Casos de sarna humana em São Gonçalo do Pará acendem alerta

Da Redação
São Gonçalo do Pará, na região Centro-Oeste, vive em estado de alerta há mais de um mês. O município registrou um aumento no número de casos de escabiose, doença popularmente conhecida como sarna humana.
A situação levou a Secretaria Municipal de Saúde a emitir um alerta à população após a constatação de uma média de seis atendimentos por dia relacionados à enfermidade.
Divinópolis
Apesar do cenário em São Gonçalo do Pará e de relatos de aumento de casos em outras cidades da região, Divinópolis não registra, até o momento, nenhuma notificação recente de surto da doença. Segundo informações da Vigilância em Saúde, a última notificação oficial de surto de escabiose no município ocorreu em agosto.
Desde então, não houve novos registros que caracterizam o surto. A Secretaria reforça que casos isolados não são divulgados, conforme protocolo, sendo tornados públicos apenas quando há confirmação de surtos.
São Gonçalo
De acordo com o secretário municipal de Saúde de São Gonçalo do Pará, Antônio Carlos Lima, o crescimento dos atendimentos começou a ser percebido há aproximadamente uma semana.
Além dos casos locais, profissionais de saúde relataram aumento da incidência da doença em outros municípios da região, o que acendeu um alerta para a possibilidade de disseminação regional.
— A situação está sendo monitorada de perto e que, nos últimos dias, já foi observada uma redução gradual na procura por atendimento, indicando que as medidas adotadas começam a surtir efeito — disse o secretário.
O que é?
A escabiose é uma doença infecciosa e altamente contagiosa, causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, variação hominis. O parasita se aloja na camada superficial da pele humana, onde cava pequenos túneis para se alimentar e depositar seus ovos.
A médica dermatologista Isabela Baeta explica quais são os sintomas da doença.
— A escabiose é uma doença que causa muito desconforto devido a fortes coceiras, especialmente durante a noite, quando o ambiente está mais favorável para o ácaro se propagar. A pessoa apresenta pequenas erupções que começam como bolinhas d'água; às vezes, o paciente nem identifica a bolinha, mas sim erupções papulares avermelhadas, principalmente em áreas de dobras — destacou.
Contaminação
A transmissão ocorre, principalmente, por contato direto e prolongado com a pele de pessoas infectadas, mas também pode acontecer pelo compartilhamento de roupas, toalhas, lençóis e outros objetos pessoais contaminados. Mesmo durante o período de incubação — que pode durar cerca de 24 dias na primeira infecção — a pessoa já pode transmitir a doença, mesmo sem apresentar sintomas.
— É uma doença infectocontagiosa, contraída através do contato direto com a pessoa. Pessoas que moram na mesma casa, frequentam o mesmo ambiente ou utilizam objetos de uso pessoal compartilhados, como toalhas e roupas de banho, são mais propensas a se contaminar. Um contato mais próximo, entre um casal, por exemplo, aumenta o risco de contaminação — reforçou a dermatologista.
Tratamento e prevenção
O tratamento é considerado simples e eficaz quando seguido corretamente. Ele inclui o uso de medicamentos tópicos, como cremes ou loções, aplicados em todo o corpo, geralmente durante a noite, permanecendo em contato com a pele por várias horas. Em situações específicas, como surtos coletivos ou pacientes com baixa imunidade, pode ser indicada a ivermectina oral.
— Os medicamentos ajudam a diminuir os sintomas e interromper a transmissão. É muito importante fazer o tratamento correto e procurar médicos para a prescrição adequada. Os cuidados estão disponíveis na rede pública de saúde; procure um profissional e siga as instruções — disse Isabela.
As autoridades de saúde reforçam que, apesar do alerta em cidades da região, Divinópolis segue sem registros recentes de surto, mas a população deve permanecer atenta aos sintomas e procurar atendimento médico ao primeiro sinal da doença.
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