Região homenageia papa Francisco com luto oficial, mensagens e missas

Lucas Maciel
Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, morreu nesta segunda-feira, 21, aos 88 anos. O falecimento ocorreu em Roma, às 7h35 no horário local, segundo informou o Vaticano. Primeiro pontífice latino-americano da história da Igreja Católica, Francisco marcou seu papado pela simplicidade, proximidade com os mais pobres e esforço contínuo para tornar a Igreja mais aberta e acolhedora.
Ao longo de mais de uma década à frente do Vaticano, o jesuíta argentino — que adotou o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis — promoveu mudanças significativas. Defendeu o diálogo entre religiões, a justiça social e o cuidado com o meio ambiente. Também foi um dos papas que mais visitou países em desenvolvimento, e enfrentou desafios dentro da própria Igreja ao tentar modernizar suas estruturas.
A morte do pontífice gerou comoção em todo o mundo, e a repercussão também foi sentida na região. Cidades decretaram luto oficial, missas foram celebradas em sua memória e fiéis se reuniram para prestar homenagens.
Morte
O papa Francisco faleceu após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), seguido de coma e colapso cardiocirculatório irreversível, conforme comunicado da Santa Sé. Sua morte foi consequência de um quadro clínico que se agravava nas últimas semanas, marcado por complicações respiratórias e doenças crônicas.
Francisco enfrentava uma pneumonia bilateral desde o final de 2024, que piorou com insuficiência respiratória aguda. Ele também sofria de bronquiectasias múltiplas, pressão alta e diabetes tipo 2.
Com limitações respiratórias desde a juventude, quando precisou retirar parte de um pulmão devido a uma inflamação grave, o papa passou a enfrentar internações recorrentes, crises de asma e necessidade de ventilação mecânica. Em fevereiro, sofreu um broncoespasmo severo, precisando de broncoaspiração para limpar os pulmões.
Apesar da gravidade do quadro, Francisco teve uma leve melhora nas semanas seguintes e recebeu alta. Sua última aparição pública foi no domingo de Páscoa, 20, quando acenou aos fiéis da janela do Palácio Apostólico, visivelmente debilitado, mas sem suporte respiratório.
O funeral de Francisco acontecerá no sábado, 26, às 5h da manhã - 10h no horário local de Roma, com a celebração da Santa Missa Exequial na Basílica de São Pedro. Após a missa fúnebre, o corpo do pontífice seguirá em procissão até a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde será sepultado.
Repercussão
Com a confirmação da morte de Francisco, a repercussão foi imediata e tomou proporções globais. Líderes políticos, religiosos e milhões de fiéis ao redor do mundo prestaram homenagens e manifestaram pesar pela perda de uma das figuras mais influentes da Igreja Católica no século XXI.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou luto oficial de sete dias em homenagem ao pontífice.
— Assim como ensinado na oração de São Francisco de Assis, o papa buscou de forma incansável levar o amor onde existia o ódio. A união, onde havia a discórdia — afirmou Lula, em comunicado.
Em Minas Gerais, a repercussão também foi imediata. O governo do estado acompanhou a decisão do federal e também decretou luto oficial de sete dias. Durante a cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, realizada na manhã de segunda-feira, o governador Romeu Zema (Novo) prestou homenagem ao pontífice.
— Papa Francisco foi um símbolo de simplicidade e justiça social. Sua humildade e coragem inspiraram o mundo. Minas Gerais agradece e presta sua homenagem a esse grande homem que fez da fé um caminho de esperança e amor — declarou o governador.
Região
A morte do papa também teve forte repercussão na região. Fiéis, padres e autoridades religiosas lamentaram profundamente a perda do pontífice, e a Diocese de Divinópolis divulgou uma nota oficial assinada pelo bispo diocesano, Dom Geovane Luís, destacando o legado espiritual e humano deixado por Francisco.
— O Santo Padre, nos deixou um precioso legado humano e espiritual. Abriu-nos um caminho novo inspirado radicalmente no Evangelho de Cristo e no espírito da reforma empreendida pelo Concílio Vaticano II — escreveu.
Na mensagem, Dom Geovane ressaltou que o pontificado do papa argentino foi “um grito profético e constante pela Paz Mundial” e um convite à vivência do Evangelho livre de preconceitos.
— Seu pontificado foi um grito profético e constante pela Paz Mundial. Um convite à Alegria do Evangelho que nos liberta de todos os preconceitos. Uma exortação fraterna e lúcida à conversão eclesial, social e ecológica — destacou.
A Prefeitura de Divinópolis também se manifestou, decretando luto oficial de três dias. A medida foi adotada para prestar homenagem ao papa e reconhecer o impacto de seu legado nas comunidades locais e no mundo.
A administração municipal ressaltou em nota que o pontífice foi uma figura central no fortalecimento dos valores de solidariedade, respeito e paz.
— O papa Francisco deixa um legado de humanidade, diálogo inter-religioso e luta pelos mais necessitados. Sua mensagem continuará viva nos corações daqueles que acreditam em um mundo mais justo e fraterno — concluiu.
Além disso, a Diocese de Divinópolis anunciou que, durante os dias de luto, todas as igrejas da região realizarão missas especiais em memória ao papa Francisco. Também foi orientado o toque dos sinos em tom fúnebre às 12h, 15h e 18h, para simbolizar o lamento pela perda do líder espiritual.
Relatos
Padres da região também se manifestaram, destacando seu legado e a importância de sua liderança para a Igreja Católica e para a sociedade.
Frei Jacir, por exemplo, fez um vídeo emocionante para o Agora, em homenagem ao papa. Na mensagem, o religioso enfatizou o compromisso de Francisco com a inclusão.
— Francisco será recordado pela humanidade como uma figura ímpar, que soube unir e estender as suas mãos aos diferentes. O mundo não há de esquecer o seu papado — reforçou.
Padre Philippe Fernandes, da Diocese de Divinópolis, que reside em Roma, também se pronunciou sobre a perda do pontífice.
— Ao mesmo tempo que lamentamos e estamos com uma tristeza profunda pela morte dele, nós somos consolados pela nossa fé e pelo que nos ensinou o papa Francisco a encarar a realidade da vida, sabemos que somos passageiros — comentou o padre.
Outro que se manifestou foi padre Flávio Nogueira, responsável pela Igreja São Cristóvão, em Divinópolis. Ele foi o último membro da Diocese a estar com o pontífice, durante uma visita a Roma no fim do ano passado, quando estava fazendo um curso na cidade.
— Foi uma experiência única e muito emocionante poder conhecer o romano pontífice pessoalmente. Ele é, de fato, uma pessoa muito agradável, simples, humilde e que sempre se fez muito próximo de todos. Ele fez questão de cumprimentar um por um e tirar uma fotografia conosco — lembrou Flávio.
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