Razão e realidade

Na Filosofia Tibetana encontramos fragmentos como: “A mente é a grande assassina do Real. Porque quando a sua própria forma pareça irreal, como parecem, ao acordar, todas as formas que se vê em sonhos; quando deixar de ouvir os muitos, poderá divisar o “UM”, o som interior que mata o exterior. Então, e somente então, se abandonará a região do falso, para chegar ao verdadeiro”.
Já sabemos que nossa mente concreta, para compreender as coisas, às divide e às compara com aquilo que já trazemos dentro, de acordo com nossas experiências e vivências. Relaciono esta parte da nossa mente com aquilo que o retórico grego Protágoras (411aC), dizia: “o homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, tudo que vemos comparamos conosco mesmos.
Se dissermos, por exemplo, que uma formiga é pequena, o que poderemos dizer então dos micróbios ou do próprio átomo? A ciência dirá que num espaço de 10 centímetros, caberia enfileirados 1.000.000.000(um bilhão) de átomos, ou seja, impossível para nossa mente concreta dimensionar o tamanho de um átomo. E se no sentido contrário compararmos esta mesma formiga com o Homem, a Terra, o Sol, o sistema solar, a galáxia, nos traria uma consciência, agora, do infinitamente grande.
Neste sentido devemos entender que a nossa mente seria uma espécie de “assassina” do real. Porque ela acaba por trazer muitas ilusões, e uma delas será a crítica mental. Criticamos por que separamos as coisas e as comparamos conosco mesmo. Não faria sentido criticarmos o dedo polegar em relação ao dedo indicador, porque ambos são diferentes, mas complementares e estão dentro de uma unidade funcional.
A crítica somente será positiva quando for controlada pela razão, conforme já assiná-la o Filósofo Alemão Immanuel Kant (1724), quando ensina que somente a razão garantiria o uso dos seus direitos. A razão compreenderia o conhecimento de si mesmo e condenaria todas as atitudes que não tenham fundamento.
Seria impossível ensinar para um peixe o que seria uma fogueira, e da mesma forma, seria impossível ensinar para nossa mente concreta o que é um sentimento arquetípico e divino. Somente quando aproximarmos nossa mente da razão superior, àquela que vem do logos e do sentido de ser de todas as coisas, é que aproximaremos da realidade.
Para Filosofia à maneira clássica: A mente cientifica para compreender o mundo, rompe e divide’, por isso, não verá que a essência real é UNA. Somente a mente filosófica e inteligente conseguirá ver a essência que envolve todas as coisas.
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