Rodoviários protestam contra demora e pressionam empresas do transporte

Da Redação
A panfletagem da campanha salarial dos rodoviários de Divinópolis, iniciada nesta segunda-feira, 2, deve marcar mais um capítulo da já delicada relação entre trabalhadores e empresários do transporte coletivo urbano. O movimento foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Divinópolis (Sinttrodiv) e ocorre em meio à insatisfação da categoria com a condução das negociações da data-base de 2026. A primeira reunião oficial com o Consórcio TransOeste foi marcada apenas para o dia 9 de março — prazo considerado tardio pelo sindicato.
O que diz o sindicato
Segundo o presidente do Sinttrodiv, Erivaldo Adami, a entidade encaminhou a pauta de reivindicações ainda em dezembro do ano passado, mas enfrentou demora para obter retorno das empresas.
— No final de ano, tivemos uma dificuldade enorme com o consórcio, porque eles não pagaram férias e 13º com a média de hora extra que os trabalhadores teriam direito — afirmou.
Ele explica que, diante do cenário, o sindicato realizou assembleia em dezembro e enviou formalmente as reivindicações por volta dos dias 19 e 20 do mês. Apesar das tentativas de diálogo desde janeiro, o dirigente diz que a categoria só recebeu resposta recentemente.
— Somente na semana passada tivemos um retorno do pedido nosso do processo de negociação da data-base de 1º de março de 2026. Continuamos insistindo desde janeiro para começar a conversar mais cedo e nada de resposta. Quando ameacei ir diretamente para a Justiça, eles marcaram a agenda, e somente para o dia 9 de março — ressaltou Adami.
Prazo curto preocupa
Para o sindicato, o intervalo até o fim da data-base — prorrogada até 31 de março — é considerado apertado para discutir uma pauta extensa. Entre os pontos estão reajuste do piso salarial, adicional de funções, vale-alimentação, plano de saúde, jornada de trabalho e o debate nacional sobre o fim da escala 6x1.
— O prazo ficou muito curto para uma negociação do tamanho que é. Temos aproximadamente 20 dias para discutir piso, jornada, benefícios e outras pautas importantes — alertou o presidente.
Ele também chamou atenção para a carga horária da categoria.
— Hoje temos trabalhadores fazendo 60, 90 horas extras. É uma jornada excessiva e precisamos de uma discussão mais profunda — reforçou.
A panfletagem desta semana, segundo o Sinttrodiv, tem justamente o objetivo de informar a população sobre o impasse e pressionar por avanços. Nos materiais distribuídos, o sindicato afirma que houve “descaso e falta de respeito” por parte das empresas diante da demora para abrir negociações.
Temor de nova crise
O tom adotado pela direção do sindicato indica preocupação com a possibilidade de novo acirramento. Adami relembrou mobilizações recentes e não descartou tensão caso não haja avanço.
— Temo não ter avanço significativo e provocar a categoria numa revolta igual aconteceu ano passado. Espero que, reunindo no dia 9, se o consórcio tiver interesse em resolver, as coisas possam se contornar — disse.
Ele também pediu apoio institucional e de autoridades competentes — vereadores, poder concedente e demais órgãos para auxílio neste processo.
Histórico
A atual insatisfação ocorre em um contexto de instabilidade recorrente no transporte coletivo de Divinópolis. Nos últimos anos, o sistema tem sido marcado por embates entre trabalhadores, empresas e poder público, incluindo paralisações, queixas sobre condições de trabalho e discussões sobre equilíbrio financeiro da operação.
Em episódios anteriores, a categoria já realizou mobilizações em busca de recomposição salarial e melhorias na jornada, enquanto usuários enfrentaram redução de horários, superlotação e incertezas sobre a continuidade de linhas. A pandemia da Covid-19 agravou o cenário, com queda no número de passageiros e sucessivos debates sobre subsídios ao sistema.
Mais recentemente, divergências sobre custos operacionais e reajustes tarifários também expuseram a fragilidade do modelo, mantendo o transporte coletivo no centro das discussões urbanas do município.
Próximos passos
A expectativa agora se volta para a reunião do dia 9 de março entre sindicato e empresas. Até lá, o Sinttrodiv promete manter a mobilização da categoria e a campanha de conscientização junto à população.
Caso não haja avanço nas negociações, o sindicato não descarta novas medidas de pressão, o que pode reacender o risco de impactos no transporte público da cidade nas próximas semanas.
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