Realidade dura

Batendo Bola
José Carlos de Oliveira
Ainda vemos algumas pessoas que insistem em desdenhar dos jogadores de futebol, por causa de seus “salários astronômicos”, como se isso fosse uma regra, quando na realidade é exceção. Apenas uma minoria, mas bota minoria nesta estória, dos atletas se dá bem na vida jogando futebol. A infinita maioria deles passa é necessidade, estão é na fila do desemprego, precisando de “algum” para sustentar suas famílias.
Esta semana foi divulgada a relação da temporada passada. Dos 21.743 atletas que assinaram contratos profissionais no decorrer do ano, apenas 8.938 deles chegaram a janeiro de 2017 com vínculos ainda vigentes. Logo, 59% dos jogadores perderam o emprego ao longo do ano.
O percentual é muito mais alto que o do restante da sociedade brasileira, que está na casa dos 12%, e são uma das maiores preocupações da equipe econômica do governo de Michel Temer. O nível de desemprego em 2016 é similar ao de 2015, quando os mesmos 59% de jogadores sem contrato no ano seguinte foram registrados pela CBF. Mas não é só isso não.
A relação dos atletas que, mesmo com contrato vigente, ficam meses sem ver a cor da grana, também é alarmante, e se algo não for feito para amenizar este quadro será o próprio futebol que sairá perdendo. Tendo que sustentar suas famílias, vai ter muito jogador procurando emprego em outras áreas, abandonado de vez os campos de futebol.
O alerta está ligado. Agora é com as autoridades.
MANGUEIRAS BRASIL
Tite anuncia seleção caseira
O técnico da seleção brasileira, Tite, anuncia esta manhã, a relação dos jogadores convocados para o amistoso do próximo dia 25, contra a Colômbia, que irá destinar a renda às famílias das vítimas do acidente aéreo que matou 71 pessoas, entre elas jogadores, funcionários, comissão técnica e dirigentes da Chapecoense, além de jornalistas esportivos. Como o jogo é festivo, por um motivo nobre, o treinador irá chamar apenas atletas que atuam no futebol brasileiro, dando oportunidade a que jogadores nunca antes lembrados possam mostrar ao comandante que também têm condições de vestir a amarelinha.
Da relação devem constar alguns atletas que atuam em clubes de Minas Gerais, com possibilidades reais para que Robinho e Rafael Carioca, ambos do Atlético.
Me engana, que eu gosto
Algumas pessoas insistem em defender a tese de que, em se tratando das equipes de base, o mais importante para os clubes é revelar jogadores, não importando se a equipe vá ou não conquistar algum título. Mas não é por aí, não.
Revelar jogadores para seus times profissionais tem sim que ser a principal meta dos clubes, mas eles também não podem e nem devem abrir mão das conquistas, sob pena de acostumar os jovens jogadores a serem eternos perdedores.
Se um clube entrou num torneio, seja ele qual for - da FMF, da CBF ou da “conchichina” -, tem que ir para a cabeça, lutar pela taça de campeão. E ponto final. O resto é tudo papo de perdedor, que não se sustenta nas próprias pernas.
Vá lá, que clubes de menor expressão do futebol brasileiro entrem nas competições como coadjuvantes, podendo se contentar com algo menor, mas aos grandes clubes do Brasil não cabe esta regra. Com investimentos milionários em seus departamentos amadores, eles têm por obrigação é brigar por títulos. Como no Brasil costuma se dizer que o segundo colocado é apenas o primeiro dos últimos, ser campeão é a única meta. O que não vier disto é conversa para boi dormir.
Perdendo pontos
Não adianta procurar desculpas, porque elas inexistem. Eduardo Maluf e Daniel Nepomuceno estão marcando toca e podem comprometer todo o trabalho do técnico Roger Machado no decorrer da temporada. Já era hora de o treinador ter em mãos todos os atletas que irá precisar para a árdua batalha deste ano, com o Galo envolvido em diversas frentes.
Se o pensamento é o de lutar por todos os títulos possíveis, esta demora em anunciar os reforços ganha contornos ainda mais duros, dramáticos e inexplicáveis.
Não é porque a estreia na Copa Libertadores está marcada apenas para o início do mês de março, que o Atlético possa se dar ao luxo de protelar a definição do elenco. Todo bom time começa com uma base e um conjunto definido, e a continuar assim isto será algo que o Galo não terá este ano.
Pode até vingar lá na frente, porque tem em seu elenco atletas diferenciados, mas a verdade, hoje, nos mostra que o Atlético sai atrás de seus concorrentes, que se armam desde o início da temporada com tudo que têm direito para o futuro.
Achar que a base que tem já é o bastante será o maior pecado do Galo. Nenhum treinador pode fazer milagre. Nem mesmo o jovem Roger Machado. Para que ele possa fazer seu trabalho fluir como quer e imagina que deva ser, tem que ter em mãos todas as peças disponíveis desde o início. Mudar no meio da temporada pode jogar por terra todo o planejamento. E é isso que a diretoria alvinegra tem que evitar, para não correr riscos desnecessários.
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