Pastor e família são presos por suspeita de participação em esquema de fraudes na região

Lucas Maciel
Golpes financeiros têm se tornado cada vez mais comuns, especialmente entre as pessoas mais vulneráveis da sociedade, como idosos e aposentados. O crescente uso de tecnologia também tem ampliado as possibilidades para os golpistas, que se aproveitam de métodos sofisticados para enganar as vítimas, causando grandes danos financeiros e emocionais.
Foi com o intuito de combater esse tipo de crime que a Polícia Civil (PC) desmantelou um esquema de fraudes financeiras em Divinópolis, Carmo do Cajuru e outras cidades da região.
O Agora teve acesso a um destes casos e conversou com a delegada responsável pela operação, que deu mais detalhes sobre os fatos.
Operação
A operação da PC foi deflagrada nesta quarta-feira, 5, e prendeu preventivamente um homem de 41 anos, ex-pastor de uma igreja evangélica, a esposa, de 42 anos, e a filha do casal, de 21.
Os três operavam em uma empresa de crédito consignado e se aproveitavam de idosos, pensionistas e pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente aquelas que já eram endividadas, para aplicar os golpes.
A delegada responsável pelo caso, Adriene Lopes, explicou, em entrevista ao Agora, a maneira como a família agia.
— As vítimas contaram que já possuíam um empréstimo consignado e, devido ao endividamento, solicitaram providências. Elas, então, compareceram à loja física dos investigados em busca de uma solução — declarou.
A partir daí, os suspeitos começaram a enganar as vítimas. A proposta era reunir todas as dívidas em uma única prestação, oferecendo uma portabilidade com juros mais baixos e parcelas reduzidas. Além disso, garantiam que as vítimas ainda ficariam com um "troco", ou seja, um crédito.
A ideia era transferir o empréstimo de um banco para outro, prometendo um retorno financeiro e a redução das parcelas. No entanto, o verdadeiro objetivo dos criminosos era desviar o dinheiro durante esse processo.
— Tudo era uma fraude. Na verdade, os suspeitos realizavam mais empréstimos em nome das vítimas, e os valores liberados para elas, eram transferidos para as contas deles — contou.
Investigação
As apurações tiveram início em setembro de 2024, após várias vítimas denunciarem os golpes.
— Nós começamos a investigação por meio de denúncias das vítimas, que compareceram na delegacia falando que foram lesadas, enganadas e tiveram prejuízos financeiros — lembrou a delegada.
A investigação revelou, ainda, que os suspeitos já haviam cometido fraudes semelhantes em outras cidades de Minas Gerais, o que indica reincidência criminosa e risco de novos golpes. Muitas vítimas, incluindo idosos com problemas de saúde, só perceberam o crime quando começaram a notar descontos indevidos em seus benefícios.
Caso
O Agora teve acesso ao boletim de ocorrência de um dos casos, onde uma idosa, de 77 anos, denunciou a situação após ser vítima do golpe de estelionato.
O crime, que ocorreu em dezembro de 2023, envolveu a manipulação da vítima por um grupo que se apresentou como pessoas de confiança, levando-a a contrair empréstimos e transferir um total de R$ 15.549,54 para contas de indivíduos envolvidos no esquema.
O caso foi registrado na 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, onde a vítima compareceu acompanhada por um familiar para relatar a situação. Segundo as informações coletadas, os golpistas utilizaram táticas de persuasão e engano, fazendo com que a idosa acreditasse que estava realizando transações legítimas e seguras.
A abordagem cuidadosa e a confiança depositada naqueles que se apresentaram como amigos ou conhecidos foram fatores que facilitaram a ação criminosa.
Outras vítimas
Além desta idosa, a Polícia Civil informou que existem diversas vítimas não só em Divinópolis, mas também em outras cidades da região, como Carmo do Cajuru. A delegada detalhou o principal público-alvo dos suspeitos.
— Temos vítimas de Divinópolis e de várias cidades de Minas Gerais. Os principais públicos dos autores eram aposentados e pensionistas do INSS e também servidores públicos e militares. Eles trabalham com empréstimo consignado e são correspondentes bancários, ou seja, trabalham intermediando as transações entre o banco e os clientes — explicou a delegada.
Em um dos casos, o prejuízo foi de mais de R$ 89 mil. No entanto, além das vítimas já identificadas, a PC acredita que ainda existam outras. As investigações seguem nesse sentido.
— Existem outras vítimas. Os suspeitos também trabalham com call center e mantêm contato com as pessoas por telefone. Muitas pessoas acabam fazendo empréstimos dessa forma — completou.
Materiais apreendidos
Durante a ação, foram apreendidos documentos, computadores, celulares e outros equipamentos nas casas dos alvos e em estabelecimentos comerciais, incluindo a matriz da empresa no bairro Santo Antônio, em Divinópolis, e outro ponto no centro de Carmo do Cajuru.
O objetivo da operação foi coletar materiais que possam contribuir com as investigações, que continuam para identificar outras vítimas e desmantelar completamente o esquema.
— Os três investigados foram presos preventivamente e encaminhados ao sistema prisional. Ao final do inquérito, eles poderão ser indiciados pelos crimes de estelionato qualificado contra idosos — informou a Polícia Civil, em nota.
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