Pedido de adiamento salarial reacende risco de paralisação no transporte coletivo de Divinópolis

Da Redação
Após o Consórcio TransOeste encaminhar um ofício ao sindicato dos rodoviários solicitando o adiamento do adiantamento salarial previsto para esta terça-feira, 20, a medida gerou insatisfação e revolta entre os trabalhadores. A informação inicial, repassada na última sexta-feira, 16, acendeu o alerta para uma possível greve para os próximos dias. A decisão vai depender do posicionamento oficial do consórcio, da realização de uma reunião com o sindicato e do encaminhamento dado pelo poder público municipal, que, até o fechamento desta matéria, ainda não havia apresentado uma definição.
Entenda
O alerta foi disparado após o Consórcio TransOeste enviar ao Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários e Urbanos de Divinópolis (Sinttrodiv) um ofício comunicando dificuldades financeiras e solicitando, em caráter excepcional, o adiamento do adiantamento salarial dos funcionários. O benefício corresponde a 40% do salário fixo e, segundo o sindicato, é fundamental para o orçamento mensal dos trabalhadores.
A solicitação foi recebida pela diretoria sindical e gerou imediata preocupação entre o sindicato, que passou a discutir a possibilidade de paralisação caso o pagamento não fosse realizado dentro do prazo habitual.
Argumentos do consórcio
No documento, o Consórcio TransOeste alega enfrentar um grave desequilíbrio econômico-financeiro. Entre os principais fatores citados estão o congelamento da tarifa do transporte coletivo há seis anos, a ausência de subsídios públicos e o aumento contínuo dos custos operacionais. Segundo a empresa, esse conjunto de fatores teria tornado a operação deficitária e insustentável.
O consórcio afirma ainda que a situação compromete não apenas a saúde financeira das empresas consorciadas, mas também a própria continuidade da prestação de um serviço público essencial à população de Divinópolis. No ofício, a TransOeste classifica o cenário como “gravíssimo” e afirma que a medida solicitada seria temporária e excepcional, com o objetivo de evitar um colapso do sistema de transporte urbano e a consequente perda de postos de trabalho.
Reação do sindicato
O presidente do sindicato, Erivaldo Adami, explicou que o comunicado causou forte apreensão entre os trabalhadores. Segundo ele, o adiantamento salarial é um compromisso esperado mensalmente pelos rodoviários e sua ausência pode gerar grande impacto financeiro para as famílias.
Erivaldo destacou que a insatisfação dos trabalhadores já vinha se acumulando desde dezembro, quando o consórcio deixou de efetuar o pagamento das diferenças de horas extras a 123 funcionários. O valor total devido, conforme informado pelo sindicato, é de R$ 62.834,81. Para a categoria, o não pagamento dessas horas extras, somado à possibilidade de atraso no adiantamento salarial e no ticket alimentação, elevou o nível de revolta.
Encaminhamentos às autoridades
Diante do cenário, o sindicato informou que encaminhou o ofício recebido do consórcio a vereadores, à Câmara Municipal e ao prefeito de Divinópolis, solicitando uma solução imediata para o impasse. A expectativa da entidade era de que uma reunião fosse convocada com urgência, nesta segunda-feira, 19, considerando que o adiantamento salarial está previsto para até o dia 20.
Segundo o presidente do sindicato, a solicitação de reunião foi formalmente encaminhada ao consórcio, mas, até o fechamento desta matéria, às 12h, não houve resposta e nem confirmação oficial sobre a realização do encontro.
Erivaldo informou ainda que entrou em contato com o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), que sinalizou que também faria a solicitação de reunião junto ao consórcio. O Agora procurou a Prefeitura de Divinópolis para um posicionamento oficial, porém, até o fechamento desta matéria, também não obteve retorno.
Inicialmente, a informação repassada pelo sindicato era de que uma paralisação a partir desta terça não estava descartada, caso o adiantamento salarial não fosse pago. Essa possibilidade ganhou força diante do histórico recente de pendências financeiras, especialmente o não pagamento das horas extras em dezembro.
Com a atualização mais recente, Erivaldo informou que, até o fechamento desta matéria, não haveria greve nesta terça-feira, 20. No entanto, ele ressaltou que a situação permanece em aberto e que a possibilidade de paralisação ao longo da semana dependerá diretamente do andamento das negociações e da realização da reunião com o poder público e o consórcio.
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