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Coluna MG

Razão e sentimentos

Razão e sentimentos

No artigo do dia 05/03/24 escrevi que o nascimento da filosofia se deu por volta do século VIII a.C. como forma de contrapor-se às explicações dadas pela mitologia grega aos fatos relacionados com a vida humana. Estas explicações, via de regra, eram ambíguas, cheias de misticismo e muitas vezes totalmente sem lógica. A mitologia grega possuía muitas histórias interessantes, porém já não convencia a inteligência humana. Os sábios daquela época estavam à procura de explicações lógicas, que levassem em conta as coisas do cotidiano e apresentassem respostas convincentes. Eles estavam tentando encontrar a razão do porquê das coisas.

E o uso da razão, aos poucos, foi mudando a história da humanidade. No campo das ciências sociais a razão induziu Platão e Aristóteles a criarem a filosofia política que, entre outras coisas, introduziu o conceito de bem público e privado, estabelecendo a primazia do primeiro sobre o segundo, e a prioridade do coletivo sobre o individual. Aristóteles ainda teve o capricho de criar uma ferramenta chamada de silogismo para aferir a lógica do raciocínio humano.  

A razão também foi fundamental para o desenvolvimento das ciências físicas. Como não lembrar o filósofo Isaac Newton, o grande sábio da mecânica clássica? O raciocínio lógico embasado na razão propiciou o aprimoramento contínuo de equipamentos cada vez mais eficientes, facilitando o trabalho e permitindo uma melhor qualidade de vida.

Hoje vivemos um dilema, representado pela predominância cada vez maior da razão sobre os sentimentos. Justificam-se atitudes em nome de uma razão suprema que não existe. No convívio entre os humanos e destes com a natureza, a interação entre razão e sentimentos é fundamental. De que vale uma atitude dita racional se ela fere pessoas, quebra vínculos e espalha ódio entre criaturas que precisam manter um relacionamento de harmonia? Tal conduta tem tornado os humanos cada vez mais competitivos, porém menos amorosos e menos fraternos. A infindável crueldade de Israel contra o povo da Palestina, no meu pensar, é fruto deste desvio de conduta. Você concorda ou pensa que estou errado? 

É sabido que a razão fornece o raciocínio que nos orienta rumo às atitudes corretas. Da mesma forma é sabido que são as nossas emoções (permitam-me tratar sentimento e emoção como sinônimos) que liberam a energia e a vitalidade para agir. Sendo assim, somente seremos eficientes e felizes quando harmonizarmos razão e sentimento. Por isto, não devemos deixar que emoção ou razão, isoladamente, determine o nosso comportamento, pois teremos muita probabilidade de errar.  

É por isto que a filosofia nos convida a uma reflexão contínua - que nos leve a pensar sempre antes de agir. Agir por impulso – sem pensar nas possíveis consequências – expõe-nos fatalmente a um risco. Da mesma forma que o racionalismo puro, que desconsidera não só o sentimento próprio, bem como o das demais pessoas envolvidas, certamente não trará o resultado desejado.

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