Polícia Civil investiga esquema de fraude milionário na região

Lucas Maciel
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) desmantelou um esquema de fraudes financeiras que movimentou mais de R$ 20 milhões na região. Até o momento, dois suspeitos foram presos e mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cidades da região, resultando na apreensão de uma quantia significativa em dinheiro, além de outros materiais utilizados nos golpes.
A investigação, que teve início em agosto de 2024, revelou uma rede criminosa que operava por meio da criação de empresas fictícias e da falsificação de documentos para obter financiamentos fraudulentos em instituições bancárias.
A PC realizou na última quarta-feira, 18, uma coletiva de imprensa na 1ª Delegacia Regional de Divinópolis, onde forneceu mais detalhes sobre o caso.
Investigação
A investigação que levou à descoberta do esquema começou há cerca de 4 meses, ainda em agosto, quando a Polícia Civil notou algumas movimentações bancárias suspeitas.
— A notícia do crime chegou até nós por meio de uma negociação fraudulenta, em que uma pessoa teve um prejuízo financeiro. Através dessa negociação, nós tomamos conhecimento de bancos envolvidos com o prejuízo de R$ 7 milhões — informou a delegada Adrienne Lopes
A informação da transação foi passada por uma das pessoas que se envolveram na negociação e por uma instituição financeira, vítima do golpe. Os recursos obtidos eram usados na aquisição de máquinas pesadas, como tratores, empilhadeiras, pás-carregadeiras e retroescavadeiras.
As investigações, a partir daí, foram iniciadas e a Polícia Civil conseguiu identificar que um casal estava sendo usada como “laranja”, emprestando os nomes para que os criminosos pudessem passar os golpes.
— Nós identificamos uma dívida de quase R$ 7 milhões no nome desta pessoa e quando solicitamos o relatório de análise financeira, percebemos que só no nome dessa ‘laranja’ haviam 23 empresas, veículos e, também, além da dívida, 50 CNPJ’s fraudulentos — lembrou a delegada.
Depois, as apurações apontaram que mais de R$ 22 milhões haviam sido movimentados no nome dessa mesma pessoa.
Prisões
Com o avanço da investigação, a Polícia Civil conseguiu rastrear os envolvidos e mapear as transações fraudulentas, culminando na operação que resultou na prisão preventiva de dois suspeitos, de 34 e 38 anos, na tarde de quarta-feira, 18.
— Representamos pela prisão preventiva deles e também por mandados de busca e apreensão nas residências e empresas dos envolvidos — explicou a delegada Adrienne Lopes.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 138 mil em dinheiro, cheques, computadores, documentos, aparelhos celulares e carros de luxo, como um Porsche e uma BMW. Todo esse material será analisado para dar continuidade às investigações.
Os suspeitos são investigados por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, falsificação de documentos e associação criminosa. Além das prisões preventivas, foram cumpridos cinco mandados de busca em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste, e em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Dinâmica
De acordo com Adrienne Lopes, os suspeitos cometiam as fraudes por meio de empresas falsas.
— Eles montavam empresas fictícias em diversos setores, criadas exclusivamente para serem utilizadas nos golpes. Usavam documentos falsificados para obter financiamentos e, com esses recursos, adquiriam mercadorias, que depois revendiam. Por meio dessa prática, movimentaram cerca de R$22 milhões — explicou.
Sobre as pessoa utilizadas como "laranja", a delegada revelou que se trata de um casal, mas o nome mais usado era da mulher que, aparentemente, não tinha conhecimento dos crimes cometidos pelos suspeitos.
— Na realidade, parece que ela não sabia dos crimes. Trata-se de uma mulher muito simples, que, inclusive, recebia o auxílio do Bolsa Família até o final de 2021 — detalhou Adrienne Lopes.
No entanto, ela ainda não foi localizada, e o vínculo dela com os dois presos é desconhecido pela Polícia Civil até o momento. Os suspeitos preferiram se pronunciar só em juízo.
Segunda etapa
As investigações ainda seguem em andamento na Delegacia de Polícia Civil em Divinópolis, com o objetivo de identificar mais pessoas envolvidas e desmontar completamente o esquema.
— Contadores que providenciaram toda essa documentação para que os suspeitos apresentassem às instituições financeiras também serão investigados — confirmou a delegada.
Ela também deu mais detalhes sobre a continuidade das operações, com essa primeira etapa concluída.
— Esse foi o primeiro passo, com a prisão dos autores, mas existem mais pessoas envolvidas. Agora será feito um levantamento dos valores, que nós já identificamos que no nome de uma laranja foi movimentado R$ 22 milhões — destacou.
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