Primeiro curta de Rômulo Corrêa, traz narrativa inclusiva em estreia inovadora

Da Redação
O primeiro curta-metragem "O Pequeno Rei", de Rômulo Corrêa, ganha estreia para 20 deste mês, às 18h, em Divinópolis, oferecendo ao público uma experiência imersiva inédita. Embora o local de exibição ainda não tenha sido divulgado, a expectativa é que a apresentação traga um formato inovador, diferenciado das projeções convencionais de cinema, proporcionando uma nova maneira de vivenciar o audiovisual.
O filme retrata a história central dos personagens Maria e Zezinho unidos por um amor inabalável mostram que a verdadeira beleza está na aceitação de si mesmo e no respeito às diferenças. A obra chama atenção para os três pilares importantes para uma uma relação em sociedade: meio ambiente, a espiritualidade e a comunidade LGBTQIAPN+.
‘O pequeno Rei’
A obra conta a história de Maria, uma mulher trans com deficiência física, que cria seu sobrinho Zezinho em uma humilde casa no Cerrado brasileiro. Em uma narrativa poética, Maria conduz Zezinho por rituais anuais que reforçam sua autoconfiança e lhe ensinam valores inclusivos e reforçando o respeito por todos.
—Em um ritual único e mágico, ela o transforma em um rei de beleza incomparável. Neste momento especial, Maria compartilha com Zezinho seus valores, enquanto costura roupas que expressam a divindade que há dentro de todos os seres humanos, independente de sexualidade, cor e fé. A cada ano, esse ritual fortalece a autoconfiança desta criança— explica o diretor do curta.
A produção não apenas destaca a diversidade de gênero e a inclusão, mas também visa questionar o preconceito e a violência enfrentados pela comunidade LGBTQIAPN+. Segundo o Observatório de Mortes e Violências LGBTI+, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+, registrando 230 mortes em 2023, cerca de uma morte a cada 38 horas.
Para Rômulo, o curta é uma forma de promover reflexão e sensibilizar o público sobre a importância do respeito à diversidade. Afinal a arte é um caminho singular de se alcançar as pessoas, promover pontes na construção de uma sociedade mais respeitosa e amorosa aos diversos e singulares que somos.
A construção do curta
Para o diretor, o conceito do sagrado feminino, presente em todos os seres humanos, é reprimido e ocultado por diversos motivos como: medo, preconceito e educação. Inspirado por essa realidade, ele decidiu escrever esta história. Aqueles que optam por expressar o feminino de forma intensa enfrentam perseguições e até mesmo violência física e psicológica, especialmente em países como o Brasil, onde a violência contra pessoas trans é alarmante.
A seleção de elenco foi minuciosa, focada em encontrar atores para três diferentes fases da vida do personagem Zezinho. A escolha final incluiu João Henrique, Arthur Pelegrini e Lucas Portela. Olivia Oli, atriz e Drag Queen, interpreta Maria, trazendo a sensibilidade e complexidade da personagem com base em sua vivência no cenário artístico.
Segundo o ator, interpretar o personagem foi revisitar seus medos e inseguranças, mas também reforça a importância de se sentir livre e respeitado por todos.
—Interpretar o Zezinho foi um convite para revisitar medos e culpas, mas também a sensação de ser livre. Foi um presente do Divino — relatou o ator.
Para Corrêa, o curta representa o amor como um fator de desconstrução de preconceitos, aproximando o público de uma visão mais inclusiva e respeitosa. As gravações ocorreram no "Jardim d'Kokedama", um espaço idealizado por Corrêa que promove a valorização e educação ambiental, além de proporcionar uma ambientação natural ao filme. A trilha sonora assinada por Theresa Hagen, com participação do coral Afro Undarirê também de Divinópolis
Além disso, a partir de 2025, o filme será exibido em diversos festivais internacionais e nacionais e serão realizadas mostras em diferentes pontos de cultura/ONGs e instituições da cidade. Este projeto foi possível pela Lei Estadual Paulo Gustavo.
Sobre Rômulo Corrêa,
Natural de Divinópolis, morou na Alemanha por mais de 30 anos, onde atuou na área artística como maquiador para filmes e moda até se tornar videomaker/cineasta. Sempre foi apaixonado pela forma autêntica e profunda como a câmera captura o que a alma deseja expressar, desde o cenário, figurino, elenco, iluminação, cada aspecto representa uma parte da essência de um filme.
Segundo o diretor, o fazer cinema vai além de gravar vídeos e produzir, é comunicar o que às vezes as palavras não conseguem expressar.
Confira algumas obras do diretor: Projeto RUA Rio Urban Art, I'M A FRIDA, Samba na palma da mão, Speechless (Mudo), Favela time of peace, Paradiesvogel, Stop Homophobia Demo, Ganz Berlin träumt von der Liebe, Carmen Electra, The best-of Wintergarten, Terra dos Elefantes, Gay not Grey, What is cross?, Moça com o brinco de pérola, Fuck Parade Berlin, Insano Blues, Parque Ecológico o Ponto Verde, e Santa Terra Morro da Gurita, entre outros.
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