Preto no Branco 25/07/2023

Desesperador
Que Divinópolis vive um momento lamentável na política é redundante falar. Mas daí outros segmentos importantes para a população seguirem o mesmo caminho já se torna caótico. Especialmente, quando se trata da morte de um ente querido. Só quem sabe o significado da palavra amor e quanto a família é importante para cada um dos seus membros sabe o que isso significa. Fazer denúncias, "pegar no pé" e divulgar o que acha que deve, quando não se comunga dos mesmos pensamentos é algo normal em se tratando de certos órgãos de imprensa, afinal, têm liberdade para isso. No entanto, misturar e levar para o lado extremamente pessoal envolvendo a perda de pessoas tão próximas é desrespeitoso e passa de todos os limites que a liberdade de expressão permite. Como se falar tanto em empatia - palavra da moda -, se o ser humano não está nem aí para a dor do outro? Se machucar não importa quem quer que seja, visando interesses próprios, está acima de qualquer sentimento? Se a pimenta só arde no olho do outro? Chegam a ser desesperadores os rumos que a política local e os adeptos das suas armações e maldades estão tomando em busca de duas coisas valorosas para eles: dinheiro e poder.
Digno de nota
É preciso reconhecer quando bons projetos são aprovados e dar crédito a quem lhe é direito. Nesse caso, o vereador Edsom Sousa (Cidadania). Claro, um bom projeto ainda é, antes de tudo, palavras no papel. Como os próprios edis cobraram durante a discussão, o texto precisa ser implementado pelo Executivo. O Projeto de Lei Complementar CM 005/2023 foi aprovado por unanimidade no Legislativo. A redação é simples e objetiva: a localidade onde um imóvel está deve ter cinco requisitos mínimos de saneamento básico (meio-fio ou calçamento, abastecimento de água, sistema de esgotamento sanitário, rede de iluminação e escola ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 quilômetros). Caso uma dessas exigências não seja cumprida, o imóvel deverá ser lançado no valor da Cota Básica Única e Social do IPTU. Os objetivos esperados são vários. O principal é garantir justiça social aos contribuintes. Assim, os benefícios possíveis também podem influenciar o poder público a investir mais nos bairros sem infraestrutura mínima. Edsom espera, ainda, outros resultados positivos indiretos, como na segurança pública. Que a proposta seja tão boa na realidade quanto aparenta no papel. A grande questão que fica é quanto ao impacto financeiro da medida, ainda não comentada pela Prefeitura, visto que impostos como IPTU e IPVA são de suma importância para os cofres públicos. A ver se o prefeito vai sancionar.
Calma…
Que os vereadores aproveitem o recesso parlamentar, longe das reuniões ordinárias, para acalmar os ânimos - entre eles e com o Executivo. O ano, em especial as últimas semanas, tem sido marcado por um constante destaque. Uma cidade que virou Ouvidoria de reclamações políticas. É raro encontrar os ponderados, aqueles que fazem críticas pertinentes e reconhecimentos merecidos. Nem tudo precisa ser ascensão ou queda. É momento de tomar como ensinamento a fala da vereadora Ana Paula do Quintino (PSC), durante a votação na Corregedoria de Ética. A parlamentar reconhece que, com os ânimos exaltados, os políticos tendem a proferir até mesmo ofensas pessoais. Mas não é isso que a política exige deles. Pelo contrário, cabe a eles, representantes do povo, buscar justamente o diálogo para a solução dos problemas em prol da sociedade. Atritos pessoais podem resultar em engajamento nas redes, mas isso serve apenas àqueles que enxergam a política apenas como uma escada, sempre em busca do próximo degrau. Não estão interessados em, de fato, ajudar o povo, querem apenas aumentar seu número de seguidores e suas chances no próximo pleito. O pior? Alguns deles realmente conseguem e usam de sua posição política, abraçados a palavras como “prerrogativa” e “liberdade de expressão”, para difundir ódio e ofensas. Discutir projeto, entender o Orçamento e outras demandas mais da natureza do cargo são relegadas ao segundo plano. Afinal, o cargo que importa é sempre o próximo, nunca o atual.
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