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Política

Patrus Ananias aposta em combate à fome e fortalecimento do Estado 

Apoiado por Lula, candidato defende ampliação de políticas públicas, recuperação da capacidade de investimento e preservação de empresas estatais 

Por Gabriela Lara · Redação· 4 min de leitura
Patrus Ananias aposta em combate à fome e fortalecimento do Estado 

Patrus Ananias (PT) é o nome apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o Governo de Minas. Natural de Bocaiúva, no Norte do estado, o petista já foi vereador e prefeito de Belo Horizonte, deputado federal e ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Agora, tenta pela segunda vez chegar ao Palácio Tiradentes.

O plano de governo para o período de 2027 a 2030 apresenta propostas organizadas em torno do desenvolvimento econômico e social, da redução das desigualdades, da participação popular e do fortalecimento das políticas públicas. O documento também defende a recuperação da capacidade de investimento do Estado e a preservação de empresas públicas estratégicas.

É a partir dessas diretrizes que o Agora dá sequência à série especial sobre os planos de governo dos principais candidatos ao Palácio Tiradentes, apresentando as propostas de cada candidatura para diferentes áreas.

Participação popular

Entre as principais diretrizes está a ampliação da participação da população na elaboração e no acompanhamento das políticas públicas. O plano propõe fortalecer conselhos regionais, criar mecanismos digitais de participação e retomar o orçamento participativo como instrumento de planejamento.

A proposta também prevê um ciclo de planejamento e orçamento participativo, com canais para apresentação e monitoramento de propostas da população.

Educação e saúde

Na educação, Patrus propõe modernizar a rede pública, valorizar professores, ampliar a educação em tempo integral e combater a evasão escolar. O documento também prevê investimentos em tecnologia, fortalecimento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e ações voltadas à saúde mental dos profissionais. Entre as propostas está ainda a retomada da gestão pública de escolas privatizadas e o fim da militarização da rede estadual.

O plano defende o fortalecimento da UEMG e da Unimontes, com financiamento adequado, valorização das carreiras, realização de concursos e melhorias na infraestrutura. Também prevê ampliação dos investimentos da Fapemig.

Na saúde, a proposta é fortalecer o SUS, reduzir filas, ampliar a atenção primária e regionalizar a oferta de serviços. O documento prevê ainda o fortalecimento dos hospitais regionais e da FHEMIG, além de mudanças no sistema de regulação de vagas.

“Minas livre da fome”

Uma das prioridades apresentadas é a segurança alimentar, com a meta de construir uma “Minas livre da fome”. Entre as medidas estão o fortalecimento da agricultura familiar, cozinhas comunitárias, restaurantes populares e programas de compra e distribuição de alimentos.

Na habitação, o plano prevê aluguel social, subsídios, regularização fundiária e ampliação de programas destinados à população em situação de vulnerabilidade.

Infraestrutura e estatais

O documento aponta a necessidade de reduzir desigualdades regionais por meio de investimentos em estradas, ferrovias, transporte e integração territorial. Também propõe uma política ferroviária estadual, incluindo transporte regional de passageiros e trens turísticos.

Na área das empresas públicas, o plano defende a manutenção do controle estatal da Cemig e a preservação da Codemig e da Codemge. Também propõe revisar a privatização da Copasa.

Mineração e meio ambiente

Para a mineração, Patrus propõe ampliar a agregação de valor aos minerais extraídos em Minas, aumentar a transparência na aplicação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) e fortalecer medidas de recuperação ambiental. O plano também prevê a criação de um Polo Mineiro de Industrialização do Lítio.

Na área ambiental, estão previstas ações de combate às mudanças climáticas, proteção de florestas e bacias hidrográficas, além do fortalecimento do saneamento e da gestão de resíduos.

Economia e contas públicas

O plano classifica a situação fiscal de Minas como estruturalmente crítica e propõe mudanças nas condições de pagamento da dívida estadual. Entre as medidas está a ampliação do período de transição previsto no Propag, de cinco para dez anos, além da busca por recursos para investimentos em infraestrutura, saneamento, educação, habitação, mobilidade e ações climáticas.

O documento também defende o combate à sonegação, revisão de benefícios fiscais, novas receitas provenientes da mineração, diversificação da economia e valorização dos servidores públicos.

Cultura, direitos e segurança

Na cultura, o plano prevê descentralização de recursos, fortalecimento do Fundo Estadual de Cultura, preservação do patrimônio e ampliação das políticas culturais. Também defende o fortalecimento da Empresa Mineira de Comunicação, da Rede Minas e da Rádio Inconfidência.

A proposta inclui políticas específicas para mulheres, igualdade racial, povos indígenas, comunidades quilombolas, juventude e população LGBTQIAPN+.

Na segurança pública, Patrus propõe ampliar a integração entre órgãos, fortalecer a inteligência e a investigação e adotar medidas de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a população negra. O plano também prevê mudanças no sistema prisional e ações de ressocialização.

Trajetória

A primeira disputa eleitoral de Patrus ocorreu em 1988, mas sua atuação política começou ainda na década de 1970, em movimentos sociais que contribuíram para a formação do PT.

Como prefeito de Belo Horizonte, implantou o Orçamento Participativo e políticas de combate à fome e à desnutrição, incluindo os Restaurantes Populares. Em 2004, foi chamado por Lula para comandar o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, onde participou da consolidação do Bolsa Família e da estruturação da política nacional de combate à fome e à pobreza.


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