 horas para o cumprimento ainda não havia sido atendida. Questionada, a Prefeitura informou que cabia ao Estado encontrar a vaga, já que o paciente estava na fila na Central de Regulação.

 O hospital 

Em nota de resposta à publicação veiculada na página 4 na edição de número 12.247 do Jornal Agora do fim de semana, com o título “Homem está há 17 dias à espera de vaga em CTI”, o Hospital São João de Deus por meio da assessoria de comunicação informou que o paciente de 43 anos citado na matéria encontra-se internado na UTI Adulto da unidade de saúde, desde as 21h da última sexta-feira, 6, e passa por tratamento com especialistas.

A disponibilização da vaga, segundo a assessoria, somente foi possível diante da solicitação da Central de Regulação, responsável por designar quais pacientes deverão ser transferidos da Unidade de Pronto Atendimento para algum dos hospitais especializados para o tratamento de cada caso.

O Hospital São João de Deus divulgou ainda que, diante da solicitação de vaga da Central de Regulação e ausência de leitos disponíveis para receber o paciente, foi necessária a disponibilização de um leito de convênio por parte do HSJD, para que então o paciente do SUS pudesse ser recebido na unidade.

 

 

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