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Reajuste do ICMS sobre os combustíveis já está em vigor

Reajuste do ICMS sobre os combustíveis já está em vigor

Jorge Guimarães 

Como já havia sido anunciado no fim do ano passado, 2026 começou com combustíveis mais caros em todo o país. O reajuste é resultado do aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e que passou a vigorar a partir da última quinta-feira, dia 1º.

Alíquotas

Com a mudança, o imposto estadual, que é cobrado de forma fixa por litro e já vem embutido no preço final pago pelo consumidor, sofreu reajuste tanto na gasolina quanto no diesel. No caso da gasolina, a alíquota passou de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro. Já o diesel teve aumento de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro. O etanol, por sua vez, não foi impactado pela alteração e segue com a mesma tributação.

A definição das alíquotas unificadas do ICMS sobre os combustíveis faz parte de um modelo adotado pelos estados para reduzir distorções regionais e dar mais previsibilidade à arrecadação. 

Reflexo nas bombas 

O aumento da alíquota já pôde ser sentido no dia a dia de quem depende do carro. Mesmo com um reajuste considerado pequeno em valores absolutos, o impacto foi imediato nas bombas dos postos e no orçamento de motoristas, empresários e consumidores.

O motorista de aplicativo Carlos Henrique afirmou que o aumento chega em um momento delicado. 

— A gente já trabalha com margem apertada. Quando o combustível sobe, não tem muito para onde correr. Ou a gente absorve o prejuízo ou tenta repassar no preço das corridas, correndo o risco de perder clientes — relatou. 

No setor empresarial, o reflexo também preocupa. O comerciante João Batista, que atua no ramo de distribuição de bebidas, explicou que o transporte é uma das principais despesas do negócio. 

— Tudo passa pelo caminhão. Quando o diesel aumenta, o frete encarece e isso acaba impactando o preço final do produto. Mesmo tentando segurar, chega um momento em que não tem como absorver sozinho — afirmou. 

Para ele, o efeito do reajuste é em cadeia e atinge toda a economia local. Empresários da indústria e dos serviços compartilham da mesma preocupação. A empresária do setor de confecção, Mariana Lopes, destacou que o aumento do combustível influencia desde a chegada da matéria-prima até a entrega do produto final. 

— É um custo que não aparece isolado. Ele se soma à energia, aos impostos e à folha de pagamento. No fim, tudo pesa no planejamento financeiro da empresa — pontuou.

Consumidor

Do lado do consumidor, a sensação é de aperto no orçamento logo nos primeiros dias do ano. A auxiliar administrativa Renata Souza contou que já vai ser preciso rever gastos. 

— Janeiro é um mês complicado. Tem contas acumuladas e agora mais esse aumento. Abastecer o carro ficou mais caro e isso acaba tirando dinheiro de outras coisas — comentou. 

Na avaliação do aposentado José Almeida, mesmo reajustes considerados pequenos acabam fazendo diferença quando se repetem. 

— A gente ouve que é só alguns centavos, mas quando se soma tudo no fim do mês, pesa sim. E o salário não acompanha esses aumentos — observou.

Diante desse cenário, a expectativa de motoristas, empresários e consumidores é de cautela e reorganização das finanças. 

— O aumento do ICMS sobre os combustíveis reforça a percepção de que, mesmo ajustes pontuais, têm efeito direto no custo de vida e nos desafios enfrentados por quem depende do transporte rodoviário para trabalhar, produzir e consumir — avaliou o economista Leandro Maia. 

Preços

Um levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na última semana, em Divinópolis, apontou variações nos preços dos combustíveis praticados nos postos da cidade, reforçando a atenção dos consumidores no momento de abastecer.

De acordo com a pesquisa, que avaliou 14 postos de gasolina, o preço médio da gasolina comum ficou em R$ 5,96. O menor valor encontrado foi de R$ 5,89, enquanto o maior chegou a R$ 6,19, evidenciando uma diferença considerável entre os estabelecimentos pesquisados.

No caso do diesel S15, o mais utilizado atualmente, especialmente por veículos mais novos e pela frota de transporte, o preço médio registrado foi de R$ 5,93. O levantamento da ANP identificou preços variando entre R$ 5,77, no menor valor, e R$ 6,19, no maior.

— A diferença de centavos por litro pode representar um impacto significativo no orçamento mensal, sobretudo para quem depende do veículo no dia a dia ou para atividades profissionais — pontuou Maia.

Pesquisas

As recentes variações nos preços dos combustíveis nos postos da cidade têm chamado a atenção dos motoristas e reforçado a importância da pesquisa antes de abastecer.

Para o motorista Celso Oliveira, que utiliza o carro diariamente para o trabalho, comparar preços virou hábito. 

— Hoje não dá para chegar no primeiro posto e abastecer sem olhar o valor. Às vezes, em poucos quarteirões, a diferença chega a 30 centavos por litro, o que no fim do mês pesa bastante no bolso — comentou.

Do lado dos empresários, o gerente de um posto de combustível da cidade, Rogério Almeida, explicou que as diferenças de preços refletem a dinâmica do setor. 

— O mercado de combustíveis é livre. Cada posto negocia com sua distribuidora e define sua política de preços de acordo com os custos, impostos, localização e concorrência — afirmou.

Segundo ele, a concorrência acaba beneficiando o consumidor atento. 

— O cliente precisa entender que não existe um preço único, e sim estratégias diferentes de venda. A disputa é diária e o consumidor bem informado sempre sai ganhando — concluiu.

Confira a reportagem:

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