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Radiofonia

Por Portal Agora
Radiofonia

Inocêncio Nóbrega

 

Com grande ímpeto os EUA comemoraram, em 2013, o centenário do vôo dos irmãos Wright, por eles considerados os pioneiros da aviação no mundo. A dupla obteve o sucesso pelo deslocamento no ar, por quase um minuto, do aparelho Flyer 1.  Preteriram o brasileiro Santos Dumont, o primeiro a decolar, em 1901, do campo de Bagatelhe, França, seu aeroplano 14-Bis, perante testemunhas de jornalistas e autoridades.  Fazem useiro e vezeiro dessa prática, ao desconhecerem o padre nordestino Francisco João de Azevedo o verdadeiro inventor da máquina de escrever, em seu posto invocando Christopher Lathan Sholes. O sacerdote paraibano deixou-se enganar por um tal de John Pratt, a ele cedendo peças principais do projeto, já inteiramente  testados em exposições anteriores, levando-os este à Remington & Sons, que a produziu, comercialmente.

O Brasil é vítima de uma terceira preterição, desta feita envolvendo o surgimento da radiodifusão, cujos estudos científicos iniciais se desenvolviam em Cambridge, pelo professor Clerck Maxwell, secundado por norte-americanos e alemães. Contemporâneo outro padre patrício, Roberto Landell de Moura que, por volta de 1890, previa a radiotelefonia sem fio, justamente o celular de hoje.  Os intentos do sul-riograndense Landell só vieram a ser reconhecidos mediante Carta Patente nº 3.279, dez anos depois. Em solo estadunidense, em 1904 lhes são outorgados três Cartas Patentes, como precursor do “telégrafo e telefone sem fio, e transmissor de ondas sonoras”.  Entretanto, não o suficiente para a história, que tem no italiano Guglielmo Marconi descobridor do rádio, simplesmente por haver patenteado cinco anos antes suas pesquisas.

A radiofonia brasileira é oficialmente reconhecida pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (1823), embora seguida das primeiras transmissões da Rádio Clube de Pernambuco, em 1819.  É marcada, também, pela fundação (1934) da Rádio Escola Municipal do R. de Janeiro, depois Roquete Pinto, nacionalmente conhecida. Dia festivo em João Pessoa, 25.01 1937, onde se instala, sob prefixo PRI-4, a Rádio Tabajara da Paraíba.

Livro e inúmeros depoimentos narram suas atividades e características de emissora dotada de uma fina equipe de radiojornalistas, difusora da cultura, das artes e de uma política sempre independente e nordestinada, apesar de continuar estatal.  Dispensam-nos de maiores considerações históricas. Ao ensejo de seus 80º aniversário é de dizer-se que ela foi formadora, na juventude da época, de uma consciência nacionalista. Ao tempo o saudoso diretor Adalberto Barreto integrou suas ondas curtas à Campanha da Legalidade, retransmitindo os discursos de Leonel Brizola, reprimindo a atitude dos militares, que queriam impedir a posse do presidente J. Goulart. Manteve, por coerência, avessa ao golpe contra Dilma Rousseff, nunca aceitando a ilegitimidade do atual governo República.

Jornalista

inocnf@gmail.com

 

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