Poesia: A nossa resistência cultural!

A poesia, em qualquer tempo, possui três aspectos umbilicalmente unidos. Um, o poeta e seu contexto, suas concepções e percepções do mundo. Outro, o leitor, que recria, segundo suas experiências, os poemas lidos. E, por fim, a materialidade da estética da resistência cultural no poema, por um mundo melhor e justo!
Daí minha coluna se abre para publicação de poemas de autores novos, de Divinópolis e região. Precisamos da literatura, pois como disse o poeta Ferreira Gullar, “a arte existe porque a vida não basta”!
Então, vamos começar o nosso projeto pelo poeta universitário, Homero Gonçalves, da Uemg Divinópolis, do curso de Letras,que nos enviou um belo poema.
I.SOBRE O PRAGUEJO DOS POETAS DO NOSSO TEMPO – Homero Gonçalves
Caso não lho saibam
os poetas de nosso tempo
são castos incendiados
“Luís de Camões”
Veem-se como magos
E situam-se dispersos
Ditirambo pelos ares
Num canto solitário
Enredando-se nas árvores
Dispõem-se em capilares
Gritam em meio à chuva
Invocando tempestades
Seus cântaros
Coloridos e arrojados:
Cultivam suas mágoas
E guardam os relâmpagos
II. RESPOSTA A UM POETA OU
EU GARGALHAVA, ELE SORRIA.
Num lampejo de sabedoria,
insígnia de digno esteta,
Sensível como todo gênio
Me disse uma vez o poeta:
“é senão… mar revolto
O estômago do nosso tempo…
Nele flui e escorrem
As águas do céu chuvoso...”
No lampejo da prosa poética,
Digno de todo meu gênio
Dei-lhe um tapa no rosto
— sabedoria de insigne esteta
A segunda poeta chama-se Mary Durval, estudante da UFSJ e integrante do Coletivo ARTEFERIA. Mandou um poema bem lírico, em tom amoroso e moderno!
EVANESCER – Mary Durval
Sempre que os meus olhos
Percebem a sua luz, como
Um cupim alado,
Rodeio a claridade.
Chego perto do seu
Calor e ali me aqueço.
E me queimo.
E perco as minhas asas
Feito um Ícaro dos
Nossos tempos.
Sempre encontro uma
Forma de cabermos
Seus braços, pois não resisto
Ao seu abraço
Espero pela hora
De ver a claridade e
De, novamente, me aquecer.
Apenas almejo mais uma vez
Um espaço em um laço.
Sem deixar de voar.
Sem precisar evanescer.
Outro poeta que contribuiu para a nossa coluna foi Roody Santos, estudante do curso de Letras na UEMG e também integrante do Coletivo ARTEFERIA.
CIRCUS - Roody Santos
Lonas alaranjadas,
palhaços, máscaras de riso.
Acrobatas riscando o ar,
e a plateia, tola e sábia
A buscar, em círculos vãos,
Memórias de magia e ilusão.
CLÁUDIO GUADALUPE
Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA
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