Polícia prende padrasto suspeito de agredir adolescente em motel

Segundo a Polícia Civil, o homem tem outros casos de violência contra a mulher; vítima de 11 anos é de Divinópolis
Lucas Maciel
Francisco Oliveira Faria, acusado de levar a enteada, de 11 anos, para um motel em Contagem e agredi-la, já possui um histórico de violência contra mulheres, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, 16, pela Polícia Civil.
O homem, que tem 35 anos, foi preso na última sexta-feira, 13, durante uma operação da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) próxima a cidade de Patrocínio, no Alto da Paranaíba. De acordo com os militares que participaram da abordagem, o suspeito fugiu para Diamantina logo depois dos fatos ocorridos em Contagem, e depois foi para João Pinheiro. No dia da prisão, ele estava indo para Londrina, no Paraná, seguindo a orientação do advogado a fim de evitar o flagrante.
Ele confessou ser dependente químico e afirmou que tinha consumido maconha momentos antes de ser parado na operação.
Relembre
Francisco Oliveira é apontado como suspeito do crime contra a menor, ocorrido durante uma viagem em família. Ele era namorado da mãe da vítima, e os três haviam saído de Divinópolis, com destino a Contagem, onde Francisco planejava apresentar a namorada à sua família. O casal morava junto havia cerca de cinco meses.
De acordo com o relato da mãe e da criança à polícia, Francisco afirmou, antes de voltarem para Divinópolis, que faria uma parada na casa da mãe e de lá iria ver o filho em outro local. Quando chegaram ao local, ela teria subido para trocar de roupa para ir com ele e a filha, mas quando desceu, ele já tinha saído com a adolescente.
Francisco conduzia um carro alugado e, no trajeto, ordenou que a menina se abaixasse no banco do veículo. Em seguida, entrou com ela em um motel sem que a portaria percebesse a presença da criança. Conforme o relato da vítima, ao chegar ao quarto, ela questionou onde estavam e pediu para voltar para casa. Nesse momento, Francisco começou a agredi-la com socos, chutes e tentou estrangulá-la.
A menina relatou que chegou a perder a consciência durante as agressões. Quando recuperou os sentidos, percebeu que a banheira de hidromassagem do quarto estava cheia. Segundo a vítima, Francisco afirmou que a mataria afogada e, durante o ataque, mordeu suas costas, pescoço e lábios. Em um momento de reação, a menina conseguiu acertá-lo com um chute no rosto.
Francisco então saiu do quarto para ir até o carro, o que deu à criança a oportunidade de fugir e pedir socorro. A gerente do motel acolheu a menina e a levou para a UPA Ressaca, em Contagem.
A vítima passou por exames, que confirmaram que não houve conjunção carnal. No entanto, o Código Penal define estupro como "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso", enquadrando o caso como um crime grave.
Abordagem
Assim que as polícias Civil e Militar foram informadas do caso, já passaram a atuar em conjunto. Imagens do motel ajudaram na identificação da placa do veículo.
Então, depois disso, a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), em parceria com o setor de Inteligência da Polícia Civil, iniciou a busca pelo suspeito. Uma câmera flagrou o veículo utilizado na fuga, na rodovia perto de Diamantina. A partir disso, as forças policiais começaram a buscar nas rotas possíveis, o que levou à prisão do homem na MG-188, próximo ao entroncamento com a BR-365.
No interior do carro, os militares encontraram um mapa com uma rota desenhada, indicando um trajeto até Londrina, no Paraná. O suspeito não ofereceu resistência, se entregou e foi levado primeiramente para a delegacia de Patrocínio, e depois para o presídio local, Deputado Expedito de Faria Tavares.
Delegacia de Atendimento à Mulher
A delegada Melina Clemente, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, concedeu uma entrevista coletiva em Contagem, nesta segunda-feira, 16, e deu mais detalhes do caso. De acordo com ela, o suspeito tem outros registros de violência contra a mulher.
— Ele tem duas medidas protetivas, uma delas, da sua ex-mulher, com quem tem dois filhos e de uma outra ex-namorada. Tem também queixas de agressões de duas outras mulheres, uma delas, garota de programa — disse a delegada.
Ainda de acordo com a delegada, o suspeito ainda estava em Patrocínio no momento da entrevista, mas a expectativa era de que ele fosse transferido em breve para Contagem, a fim de continuar as investigações. Ela afirmou também que ele pode responder por diversos crimes, como aliciamento de menor, tentativa de feminicídio e estupro, caso seja confirmado pelos exames.
A adolescente ainda não foi ouvida e até o momento, não se tem previsão de quando isso acontecerá. As informações para a ocorrência foram passadas pela mãe da vítima.
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