PC desarticula organização criminosa que tem como integrante pastor Jesiel

Da Redação
O pastor Jesiel que responde a vários inquéritos e processos criminais por estelionato qualificado, e que já foi condenado pelo exercício ilegal da profissão de advogado e à pena de 33 anos de reclusão e 345 dias-multas, novamente é investigado pela Polícia Civil (PC), agora em Belo Horizonte. A corporação, por meio do Grupo de Combate Organização Criminosa (GECOC), com atuação junto ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP), pede sequestro de R$ 170.271.618,73, nas contas bancárias, aplicações financeiras, títulos de capitalização, cadernetas de poupança, investimentos, entre outros, vinculados aos CPFs dos integrantes da organização criminosa.
Relatório de Inteligência adquirido pelas autoridades envolvidas revela informações relevantes sobre operações financeiras suspeitas ligadas ao pastor Reginaldo de Carvalho Gonçalves que também responde na Comarca de Belo Horizonte por envolvimento com o tráfico de drogas. A investigação identificou cinco empresas nas quais o suspeito aparece como sócio/presidente, sendo que em duas, figura como único proprietário, em mais duas, integra os quadros juntamente com familiares e em uma divide a sociedade com sua esposa.
Segundo o relatório do Coaf, Reginaldo é suspeito das condutas, no período inferior a dois anos, entre maio de 2017 e fevereiro de 2019. Segundo uma das vítimas de Jesiel, Reginaldo adoeceu e Jesiel assumiu o comando o grupo. Reginaldo já figurou como fiador de Jesiel em locação para a Igreja Batista Filadélfia em Divinópolis, da qual é pastor titular.
Valores
O montante usado em transações diversas, tanto pela conta de pessoa física como, principalmente, por meio das empresas, sem que houvesse a devida compatibilidade entre as receitas informadas chegou a R$ 52.830.77,00. Conforme as denúncias, nos diversos bancos de dados policiais, assim como na base da Receita Federal, o endereço de Reginaldo e de toda família, chamou atenção que o imóvel é a residência familiar e o local de funcionamento de três das seis empresas do grupo de pessoas que movimentou um montante sinalizado pelo Coaf de R$ 52 milhões. Com as provas documentais, foi representado pela quebra dos sigilos telefônicos, telemáticos, fiscais e bancários de pessoas físicas e jurídicas. O objetivo foi verificar a hipótese que os investigados, as empresas que inclui até uma igreja evangélica, Catedral Embaixada de Deus, integram uma rede de lavagem de capitais e ocultação de patrimônio.
De fachada
As investigações também possibilitaram a construção de um perfil fiscal das pessoas jurídicas vinculadas aos investigados, apontando, da mesma maneira que as empresas não apresentaram tributação compatível com a movimentação financeira. Segundo o relatório constante na Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Defis), o documento que traz diversas informações sobre uma empresa, como ganhos de capital, quantidade de funcionários, vendas e compras interestaduais e rendimentos dos sócios, nenhuma das empresas apresentou dados que indicassem efetivo funcionamento das empresas.
Além disso, o relatório do Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (PGDAS), usado para calcular os impostos a serem pagos por empresas optantes desse regime tributário, emitido pela Receita Federal, mostra todos os detalhes. O resultado mostrou que para as empresas investigadas não houve apontamento de impostos a serem pagos no período analisado (entre 2015 e 2019). Ou seja, as empresas declararam não ter exercido qualquer atividade, apesar das grandes movimentações bancárias.
Ainda segundo o inquérito, as movimentações identificadas pelo Coaf já chamavam a atenção ao serem correlacionadas com os dados apresentados anteriormente, justamente por não apresentarem lastro, os dados vindos das planilhas. Neste sentido, ampliaram o buraco existente entre as movimentações e valores comprovados pelos sócios e empresas e o dinheiro movimentado nas contas de alguns investigados.
Quebra de sigilo
Ainda conforme dados fornecidos pela Receita Federal, os investigados movimentaram, entre pessoa física e jurídica, o montante de R$ 84.304.223,61. Para se identificar a origem e o destino das transações, a análise dos dados bancários foi feita com autorização judicial. Durante a interceptação telefônica, alguns diálogos levantaram suspeitas sobre o patrimônio de Reginaldo, uma vez que, em pesquisas feitas na Central Eletrônica de Registro de Imóveis do Estado de Minas Gerais (CRI-MG). A investigação encontrou somente dois registros nos quais o investigado consta como herdeiro neto em dois espólios. Já na declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física, para o ano calendário 2019, não há apontamento de bem imóvel para o suspeito.
Jesiel
O relatório da Polícia Civil tem o objetivo de apresentar os resultados das análises dos elementos colhidos nas cautelares, que incluem dados obtidos por interceptação telefônica, telemática e a quebra dos sigilos fiscais e bancários. Os documentos enviados pelas instituições bancárias compreendem o período entre os dias 1º de dezembro de 2015 e 20 de novembro de 2020 e abrangeram 22.049 transações bancárias, divididas por investidores. Entre os nomes que mostram os valores, o pastor Jesiel Costa Oliveira é citado com transações no valor de R$ 311.518,31.
Não é a primeira
O pastor Jesiel foi condenado a 33 anos de prisão, no ano passado, por crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Em outro inquérito da PC, o líder da Igreja Batista Filadélfia em Divinópolis, voltou a ser alvo de inquérito policial pelos mesmos crimes. A acusação foi feita em Belo Horizonte. O Agora teve acesso ao inquérito policial, o qual uma vítima acusa o pastor da prática.
A vítima era empresário, proprietário da Alfa Turismo Ltda e também advogado, tendo atuado na defesa de Jesiel no processo em Divinópolis, este acima de 33 anos, e relata ter sido enganado pela organização criminosa liderada pelo pastor. O grupo, conforme a notícia de fato, tem o envolvimento com outros integrantes, entre eles o seu contador. De acordo com as informações, o grupo teria aplicado sucessivos golpes entre 2019 e 2025, baseados em falsas promessas de negócios, abertura de contas bancárias para movimentar valores milionários e investimentos fraudulentos, culminando no prejuízo indicado de R$ 4.918.821,84.
A exemplo do inquérito anterior, este último já foi enviado para o Ministério Público.
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