Prefeitura deve criar audiência pública para definir aplicação de recursos da Vale

Bruno Bueno
Os divinopolitanos devem participar da aplicação dos R$ 15 milhões provenientes da tragédia de Brumadinho, pela qual a mineradora Vale foi considerada culpada. Segundo informações da Prefeitura, uma audiência pública deve ser criada para definir a destinação dos valores que já chegaram, em parte, para o município.
— A vice-prefeita informou ainda que, a Lei nº 8.369/2017, criada através de projeto de sua autoria, que dispõe sobre a obrigatoriedade de o Poder Executivo dar publicidade sobre à aplicação das emendas parlamentares recebidas pelo município, será ampliada para tratar também da aplicação deste recurso de R$ 15 milhões. Uma audiência pública deverá acontecer para prestar contas de como foram investidos todos os recursos recebidos — informou a Prefeitura.
O termo de reparação visa recompor integralmente os danos que vitimaram 272 pessoas e geraram uma série de impactos sociais, ambientais e econômicos na Bacia do Rio Paraopeba e em todo o estado.
Reunião
Ainda segundo o Executivo, uma reunião será realizada para estudar as destinações do recurso. A Prefeitura ressaltou que os valores não podem ser aplicados no Hospital Regional.
— Nos próximos dias, uma reunião será realizada entre o prefeito Gleidson Azevedo, a vice-prefeita Janete Aparecida e o secretário de Fazenda, Gabriel Vivas, para estudar como e onde o recurso poderá ser utilizado. Importante destacar que a destinação destes R$ 15 milhões a Divinópolis não tem relação com o recurso que deverá ser destinado para finalização do Hospital Regional, localizado no município — afirmou.
Confira as parcelas que serão pagas para Divinópolis:
- R$ 6 milhões - 40% do valor (já pago);
- R$ 4,5 milhões - 30% do valor (até 31 janeiro/2022);
- R$ 4,5 milhões - 30% do valor (até 1º julho/2022);
- Total: R$ 15 milhões.
Câmara
O assunto também foi tema durante a 52º Reunião Ordinária da Câmara Municipal, ocorrida na tarde de ontem. A vereadora Lohanna França (CDN) reforçou a solicitação de audiência pública para apuração dos recursos, alegando que a população deve ter ciência de onde os valores serão aplicados.
— A gente tem que trazer o povo para o debate. As pessoas têm que dizer onde esses recursos devem ser aplicados. Quais obras serão feitas? Quais áreas serão priorizadas? O Executivo não decide isso. O mais plausível é que isso seja decidido nesta Casa — disse.
Reunião
Para a assinatura do acordo e pagamento da primeira parcela, mais de 500 prefeitos estiveram presentes em uma reunião na cidade de Belo Horizonte. Representando Divinópolis, a vice-prefeita Janete Aparecida (PSC) esteve no local e participou da cerimônia.
Zema
Durante o encontro, o governador do Estado, Romeu Zema (Novo), destacou a assinatura do contrato e lembrou as 272 vítimas da tragédia em Brumadinho.
— O dia de hoje é muito marcante porque ele demonstra que, quando trabalhamos unidos, poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, conseguimos muito mais. Mas não podemos nos esquecer da tristeza que tivemos em 25 de janeiro de 2019. É preciso lembrar que 272 vidas foram perdidas, e nove joias ainda não foram encontradas. O Corpo de Bombeiros ainda continua trabalhando — disse.
O político também forneceu mais detalhes sobre o repasse dos recursos para os municípios mineiros.
— O repasse de R$ 1,5 bilhão aos municípios mineiros, proporcionalmente à população, está previsto na Lei 23.830/21 e será utilizado para execução no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (Padem). O montante que será pago diretamente aos municípios está previsto na lei, que autoriza a utilização de R$ 11,06 bilhões, correspondentes a parte dos recursos do acordo judicial, em ações e projetos no estado — ressaltou.
Por fim, Zema confirmou que a primeira parcela já caiu na conta das cidades.
— A primeira parcela do acordo de Brumadinho está na conta das prefeituras. Nós, gestores públicos, temos a obrigação de fazer com que esses recursos sejam direcionados para o bem do povo mineiro — afirmou.
Próximos passos
Conforme informações do governo do Estado, as cidades precisam ativar a conta aberta no Banco do Brasil para terem acesso aos recursos.
— As contas bancárias, os objetos da aplicação dos recursos e os valores a serem alocados em cada objeto deverão ser informados pelo Município ao membro do Ministério Público de sua comarca e ao Tribunal de Contas do Estado — destacou em nota.
O governo também deu detalhes de como os valores podem ser aplicados nos municípios.
— Os valores serão depositados em três parcelas: a primeira de 40% do total e as outras duas, de 30%. Os recursos podem ser aplicados em ações de mobilidade e de fortalecimento do serviço público, nos objetos especificados no anexo V da Lei n° 23.830, de 28 de julho de 2021, que também especifica o que não pode ser feito — finalizou.
Leia também
Domingos Sávio assina ordem de serviço para início de obras
Vice-prefeita Janete se reúne com Zema para tratar sobre recursos da Vale
Profissionais da Segurança Pública recebem homenagem na Câmara
Discussão acalorada entre Kaboja e Roger Viegas leva veterano ao hospital
Emendas serão incluídas no Portal da Transparência, anuncia Prefeitura de Divinópolis
Apenas 2 vereadores acompanham prestação de contas de Secretaria
Mais recentes
Vereador questiona possível alteração no vale-transporte; prefeita nega proposta
‘Ainda não tem nome definido’: Cleitinho planeja definir secretariado em breve
Simões promete pagar 13º e salário de janeiro antes de deixar governo de MG
Lula vira eleição pela primeira vez na história e segue para quarto mandato
Do nosso arquivo
Com presença de 31 municípios, Câmara promove encontro de mesas diretoras
Câmara aprova projeto que obriga identificação de pontos cegos em ônibus de Divinópolis
Impasse segue e deputados mineiros voltam a discutir crise no Samu em audiência pública
Divinópolis prepara estratégias para minimizar impacto do tarifaço
Veja tudo o que publicamos em setembro de 2021
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
