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Educação

Professores da Uemg paralisam atividades em protesto contra projeto de federalização

Por Bruno
Professores da Uemg paralisam atividades em protesto contra projeto de federalização

Da Redação

Os servidores públicos da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) realizam, nesta quarta-feira, 28, uma paralisação das atividades acadêmicas em protesto contra o projeto de lei encaminhado pelo governador Romeu Zema (Novo) à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que propõe a federalização da instituição de ensino. A categoria também participa de uma assembleia geral no Espaço Democrático da ALMG, em Belo Horizonte, com a presença de estudantes e outros membros da comunidade acadêmica.

Pacote do Propag

A mobilização ocorre como resposta à inclusão da Uemg no conjunto de medidas do governo mineiro para adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados com a União (Propag). O conjunto é composto por 12 projetos de lei que, segundo o Executivo estadual, buscam reduzir a dívida de Minas Gerais com a União, estimada em cerca de R$ 165 bilhões. A proposta de federalização da Uemg é uma dessas medidas e, de acordo com o governo, permitiria abater aproximadamente R$ 500 milhões do montante devedor.

Com a paralisação desta quarta-feira, os servidores da universidade esperam pressionar o governo estadual e os parlamentares da ALMG a reavaliar o projeto de federalização da instituição. A assembleia geral, marcada para às 14h, reunirá estudantes e representantes de  diferentes unidades da universidade para debater os próximos passos da mobilização.

Proposta e diálogo

A paralisação foi aprovada em plenárias realizadas pelos docentes da universidade após a apresentação do projeto. Conforme informou o presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (Aduemg), Túlio Lopes, a categoria tem se reunido desde que o texto foi protocolado na ALMG e decidiu pela paralisação como forma de pressão contra a medida. Lopes afirmou que o movimento deve contar com a adesão da maioria dos professores da instituição.

— Estamos defendendo a nossa universidade. O governo apresentou uma proposta que, na prática, significa a extinção como universidade estadual e não contempla nossas reivindicações. Queremos que o governo invista mais na Uemg, não que venda o patrimônio da universidade — declarou.

Transferência de bens

Além da paralisação, os professores também são contrários a outro projeto que compõe o pacote do Propag, que trata da transferência de bens imóveis do Estado, suas autarquias e fundações públicas para a União. Esse texto estava previsto para ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da ALMG na segunda-feira, 26. Entretanto, o presidente da Casa, Tadeu Martins Leite (MDB), conhecido como Tadeuzinho, pediu que o governo Zema encaminhe, ainda durante a tramitação em 1° turno, a relação de bens que o Estado quer entregar, já que eles não foram especificados.

Reitoria informada 

A mobilização dos professores ocorre em meio à insatisfação geral da comunidade acadêmica com a forma como a proposta de federalização foi conduzida pelo governo de Minas Gerais. Em nota publicada no dia 8 de maio, a Uemg informou que foi comunicada verbalmente sobre a intenção de federalização em uma reunião realizada no dia 5 do mesmo mês, com a presença de representantes da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e da vice-governadoria. Segundo a reitoria, até aquele momento, não havia sido apresentada formalmente nenhuma proposta nem a universidade havia sido convidada a participar de qualquer instância de debate sobre o tema.

No comunicado, a universidade reiterou seu compromisso com a educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, e defendeu que qualquer discussão sobre seu futuro institucional deve ocorrer com total transparência e diálogo com a comunidade universitária e a sociedade mineira.

19 cidades 

A falta de consulta prévia à universidade e o conteúdo do projeto de lei levantaram preocupações entre docentes, estudantes e técnicos-administrativos da Uemg. Segundo dados da própria instituição, a universidade possui cerca de 21 mil estudantes matriculados, mais de 1.600 professores e aproximadamente 600 técnicos-administrativos. A Uemg está presente em 19 cidades do estado, o que a torna uma das principais instituições públicas de ensino superior de Minas.

No entendimento da Aduemg e de outros setores da comunidade universitária, a federalização representaria a descaracterização da Uemg como universidade estadual, podendo comprometer conquistas históricas e a autonomia da instituição. 

Abatimento da dívida

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), apresentou os projetos do Propag em reunião na ALMG realizada no dia 8 de maio. Na ocasião, Simões argumentou que a federalização da Uemg permitiria uma importante redução da dívida do Estado, sem causar “prejuízos” a alunos e professores. O governo afirma que a gestão da universidade seria transferida para a União, mas que o funcionamento da instituição continuaria o mesmo, preservando os vínculos com estudantes e docentes.

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